Jornal do Commercio
Notícia
PRESERVAÇÃO

Peixes-boi são transferidos de Itamaracá para ambiente natural na Paraíba

Vitória e Parajuru encalharam em praias nordestinas ainda filhotes. Agora, estão aptos para retornarem ao mar

Publicado em 18/04/2019, às 07h36

Uma operação foi montada para a transferência dos animais / Foto: Brenda Alcântara/ JC Imagem
Uma operação foi montada para a transferência dos animais
Foto: Brenda Alcântara/ JC Imagem
Editoria de Cidades

Para Vitória e Parajuru, dois peixes-boi que viviam na sede do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (Cepene/ICMBio) na Ilha de Itamaracá, litoral Norte de Pernambuco, uma nova vida teve início na última quarta-feira (17). A fêmea de quatro anos e o macho de seis foram encontrados encalhados no litoral nordestino e passaram por reabilitação no centro pernambucano. Na madrugada da quarta-feira, foram levados para a Paraíba, onde agora passam por um processo de reintrodução no ambiente natural.

Vitória foi encontrada por pescadores em Barra de Mamanguape, na Paraíba, no dia 1º de janeiro de 2015. “Estava em casa dormindo, quando fui chamado para resgatá-la. Na hora, pude ver que se tratava de um animal recém-nascido, que ainda tinha resquícios de cordão umbilical”, conta Genilson Geraldo dos Santos, agente de campo do Projeto Viva o Peixe-Boi Marinho (PVPBM), da Fundação Mamíferos Aquáticos.

A equipe tentou localizar a mãe do animal, sem sucesso. A solução foi levar Vitória até a unidade de reabilitação de Itamaracá, para receber a assistência necessária. “Na natureza, a mãe amamenta e ensina o filhote a respirar. Por isso, aqui o processo inicia com a colocação do animal em uma piscina pequena e rasa. À medida que ele vai crescendo, transferimos para piscinas maiores, com maior profundidade”, explica Iara Sommer, analista ambiental do Cepene/ ICMBio.

O processo de desmame dura cerca de 2 anos. Após esse período, os especialistas esperam até que o peixe-boi tenha tamanho e peso suficientes para o retorno à natureza. Para Parajuru, o tempo de reabilitação foi maior do que o de Vitória. Encontrado no município de Beberibe, no Ceará, o macho de seis anos também encalhou na praia ainda filhote, no dia 17 de janeiro de 2013. Foi resgatado pela equipe da Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis) e transferido para Itamaracá naquele mesmo mês.



Na madrugada de quarta-feira, uma verdadeira operação foi montada para a transferência dos dois animais para Barra de Mamanguape. “Agora, um novo ciclo começa. Eles ficarão em um cativeiro em ambiente natural pelos próximos meses, se adaptando ao alimento, às correntes marítimas e aos outros organismos aquáticos. Esse período varia de animal para animal, mas leva em torno de quatro a oito meses”, explica o veterinário e coordenador do Projeto Viva o Peixe-Boi Marinho, João Carlos Gomes.

PRESERVAÇÃO

Todo esse trabalho tem uma motivação maior: evitar o desaparecimento dos peixes-boi da costa nordestina, já que a espécie é ameaçada de extinção. “Isso vem de um processo histórico de caça. Atualmente, os problemas acontecem pela alteração do meio ambiente”, explica o veterinário. Segundo ele, o encalhe de filhotes é um dos maiores problemas. “Isso acontece porque as fêmeas, que procuram áreas estuárias para parir, não estão encontrando ambientes propícios. Acabam parindo no mar e a correnteza e as ondas carregam o filhote.”

Em Itamaracá, desde 1994, quando a sede foi inaugurada, cerca de 10% da população de peixes-boi existente no Nordeste (de 500 a mil animais), já passou pelo centro de reabilitação.


Galeria de imagens

Legenda
Anteriores
Próximas





Os comentários abaixo são de responsabilidade dos respectivos perfis do facebook.

OFERTAS

Especiais JC

Especial Tempo de Férias Especial Tempo de Férias
O tempo das férias finalmente chegou e com ele os vários planos sobre o que fazer no período livre. O JC traz algumas dicas de como otimizar o período para voltar renovado do merecido descanso.
Copa América no Brasil Copa América no Brasil
Confira a relação da Copa América com o Brasil, o histórico e detalhes da edição deste ano, na qual a seleção terá que se virar sem Neymar, cortado do torneio. Catar e Japão participam como convidados
O nome dele era Gabriel Diniz O nome dele era Gabriel Diniz
José Gabriel de Souza Diniz, o Gabriel Diniz, ou simplesmente GD como os fãs o chamavam, morreu precocemente, aos 28 anos, em um acidente com um pequeno avião no litoral sul de Sergipe ocorrido na segunda-feira, 27 de maio de 2019.

    SIGA-NOS

    LICENCIAMENTO

  • Para solicitação de licenciamento, contactar editores@ne10.com.br

Jornal do Commercio 2019 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE |

PRIVACIDADE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM