Quem costuma pegar um táxi, especialmente à noite para ir a boate, a balada ou ao cinema em algum canto do Centro do Recife já deve ter se deparado com o táxi de seu Lucas, que chama a atenção não só pelo modelo do carro, um Fusca anos 70, como também pelo detalhe da pintura do veículo, de cor laranja-cegueira. O segredo do taxista para manter seu fusca bem conservado há tanto tempo é simples: ele passa um pano úmido do lado de fora do carro para limpá-lo e garante que cultiva uma certa paixão pelo fusca. Pela manhã, ele conserta algum defeito de seu táxi e à noite sai para rodar com o veículo.
Conhecido por Lucas pelos companheiros de profissão que fazem ponto no Hospital da Restauração, no Derby, o aposentado Amaro Bernardo da Silva é dono do famoso fusca desde 1979, quando abandonou o emprego de caminhoneiro e descobriu a paixão pelo ofício de taxista. Desde então, foram três décadas de história rodando pelas estradas da Região Metropolitana do Recife, totalizando o equivalente a 17 voltas ao mundo. Dentro do carro o taxista coleciona histórias pitorescas, pois ao longo de tanto tempo ele afirma que já viu de tudo. Entre as histórias do velho táxi, seu Lucas recorda de uma mulher grávida que deu a luz dentro do fusca.
O tempo transformou em exclusividade um carro que se destacou por ser o único modelo a rodar na capital pernambucana, depois de antigos trambolhos saírem da frota, disputando espaço com os atuais quatro-portas moderninhos. Apesar disso, há quem prefira viajar no saudoso e nostálgico fusca de duas portas, contemplando os prédios e ruas pelo prazer de andar num carro tão antigo. Além de manter o veículo bem conservado, seu Lucas garante que ele nunca quebrou com passageiro dentro, estando em ótimas condições de circular.
Entretanto, o dedicado motorista não conseguiu recadastrar seu fusca na Companhia de Trânsito e Transporte Urbano-PE (CTTU), como fazem os taxistas todos os anos. Isso porque atualmente, a CTTU não permite mais a circulação de táxis de outrora nas ruas. Hoje a Companhia determina que a frota seja composta por automóveis fabricados após 2005, todos branquelos, que é a cor padrão.
Sem mais razão para operar como táxi, o velho fusca KFJ-6216 preenche todo o tempo livre de seu Lucas, que agora faz planos de rodar com o carro só por amor à direção, sem mais passageiros como nos velhos tempos. A despedida da “estrela” é marcada por aplausos em bares noturnos e olhares curiosos de pessoas da nova geração, acostumadas com os táxis de quatro-portas equipados com GPS e ar condicionado.
*Fernando Siqueira é estudante da escola João Barbalho e pretende cursar jornalismo
Comentários
só faltou uma foto do taxi na matéria. De vez em quando o vejo rodando nas imediações do Derby-Madalena.
Fernando, bela matéria! Parabéns!
conheço o táxi de seu lucas, já fui vizinho em condominio dele e sei do cuidado q ele tem o fusca. Várias vezes presenciei na madrugada a chegada dele no condomínio e se dirigia pata limpar o carro, limpar tapetes. Lamento a CTTU não autorizar a nova licença do veículo, pois existem carros mais novos que não tem a mesma conservação do fusca de seu lucas mesmo assim a CTTU libera a licença. Este veiculo já foi reportagem da Globo. FORÇA SEU LUCAS, seu carro não deixará de ser o Táxi de Seu Lucas conhecido por todos nós.
Cade os vereadores da cidade do Recife que fazem as leis ... ?, que ganham 13, 14, 15 sálarios , que tabalham 3 vezes por semana , que tem sálarios r$ 9289,00 mais 23 assessores (R$ 600,00 a R$ 2900,00)pra cada um dos 37 vereadores auxilio paletó ,e outros qua não sabemos afinal são eles que fazem as leis do municipio ,vamos fazer um movimento de salvacao do taxi de seu lucas , vamos nos organizar e protestar
Fernando, você está no caminho certo. Parabéns.
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