Prestes a completar dois anos à frente do governo húngaro, o primeiro-ministro Viktor Orban é mais um a comprovar a tese de que extremismos são degradantes não importa de que lado estejam.
Assumiu o país em crise. Havia herdado um alto endividamento externo e a legislação engessada oriunda dos tempos em que o país ainda fazia parte da União Soviética. No entanto, tinha a faca e o queijo na mão para mudar a realidade da Hungria: seu partido de centro-direita cristã, o Fidesz, havia elegido dois terços do congresso e contava com o apoio da população para implementar todas as reformas conservadoras que havia prometido.
O excesso de poder, no entanto, fez com que Orban exibisse seu lado mais radical. Aprovou reformas não ortodoxas estatizando boa parte dos fundos privados de pensão e se afastou do Fundo Monetário Internacional para que suas decisões não sofressem pressões externas.
As medidas, no entanto, agravaram ainda mais a situação econômica do país. Além do prejuízo ao dificultar a renegociação de suas dívidas, criou temor na comunidade internacional recebendo o índice BBB- (apelidado de “lixo”) das três principais agências de rating do mundo: Fitch, Moody’s e Standard & Poor’s. O resultado não poderia ter sido pior para um país que, para sobreviver, demanda altos investimentos externos.
Não fossem suficientes as aberrações econômicas, Orban partiu também para as questões sociais: aprovou uma nova constituição que transformou a Hungria em uma das nações mais conservadoras da Europa e se prepara para cancelar a licença de oito estações de rádio, incluindo sua tradicional opositora Klubradio.
Por ser uma pequena nação, a Hungria não representa um grande perigo para a economia mundial. Também não tem poder bélico suficiente para assustar. No entanto, está no coração da Europa, fazendo fronteira com países como a Áustria, a Romênia e a Ucrânia. Tem, por sua posição geográfica e sua história, um alto potencial para criar exemplo e promover em outras nações o modelo neofascista que Viktor Orban começa a desenhar.
Em tempos de crises econômicas e divergências religiosas entre cristãos e islâmicos, tudo que o mundo não precisa é de um exemplo extremista que vá à contramão da globalização dos valores democráticos.
Para frear a ofensiva governista, o povo húngaro já prepara sua resposta: marcou para o dia 15 de março, feriado nacional, uma grande marcha que promete tomar as ruas da capital Budapeste. Cabe agora à comunidade internacional, economicamente representada pelos bancos mundiais, e socialmente exercida na região pelos fóruns da União Européia, reavaliar seu posicionamento frente às medidas do partido Fidesz para que a Hungria não seja mais um mau exemplo no cenário político mundial.
*João Victor Guedes é economista e tesoureiro da International Federation of Liberal Youth (www.iflry.org)
Comentários
Estranhei esta matéria sobre a Hungria que tem mil anos de tradição catolica, e longa luta contra o comunismo, agora, que tem uma constituição pró-vida, contra o aborto e eutanasia, que reconhece somente o casamento natural(homem e mulher-que mais seria?), etc, contra toda esta porcariada imposta pela UE e ONU, que valoriza e promulga moral cristâ, sendo criticada pelo movimento gay e abortista. Parabéns Hungria, exemplo para o Brasil, ou preferem o comunismo como o que tem no Brasil da dilma, lula, e o tarso afagando o battisti?
Meu comentário: o shopping recife não está fiscalizando as vagas destinadas aos idosos, não sei para que tirar na CTTU a placa onde existe a palavra "idoso", porque não existe local para estacionar no shopping, pois elas estavam ocupadas por jovens. Que falta de respeito aos idosos.
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