Foi-se o tempo em que o perito criminal trabalhava no melhor estilo Sherlock Holmes, com uma lupa procurando por evidências na cena do crime. Hoje, a tecnologia é a maior aliada dos profissionais que trabalham na área no Estado. O mais novo reforço que chegou ao Núcleo Avançado Pericial (NAP) foi o Krimesite Scan-N-Find, sistema que emprega reflexão ultravioleta intensificada, mais precisa do que a luz forense fluorescência mais comumente usada. “Essa ferramenta possibilitou que colhêssemos digitais em suportes que antigamente tínhamos que desprezar”, afirma o perito papiloscópico Nilson Alves Oliveira, coordenador do NAP.
O núcleo é responsável pela realização de exames de natureza papiloscópica e iconográfica em locais de crime, bem como em veículos, em objetos e em documentos. Superfícies muito coloridas, por exemplo, não reagiam de forma correta ao pó revelador, e a identificação era dificultada. “A coleta hoje funciona com quase qualquer reagente, basta mudar o espectro de luz na própria máquina”, conta Nilson.
O processo é auxiliado pela capela automática para secagem de evidências forenses, uma câmara que protege as amostras de contaminação por contato com o ar e intercontaminação enquanto elimina a exposição dos peritos a odores pútridos de decomposição, agentes patogênicos, bactérias e viroses.
Uma vez revelado o desenho da impressão digital, entra em cena outro aparelho de ponta, a Estação Digital para Examinação Forense, que amplia em até 50 vezes o material coletado. “Para constituir uma prova, a impressão digital precisa coincidir em pelo menos 12 pontos com a registrada no prontuário civil. Com essa ferramenta, podemos comparar não só as ranhuras da pele como os poros, por onde sai o suor”, explica o perito.
O espaço mostrado na tela da estação corresponde a 0,5 cm² da digital, o que permite revelar traços até no gatilho de armas. Amostras que antes não serviam para identificação hoje solucionam crimes. “No caso do triplo homicídio ocorrido em agosto passado na Praia do Janga, dois dos três suspeitos foram identificados através de digitais coletadas nos azulejos da parede, que antes seriam ignoradas.”
O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Pernambuco conta com um dos mais avançados laboratórios de papiloscopia e iconografia do Brasil. Segundo o gestor do DHPP, Joselito Kehrle, os equipamentos adquiridos nos últimos dois anos foram fundamentais nos avanços obtidos pelo Núcleo Avançado Pericial (NAP) nos casos mais recentes. “A resolução dos crimes atuais que chegam ao laboratório tem ultrapassado o percentual de 80% por mês”, conta Kehrle.
Outro pilar do trabalho dos peritos do NAP são os softwares de perícias iconográficas (retrato falado em 2 e 3 dimensões), necroprosoprográfica (reconstituição da face de cadáveres), projeção de envelhecimento e rejuvenescimento humano e exame prosoprográfico (confronto de imagens faciais, de fotografias ou vídeos). “O retrato falado 3D facilita não só a identificação do suspeito, como ajuda a testemunha a lembrar das feições do criminoso”, destaca Nilson. Um exemplo foi o retrato feito para um dos suspeitos do assassinato da alemã Jennifer Kloker, em abril deste ano. “A característica decisiva, uma saliência na nuca, só foi conseguida através do retrato de perfil, e não de frente, como é o comum”, completa o perito.
Comentários
Excelente iniciativa, mas se gasta milhões em equipamentos, provas, tal, ae vem a "justiça" e solta, isso desmotiva o policial, falta o brasil, importar também um código penal descente.
Enquanto isso no IML, os profissionais não tem nem luvas para trabalhar.
É preciso investir cada vez mais na policia ciêntifica,so assim a justiça anda!
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