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Opinião

Por que o país é tão rico e a nação é tão pobre?

Mesmo com o estrondoso desenvolvimento econômico, Brasil não consegue resolver problemas históricos que refletem diretamente na vida da população

Publicado em 13/06/2012, às 17h20

Ivone Boechat

Não precisa ser economista formado na Harvard para ter certeza da origem do enriquecimento estrondoso e vertiginoso deste país. Quando se divulgou que o Brasil tem mais dinheiro nos bancos do que a Inglaterra, ninguém duvidou. Vá hoje conferir a conta bancária do professor, do médico iniciante, da enfermeira, do bombeiro, da polícia, de todos os aposentados, de todos os profissionais operários, gemendo e se contorcendo no trabalho forçado pendurado no trem, no ônibus entupido, no engarrafamento de horas e horas e de todas as  pessoas que estudaram, se esforçaram, se dedicaram, contribuíram para sonhar com um mínimo para a sobrevivência e veja o saldo negativo da injustiça ali depositada. Mas o país é a 6ª.potência!

Não precisa ser expert em nada, basta olhar a situação das escolas públicas, a maioria só tem chocalhos (computadores, laptop, tablet) procura professor de matemática, ciências, história... Experimenta olhar pra cima, se o telhado não cair na cabeça, abra o guarda-chuvas, porque ali só as goteiras provocam mudanças, melhor explicando, as crianças mudam de lugar para não se encharcarem. Na conta da moralização da educação, não tem o suficiente nem para pagar o mínimo do professor. Mas o país é a 6ª.potência!

Não precisa ser especialista em saúde, basta o cidadão precisar de atendimento médico, para uma simples disenteria e o “atendimento” é um vexame, o sujeito desidrata e nem desmaiar consegue por falta de espaço para cair.  Fica em pé ali, até desistir... Imagina então alguém que precise disputar uma vaga no vestibular da morte e ser aprovado em primeiro lugar para sofrer na UTI, numa cama de corredor (do quarto nem pensar) ou na maca do pronto-socorro (que deveria mudar o nome para matadouro). O dinheiro, que deveria ser investido na saúde, nunca chegou a tempo. Mas o país é a 6ª.potência!

Não precisa ser gênio para decifrar o código de prioridades deste país que resolveu ficar riquíssimo, às custas do flagelo da nação. Passe pelas astronômicas obras das Olimpíadas, da Copa, dos jogos olímpicos. Não falta verba. Não que não sejam importantes, mas olhe como vivem os brasileirinhos nas encostas dos rios na Amazônia. Não precisa ir tão longe, dê uma volta nos arredores de qualquer cidade. Mas o país é a 6ª.potência!

Não precisa ser o homem mais informado do mundo. Passe na casa de um presidiário e olhe na geladeira ou no armário o estoque de compras. Todo mês entra ali o auxílio reclusão. Faça a mesma supervisão na casa da mulher que perdeu o marido com um tiro na cabeça... Total abandono! Por que não assistir também às vítimas? Ou então desemperrar o processo de indenização no Fórum, que só se resolve depois que a vítima morreu na véspera de receber. O preso custa, em média, ao Estado (nós) R$ 2.700 e o aluno custa R$ 300,00. A escola ruim ajuda a sustentar o número crescente de presos adolescentes. Mas o país é a 6ª.potência!

Não precisa comprar uma passagem para conhecer Brasília, porque a TV e a Internet e os programas de futilidades sociais mostram a toda hora a esbanjação nos coquetéis das comissões de alto nível e o nível é tão alto que a comissão não consegue chegar nos problemas que se contorcem nas gavetas, onde ficam arquivados milhões de processos: revisão de aposentadorias corroídas pelo desprezo e todo tipo de pedido de socorro, em todas as áreas sociais! Tudo ali se arrasta há anos! Mas o país é a 6ª.potência!

Não precisar ser PHd em finanças. O Brasil é a 6ª. Economia mundial! O brasileiro sabe como o país está ganhando essa olimpíada! Sabe, porque dói no corpo e na alma dos raquíticos atletas o horror de impostos cobrados com juros e correção monetária: uns 83 tributos. Sem falar no laudêmio, pedágio, aforamento e tarifas públicas... Que não são considerados tributos. Apenas os recursos referentes às taxas, têm destinação específica. Os demais recursos arrecadados que são o suco do suor de milhões de brasileiros podem ser usados da maneira que melhor aprouver aos governantes. O país é a 6ª.potência!

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Comentários

Por Gilberto Luna,14/06/2012

Cara amiga Ivone, as provocações de leu texto nos mostram uma série de fatores que contribuem para um esquecimento político das demandas internas, em áreas tão importantes como saúde, educação, segurança pública, sustentabilidade, crescimento urbano, e etc. Muitos parecem não vê que temos um Haiti em nosso quintal, mas só damos assistência ao que está lá fora. Já gastamos R$ 1,97 bilhões na operação do Haiti, no período de junho de 2004 a 2012. Isso significa mais de seis vezes o que foi gasto com a força de segurança nacional, no intervalo de 2006 a 2012. Preferimos seguir o caminho de um progresso que destrói os recursos naturais, os ecossistemas, e depois apresenta um projeto milionário de recuperação do ambiente degradado. A nossa falha passa pela escolha, mas isso por si só não resolve o problema, pois além de termos o mínimo de opção na escolha de políticos sérios, cada um poderá segui um rumo diferente do que foi proposto em campanha eleitoral, sem sofrer nenhuma consequência imediata, e aí as pendências ficarão para o próximo candidato, e assim por diante . Isso nos faz pensarmos na necessidade de criarmos mecanismos ágeis, a fim de possamos retirar do cargo eletivo, os que praticarem desvio do que chama de uma agenda mínima de compromissos públicos, a serem cumpridos, tendo-se assim uma pequena interferência de partidos ou coligações. Mas falta uma variável de peso nesta questão, que é o poder econômico, financiador das campanhas eleitorais.Qual empresa vai doar 1 milhão de reais, por exemplo, sem querer nada em troca ? Neste aspecto, o financiamento exclusivamente público de campanha eleitoral, ajudará a encerrar esta alternativa de vínculo político/iniciativa privada, que apesar de legal é Imoral. Não é a toa que os governantes usam desenvolvimento econômico como principal propaganda de sucesso, além usá-lo como sinônimo de um crescimento geral. Na democracia de Atenas, quando então era liderada por Clístenes ( 508 - 507, a.C), estavam excluídos da participação política algo em torno 90% da população, incluindo-se aí mulheres, estrangeiros e escravos.Curiosamente notamos que ainda existe em nosso País uma face sectária na democracia, e que a maior parcela de nossa população também não é devidamente contemplada com a aplicação dos recursos públicos, nas formas mais diversas. E aí o texto da Ivone nos remete a seguinte pergunta : Existe realmente democracia no Brasil após as eleições ?

Por Elias Sales,13/06/2012

Porque não sabemos ainda escolher nossos gestores públicos, quando o povo tiver coragem de agir.....

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