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SOLUÇÃO

Engenheira química do Recife adapta projeto para remover óleo das praias do Nordeste

O projeto está sendo adaptado para atender as manchas que vêm aparecendo no litoral do Nordeste

Publicado em 21/10/2019, às 19h10

O óleo já atingiu mais de 200 localidades de municípios do Nordeste  / Foto: Bruno Campos/ JC Imagem
O óleo já atingiu mais de 200 localidades de municípios do Nordeste
Foto: Bruno Campos/ JC Imagem
Rute Arruda
rarruda@sjcc.com.br

Um projeto desenvolvido por uma engenheira química do Recife e professora da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) capaz de eliminar manchas de petróleo derramados no mar a partir de biodetergentes está sendo adaptado numa tentativa de conter o óleo que vem aparecendo em várias praias do litoral nordestino, incluindo Pernambuco, desde o final de agosto. Coordenadora do projeto, a professora Leonie Sarubbo afirmou que novos estudos estão sendo feitos para combater o tipo específico de óleo que assola o litoral. 

"No caso desse petróleo que está chegando ao nosso litoral, ele tem características mais complexas. É um óleo denso, um óleo bem viscoso. Um petróleo realmente pesado. Nós estamos trabalhando em cima de soluções que possam tratar esse óleo. Se ele é mais fluido, é mais fácil de ser tratado", explicou Leonie. Inicialmente, o projeto foi desenvolvido para um óleo mais fluido. 

O projeto, que foi vencedor da 8ª edição do Prêmio Odebrecht para o Desenvolvimento Sustentável 2015, foi desenvolvido em um ano por alunos da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e pela engenheira química e professora da instituição de ensino Leonie Sarubbo. 

Inicialmente, ele foi desenvolvido para um óleo mais fluido, diferente do que está sendo encontrado nas praias do litoral nordestino. O biodetergente foi criado a partir de uma levedura (fungo), a Candida bombicola. 

O produto pode ser utilizado de duas formas: colocado em volta da mancha de óleo, criando assim uma barreira, para impedir a dispersão da substância ou colocado diretamente sobre o óleo, possibilitando a degradação realizada por micro-organismos existentes no mar. 



Ainda segundo a engenheira química, um outro fator que dificulta a retirada do óleo é o tempo em que ele permaneceu no mar. "Quanto mais tempo o óleo fica em contato com a água, quanto mais horas vão passando, então a remoção se torna mais difícil porque ele vai se concentrando mais. Então qualquer ação de remoção por barreira física, por dispersante, tudo isso vai sendo dificultado", disse.

Um estudo feito por pesquisadores do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) aponta que o vazamento do óleo pode ter ocorrido no dia 14 de junho, em uma região entre 600 e 700 km da costa do Nordeste, entre Alagoas e Sergipe. 

Leonie afirmou que, para uma fração do óleo que está sendo encontrado nas praias, os pesquisadores possuem a solução, mas para a parte mais pesada dele, ainda não foi encontrada uma fórmula ideal para o combate. "Cada petróleo tem as suas características. Vai depender da origem, do tipo e de vários outros fatores. Tudo vai interferir no contaminante", disse a coordenadora do projeto. 

A professora explicou que ainda é necessário conseguir verba para que o projeto, que está sendo desenvolvido por uma equipe de aproximadamente 15 pesquisadores, entre docentes e discentes, todos da Unicap, seja desenvolvido em maior escala e, assim, atenda toda a demanda afetada no Nordeste. Leonie comentou ainda que em poucas semanas o produto, feito a partir de substâncias atóxicas e biodesagradáveis, já estará pronto para uso. 

Praias atingidas no Nordeste




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