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DESASTRE AMBIENTAL

Vinte toneladas de óleo já foram recolhidas em Pernambuco

O Governo de Pernambuco vai solicitar que a Petrobras recolha o material

Publicado em 18/10/2019, às 15h50

As novas manchas foram localizadas após vistorias realizadas na última quinta-feira (17) no Litoral Sul do Estado.   / Foto: Bruno Campos/JC Imagem
As novas manchas foram localizadas após vistorias realizadas na última quinta-feira (17) no Litoral Sul do Estado.
Foto: Bruno Campos/JC Imagem
Carolina Fonsêca
cfonseca@jc.com.br

Atualizada às 17h32

Vinte toneladas de óleo já foram recolhidas das praias do litoral pernambucano, entre a quinta (17) e a sexta-feira (18). O material foi acomodado em sacos plásticos e o Governo de Pernambuco vai solicitar que a Petrobras faça o recolhimento. As novas manchas foram localizadas após vistorias realizadas na última quinta-feira (17) no Litoral Sul do Estado por técnicos do Governo, utilizando helicópteros e embarcações. 

Durante a vistoria da última quinta-feira (17), a presença de uma mancha de aproximadamente um metro de diâmetro na foz do Rio Una, no município de São José da Coroa Grande, Litoral Sul, foi confirmada pela equipe formada por 70 pessoas. As manchas foram identificadas menos de 24 horas após a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) informar que Pernambuco não havia sido atingido pela substância. A CPRH havia feito o sobrevoo no litoral pela manhã. O reaparecimento das manchas aconteceu à tarde.

Desde o início de setembro, manchas de óleo começaram a aparecer nas praias do Nordeste. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), até esta sexta-feira (18), 187 praias da região foram afetadas pela substância e 214 toneladas de óleo foram recolhidas. Em alguns casos, mesmo após limpeza, as manchas voltaram a aparecer por causa da maré.


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Sala de Situação 

A partir desta sexta-feira (18), o governador Paulo Câmara (PSB) instituiu uma Sala de Situação no Palácio do Campo das Princesas, no Recife, para monitorar as manchas de óleo que chegaram ao litoral pernambucano. 

A Sala de Situação reúne representantes das Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado, da Defesa Civil e da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), que atuam no caso.

Estado de emergência

Após o reaparecimento de manchas de óleo na praia de São José da Coroa Grande, a prefeitura de São José da Coroa Grande decretou estado de emergência na região. O decreto foi publicado no Diário Oficial do Estado na sexta-feira (18) e começou a vigorar automaticamente.

Contenção

Com o objetivo proteger e preservar os mananciais pernambucanos do contato com a substância oleosa, a Marinha, a Petrobras e a Defesa Civil de Pernambuco instalaram boias de contenção na foz do Rio Pissinunga e Rio Una, em São José da Coroa Grande, na divisa entre Pernambuco e Alagoas.

Ajuda da população

Ciente do impacto ambiental e econômico para o município, a população de São José da Coroa Grande se uniu às autoridades para ajudar na remoção do material, que é encontrado de forma esparsa em alguns pontos da praia da cidade, na divisa com Peroba, em Alagoas.



Segundo a presidente da Colônia de Pescadores da cidade, Enilde Lima, os profissionais estão mobilizados para ajudar as autoridade, inclusive, pondo seus barcos à disposição. "Há embarcações nossas à disposição para ajudar nessa situação. Inclusive, alguns pescadores já foram para o mar e para a várzea do [Rio] Una. Estamos mobilizados para ajudar", disse. "A preocupação da gente é não chegar nos corais do [Rio] Una, que é o berçário de tudo", completou.

A recomendação da Marinha é que os moradores não entrem em contato com o material sem usar luvas e botas, porque a substância é considerada tóxica.

Ipojuca

Apesar de as manchas de óleo não terem chegado às praias do município de Ipojuca, como Porto de Galinhas e Maracaípe, no Litoral Sul de Pernambuco, a Prefeitura informou que está realizando monitoramento preventivo nas praias. O acompanhamento acontece tanto por meio da Central de Monitoramento, com uso de drones que sobrevoam a costa, como a fiscalização presencial de equipes do meio ambiente. Nessa quinta-feira (17), a prefeita Célia Sales realizou uma visita às praias de Ipojuca e implantou um comitê de crise.

O comitê é composto por diversos secretários e, segundo a prefeitura, 70% do litoral de Ipojuca está sendo fiscalizado 24 horas pela Central de Monitoramento da Secretaria de Defesa Social da cidade. A prefeitura informou, ainda, que caso a população encontre vestígios de óleo no litoral, deve entrar em contato com o órgão, através dos números (81) 99910-5782 ou (81) 3551-1766. É importante lembrar que as pessoas não devem entrar em contato com a substância, visto que ela é tóxica.

Vazamento ocorreu a pelo menos 600 km da costa

O vazamento de óleo que atingiu todo o litoral do Nordeste do Brasil pode ter ocorrido em uma região entre 600 km e 700 km da costa, na altura dos Estados de Sergipe e Alagoas. Pelo menos é o que aponta a estimativa feita por pesquisadores do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Eles trabalharam com uma tecnologia conhecida como modelagem inversa, que parte dos pontos de chegada das manchas nas praias e faz o caminho para trás, estimando o ponto de origem desse óleo. O estudo foi encomendado pela Marinha à Coppe/UFRJ.

Os pesquisadores acreditam que o mais provável é que tenha ocorrido um grande vazamento neste local, talvez durante uma malsucedida operação conhecida como ship-to-ship, em que o óleo é transferido de uma embarcação a outra em alto-mar, o que traz altos riscos de acidente.

Praias que foram afetadas em Pernambuco

Desde que as primeiras manchas foram identificadas no litoral do Nordeste, 15 praias de Pernambuco receberam vestígios esparsos do material, mas atualmente não há registro de óleo em todas estas praias, segundo o Ibama.

•Boa Viagem - Recife - oleada/vestígios esparsos

•Praia Del Chifre - Olinda - oleada/vestígios esparsos

•Candeias - Jaboatão dos Guararapes - oleada/vestígios esparsos

•Piedade - Jaboatão dos Guararapes - oleada/vestígios esparsos

•Praias de Gamboa - Ipojuca - oleada/vestígios esparsos

•Praia de Nossa Senhora do Ó - Ipojuca - oleada/vestígios esparsos

•Porto de Galinhas - Ipojuca - oleada/vestígios esparsos

•Pau Amarelo - Paulista - oleada/vestígios esparsos

•Conceição - Paulista - oleada/vestígios esparsos

•Carneiros - Tamandaré - oleada/vestígios esparsos*

•Tamandaré - Tamandaré - oleada/vestígios esparsos

•Ilha Cocaia - Cabo de Santo Agostinho - oleada/vestígios esparsos

•Praia do Paiva - Cabo de Santo Agostinho - oleada/vestígios esparsos

•Praia do Forte Orange - Ilha de Itamaracá - oleada/vestígios esparsos

•Catuama - Goiana - oleada/vestígios esparsos

•Ponta de Pedras - Goiana - oleada/vestígios esparsos

*O secretário de Meio Ambiente de Tamandaré, Manoel Pedrosa, confirmou, na sexta-feira (18) a chegada de novas manchas na praia dos Carneiros, em Tamandaré.




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