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Após faltar barreiras de contenção para manchas de óleo, Pernambuco critica governo federal

O secretário de Meio Ambiente de Pernambuco, José Bertotti, informou que as barreiras utilizadas na contenção do óleo acabaram e a União ainda não providenciou o envio de novos materiais

Publicado em 18/10/2019, às 22h41

''Solicitei ao ministro do Meio Ambiente, mas ainda não recebi retorno'', disse o secretário sobre as barreiras de contenção / Foto: Filipe Jordão/JC Imagem
''Solicitei ao ministro do Meio Ambiente, mas ainda não recebi retorno'', disse o secretário sobre as barreiras de contenção
Foto: Filipe Jordão/JC Imagem
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O secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, José Bertotti, criticou, nesta sexta-feira (18), a atuação do governo federal no desastre com óleo que atinge praias no Estado e em outros locais do Nordeste. De acordo com ele, as barreiras utilizadas na contenção da substância acabaram e a União ainda não providenciou o envio de novos materiais.

"Desde terça-feira (15), o comandante da Marinha aqui tem solicitado apoio do governo federal para receber mais barreiras de contenção. Na quinta-feira (17), solicitei ao ministro do Meio Ambiente, mas ainda não recebi retorno. Hoje, essas barreiras se esgotaram", explicou Bertotti.

Diante do atraso na entrega de barreiras de contenção pelo governo federal, a administração estadual deve contratar fornecedores do material.

"A Área de Proteção Ambiental (APA) de Guadalupe precisa de 700 metros de barreira. Essas barreiras não chegaram, é bom que fique claro. Hoje, inclusive, tomamos a iniciativa de contratar, fizemos os orçamentos, temos a autorização do governador, e mais, o Ministério Público Federal disse o seguinte: podem contratar porque essa conta terá que ser paga em última instância, quando o governo federal descobrir quem foi o causador da mancha", afirmou o secretário.

O ministro do Meio Ambiente vem ao Estado, na próxima terça-feira (22), para discutir a questão do desastre ambiental com o governador Paulo Câmara, no Palácio do Campo das Princesas. A assessoria de imprensa do Ministério do Meio Ambiente também confirmou a vinda de um diretor do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), neste sábado (19).

MPF vê governo federal omisso

Por causa das manchas de óleo nas praias do Nordeste, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou nova ação contra a União nesta sexta-feira (18). O processo requer que a Justiça Federal obrigue a União a acionar em 24 horas o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Águas sob Jurisdição Nacional. Os pedidos da ação judicial abrangem toda a costa do Nordeste.



Para o Ministério Público Federal, a União está sendo omissa ao protelar medidas protetivas e não atuar de forma articulada em toda a região dada a magnitude do acidente e dos danos já causados ao meio ambiente.

Dano ambiental em Pernambuco

Entre a quinta (17) e esta sexta-feira (18), foram atingidos locais nas cidades de São José da Coroa Grande, Barreiros, Tamandaré e Sirinhaém, no Litoral Sul.


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"Nesta sexta-feira (18), foram seis praias em Pernambuco: Carneiros e Boca da barra, em Tamandaré, Mucambinhas, em Barreiros, Ilha de Santo Aleixo, A Ver o Mar e Guaiamum, em Sirinhaém. Essas praias receberam o toque de óleo e foi feito o trabalho de contenção e limpeza", disse o secretário.

"Os rios Persinunga, em São José da Coroa Grande, e Una, em Barreiros, e Rio Formoso, em Tamandaré, sofreram também o toque de óleo. No caso do Persinunga e do Una, já há barreiras de contenção para que o óleo não alcance os estuários. Estamos trabalhando também com barreiras de contenção no Rio Sirinhaém e no Rio Maracaípe, em Ipojuca, onde ainda não houve chegada de óleo", explicou Bertotti.

Neste sábado (19), o trabalho de monitoramento com sobrevoo pelo Litoral Sul continua.

"Amanhã de manhã vamos fazer a mesma movimentação, assim que o sol raiar e o tempo permitir, um monitoramento de helicóptero para identificar os pontos mais sensíveis para que possamos agir", afirmou o secretário.

Geofísico mestrando em Oceanografia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Luis Tassinari afirmou que o impacto do derramamento é sem precedentes no País. "Esse tipo de acidente com esta magnitude e pela quantidade de áreas atingidas sem uma ligação direta com uma plataforma ou uma zona que está sendo perfurada para se encontrar óleo é inédito". Mesmo assim, outros vazamentos de óleo já foram registrados no Brasil e no Mundo.




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