O projeto Cidades Invisíveis propõe esta semana mais um desafio aos leitores do JC: onde fica localizado o portão da foto acima? O primeiro leitor a enviar a resposta correta para o e-mail cidadesinvisiveis@jc.com.br, até as 12h da próxima quarta-feira (22), ganhará três meses de assinatura do JC Digital, a versão completa do Jornal do Commercio na internet.
DESAFIO ANTERIOR - O leitor Djalma Melo Filho foi o primeiro a enviar a resposta correta para o desafio da semana passada. A inscrição "Minha rua" está na calçada do Espaço Pasárgada, localizado na Rua da União, 263, bairro da Boa Vista, Área Central do Recife.
Mantido pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), o lugar foi onde o poeta e escritor pernambucano Manuel Bandeira passou dias importantes de sua infância, pois, antes de ser tombada pelo Governo do Estado em 1984, a casa pertencia ao avô do escritor.
O Espaço Pasárgada é voltado essencialmente para a literatura de Manuel Bandeira, mas também visa apoiar e desenvolver manifestações artísticas e literárias de outros poetas pernambucanos.
O nome "Pasárgada" do espaço é também o nome de uma poema de Bandeira, que descobriu a palavra por acaso. Através de uma leitura, o escritor encontrou o nome grego que denomina uma pequena cidade provinciana ao sul da antiga Pérsia. O poeta então se inspirou na descoberta para criar o paraíso terrestre do poema "Vou-me embora pra Pasárgada", publicado pela primeira vez no seu livro "Libertinagem", de 1930.
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcaloide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Manuel Bandeira nasceu no Recife em 1886 e morreu em decorrência de uma tuberculose na cidade do Rio de Janeiro em 1968. A poesia de Bandeira é de estilo simples e direto, e sua obra faz parte da geração da Semana de Arte Moderna de 1922, tendo os modernistas Mário e Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Di Cavalcanti como seus contemporâneos.
Colunas JC
Últimas notícias
Prefeito volta do RJ e anuncia obras para evitar que lixo obstrua sistema de drenagem
Jogo de inauguração da Arena Pernambuco confirmado
O tesouro brasileiro da coleção de Carlos Augusto Lira
Navio Zumbi dos Palmares será entregue à Petrobrás nesta segunda-feira
Guerra exalta FHC e Serra na convenção que leva Aécio ao comando do PSDB
Número de brasileiros com celular cresce 107%
Gol ganha duas versões aventureiras
Torreão é opção para famílias Especiais JC
Parque Nacional Torres del Paine