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MERCADO

Carros com preços exagerados

Muita gente reclama dos preços dos carros no Brasil e alguns modelos são o exemplo de que o cliente tem razão

Publicado em 02/03/2017, às 08h14

Fiat Doblò Adventure custa quase R$ 90 mil. Fabricantes se queixam de impostos elevados / Divulgação
Fiat Doblò Adventure custa quase R$ 90 mil. Fabricantes se queixam de impostos elevados
Divulgação
Editoria de Veículos

É difícil encontrar alguém no Brasil que não reclame dos preços dos automóveis. Dos modelos mais simples ao mais luxuosos, todos são alvo de críticas dos consumidores quando o assunto é o valor que se paga pelo 0km. Os clientes bem informados até apelam para a comparação com outros países. Carros idênticos vendidos aqui são 20%, 30% ou até 50% mais baratos quando comercializados na Europa ou Estados Unidos. Até com países latino-americanos a comparação pode ser feita. Recentemente, o Fiat Mobi fabricado em Minas Gerais começou a ser vendido no México. Lá o preço começa ao equivalente a R$ 26 mil, isso para o carro equipado com ar-condicionado e direção hidráulica. No Brasil, o mesmo Mobi parte de R$ 33 mil na versão básica (sem esses dois itens de conforto).

PREÇO

A justificativa dos fabricantes é que no Brasil o mercado é bem diferente do resto do mundo. Aqui, dizem os responsáveis pelas marcas, há uma carga excessiva de impostos (que pode chegar a 40% do preço final do produto) e custo alto de mão de obra. Muda-se de assunto quando se fala em margens de lucro elevadas. Longe de querer esclarecer o mistério do carro no Brasil ser tão caro, resolvemos listar alguns exemplos que são claramente exageros. Na lista, deixamos de fora aqueles comprovadamente suntuosos como os modelos da Ferrari, Lamborghini ou Rolls-Royce, que são trazidos por importadores.

Vamos focar nos veículos nacionais, comuns, modelos até “clássicos”, com muitos anos no mercado, como a perua Fiat Weekend e a Volkswagen Saveiro, que podem chegar a custar R$ 80 mil nas versões mais completas. No caso do carro da Fiat a Weekend Adventure 1.8 automatizada e da picape Volkswagen, na versão Saveiro Cross Cabine dupla, o preço é na faixa dos R$ 74 mil. Ou o Suzuki Jimny, fabricado no Brasil sem nenhum sistema eletrônico sofisticado, mas que não sai por menos de R$ 65.990.


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Há ainda os modelos 1.0 “gourmet”, como o Ford Fiesta com seu motor 1.0 turbo que parte de R$ 74.490. Outro “milzinho” turbinado na potência e nos dígitos da calculadora é o Volkswagen Golf. Equipado com o motor 1.0 turbo para render 125 cavalos de potência, ele custa nas concessionárias a partir de R$ 77.247. O Fiat Doblò vende pouco, mas como é único na categoria “minivan com porta lateral corrediça”, abusa dos preços. A versão Essence 1.8 custa quase R$ 80 mil e a Doblò Adventure 1.8 beira os R$ 90 mil, mesmo sem opcionais. É quase o mesmo preço de um Jeep Renegade 1.8 flex.

Há também aqueles que custam caro, mas vendem muito. O melhor exemplo é o Toyota Corolla. Líder indiscutível no segmento, ele cravou cerca de 65 mil unidades vendidas no ano passado, enquanto o segundo colocado – o Honda Civic – estampou modestas 20.858 unidades comercializadas. O Corolla tem a seu favor a fama de resistente e confortável. Mas o preço inicial de R$ 88 mil pode ser considerado alto para um modelo com motor 1.8 e câmbio automático, mas que não oferece sistemas eletrônicos de estabilidade e tração ou mesmo uma simples câmara de ré e nem opção de motor turbo, como seus concorrentes.

Outro representante da Toyota na lista de preços tidos como “fora da realidade” é o SUV SW4. Na configuração diesel e de sete lugares, o preço começa em R$ 247.450. Daria para comprar cinco Toyota Etios 1.3 X e ainda viria R$ 17 mil de troco.

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