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PRESERVAÇÃO

Meteoro abriu cratera no Sertão há 3,2 mil anos

Pesquisadores querem transformar área em Santa Cruz da Baixa Verde em parque natural

Publicado em 04/01/2015, às 08h00

Cratera tem 550 metros de diâmetro e 120 de profundidade / Pierson Barreto/Cortesia
Cratera tem 550 metros de diâmetro e 120 de profundidade
Pierson Barreto/Cortesia
Claudia Parente

O pequeno município de Santa Cruz da Baixa Verde – outrora distrito de Triunfo – no Sertão do Pajeú, guarda um registro fascinante de um evento raro, ocorrido em tempos remotos, há estimados 3,2 mil anos. A misteriosa Cratera da Panela, imenso buraco elíptico de 550 metros de diâmetro e 120 de profundidade, foi aberta pelo impacto de um meteoro, que ainda formou várias lagoas na região. Depois de confirmar a hipótese, dois pesquisadores, um brasileiro e um alemão, propõem que o lugar seja transformado em parque natural.


Na semana passada, o paleontólogo Bernd-D Erdtmann e o professor Pierson Barreto, pós-doutorando no Programa de Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema) da UFPE, voltaram a Santa Cruz da Baixa Verde para visitar as Lagoas do Lunardo, Santa Cruz e de Santa Luzia. Eles acreditam que todas sejam paleolagoas (lagoas antigas), formadas pelo mesmo meteoro de 40 metros de diâmetro que abriu a Cratera da Panela. “O que estamos fazendo agora é aprofundar os estudos na área para identificar se essas formações também são de origem cósmica”, explica o professor Pierson.


O professor conta que conheceu a cratera e as lagoas em 1995, durante visita à região. Astrônomo amador desde a adolescência, Pierson resolveu coletar mostras das rochas para fazer pesquisa. Contactou geólogos da UFPE, Universidade de São Paulo (USP) e da Unicamp. Muitos vieram ao local. Em 2005, em viagem a Berlim (Alemanha), conheceu o professor Erdtmann, da Universidade Técnica da capital alemã, a quem mostrou o material. “Ele perguntou se tinham sido coletadas em Yucatán (México)”, lembra, referindo-se à região onde há uma imensa cratera aberta pela queda de um meteoro, há 65 milhões de anos, que desencadeou o processo de extinção dos dinossauros.




No ano seguinte, o geólogo e paleontólogo alemão veio a Pernambuco observar o suposto ponto de impacto do meteoro. Erdtmann já conhecia o País. Foi aqui, em 1980, em Corumbá (MS), que ele e o colega Detlef Hans-Gert Walde descobriram e pesquisaram as corumbelas, organismos primitivos que habitaram a Terra há 550 milhões de anos. Antes, já tinha feito um trabalho com técnicos da Petrobras sobre rochas encontradas nas bacias do Rio Grande do Norte e da Nigéria (África), há 100 milhões de anos, que teriam dado origem à parte do petróleo conhecido.


Depois de visitar a cratera, o paleontólogo entendeu que se tratava de um buraco aberto por meteoro. “O mais convincente para mim foi o conglomerado de rochas metamórficas, formado pelo provável impacto de um meteoro, e a forma elíptica da cratera, com uma parte mais profunda que outra”, explica Erdtmann. As rochas cristalinas da região foram fundidas pelo calor da explosão, acima de dois mil graus centígrados, gerando o que os cientistas chamam de impactitos. “Outra causa poderia ser um vulcão, mas a hipótese foi descartada porque não há vulcões na área.”

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