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Tablets e leitores digitais ameaçam a tinta e o papel

"É uma questão de tempo antes que a gente pare de cortar árvores e que todas as nossas publicações se tornem digitais", afirma o analista Tim Bejarin, presidente da Creative Strategies

Publicado em 13/12/2011, às 12h22

 / Foto: reprodução da internet

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Da AFP

SAN FRANCISCO - Os tablets e os leitores digitais ameaçam tornar o papel obsoleto para os editores de livros, revistas e jornais, já que as pessoas cada vez mais se habituam a ler as notícias, romances e livros de referência em telas dos mais variados formatos.

"É uma questão de tempo antes que a gente pare de cortar árvores e que todas as nossas publicações se tornem digitais", afirma o analista Tim Bejarin, presidente da Creative Strategies.

Há quatro anos a gigante do comércio na internet Amazon popularizou a utilização de telas para a leitura de romances com o seu leitor, o Kindle. Depois, em 2010, a Apple atiçou um apetite insaciável por seus tablets iPad, ideais para devorar todos os formatos digitais, desde filmes até revistas e livros.

O aumento nas vendas dos leitores e tablets devem permitir que as vendas globais de livros digitais cheguem a 9,7 bilhões até 2016, triplicando o crescimento de 2011, de acordo com um relatório da empresa Juniper Research.

"O mercado para e-books está crescendo rapidamente, a velocidade da mudança comportamental do consumidor é medida em meses, em vez de anos", disse a vice-diretora executiva do Grupo de Estudo do livro (BISG), Angela Bole.

De fato, os leitores que provam o digital são rapidamente conquistados: quase metade dos compradores de livros em papel e digitais estão dispostos a desistir do papel, caso possam encontrar o que desejam em formato digital. Já as livrarias correm o risco de desaparecerem. Algumas tentam se defender adotando a tendência, como a Barnes & Noble com seu leitor Nook, ou a francesa Fnac com o Kobo by Fnac.

"Eu estou entre aqueles que pensam que o novo entusiasmo pelos e-books desenvolve no povo o interesse geral pela leitura", disse o analista Allen Weiner, da Gartner.

Estudos mostram que a posse de um leitor tende a aumentar o interesse pela leitura, uma boa notícia para os editores.

"Toda vez que motivamos as pessoas a lerem, independentemente da forma, desencadeamos o amor pela leitura", afirmou ele, convencido de que os livros em papel vão manter uma quota do mercado, como livros apreciados em casa.

"Será que isso vai forçar as editoras a pensarem diferente? Claro, mas esta não é a morte da edição impressa", disse.

Bajarin acredita que vai demorar pelo menos dez anos antes da tinta e o papel se tornem obsoletos. "Todas as pessoas com mais de 45 anos cresceu com este formato e, para muitos, ele será sempre o formato mais confortável". Para jornais e revistas, o prazo será mais curto.

"O papel vai desaparecer para jornais, as revistas terão que encontrar um equilíbrio entre o papel e o digital", previu Weiner.

Atualmente, os jornais gastam um monte de papel na impressão e distribuição, além disso, os artigos em papel não podem chegar ao leitor tão frescos como os que saem na internet.

Portanto, o grupo News Corporation lançou no início deste ano em Nova York um jornal concebido especificamente para o formato digital, o The Daily. Os jornais tradicionais melhoraram seus sites e lançaram edições sob medida para os leitores e tablets.

Em novembro, a Time Warner nomeou uma especialista em publicidade digital, Laura Lang, padroeira da Digitas (Publicis Group), para a gestão do grupo de mídia Time, o maior editor de revistas dos Estados Unidos. "As revistas ainda estão tentando entender como funciona o digital", disse Weiner.

Quanto aos grupos da internet, eles começam em formato de revista: o Yahoo! lançou no mês passado o Livestand, combinando imagens, textos estáticos e em movimento para o iPad. Ele concorre principalmente com o  Flipboard, que apresenta na forma de revista eletrônica várias seleções de artigos.

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