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EDUCAÇÃO

Colégio de Aplicação da UFPE poderá mudar forma de ingresso

Proposta é que vagas sejam preenchidas por meio de sorteio, em vez de processo seletivo

Publicado em 10/10/2015, às 07h06

Diretor de cursinho preparatório, Flávio Barbosa diz que o ingresso por sorteio vai comprometer a qualidade do ensino / Bobby Fabisak/JC Imagem
Diretor de cursinho preparatório, Flávio Barbosa diz que o ingresso por sorteio vai comprometer a qualidade do ensino
Bobby Fabisak/JC Imagem
Margarida Azevedo

A concorrida seleção de alunos para o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) poderá deixar de existir. Proposta inserida no novo estatuto da universidade - que ainda será avaliada e homologada (ou não) pelo Conselho Universitário - é convocar os novos estudantes por meio de sorteio. A proposição não agrada pais de alunos da instituição de ensino.

Com 420 alunos que estudam do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, o Aplicação se destaca nacionalmente como uma das melhores escolas públicas do País. Para ingressar no colégio, atualmente, o candidato faz uma prova de português e uma de matemática. São oferecidas anualmente 55 vagas para o 6º ano. Em média há entre 1.500 a 2 mil concorrentes. A seleção deste ano será dia 22 de novembro e as inscrições estão abertas até a próxima quinta-feira (15).

A proposta de modificar o processo seletivo se resume a uma frase, no artigo 112 do texto do estatuto: “O ingresso no Colégio de Aplicação utilizará a política de sorteio”. O vice-reitor da UFPE, Silvio Romero Marques, informa que todos os artigos do novo estatuto - são 120 no total - serão analisados pelo Conselho Universitário.

“Os artigos foram aprovados pelos delegados que participaram do Congresso Estatuinte. Mas têm que ser submetidos à avaliação do Conselho Universitário. A mudança do processo seletivo do Aplicação é uma dos temas polêmicos”, comenta Silvio Romero. Questionado se é favorável à mudança, ele preferiu não opinar. Disse apenas que “o sorteio não é inclusivo e a universidade preza pela inclusão.”





Segundo o diretor do Aplicação, Alfredo Matos, há cerca de um ano começou um debate sobre novas formas de acesso à escola. “Estamos discutindo outras possibilidades de ingresso. Mas nenhuma mudança será implementada de forma irresponsável. O debate ainda acontecerá no Conselho Universitário”, destaca Alfredo.

Docente de artes plásticas do Aplicação, Beatriz de Barros concorda com o sorteio. “Há um grupo de professores que almeja uma nova forma de ingresso, além da abertura de turmas do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. Entendemos que é preciso ampliar o acesso, torná-lo mais democrático. Hoje só entra quem faz cursinho”, enfatiza Beatriz. “As lacunas de aprendizado que ocorrerem têm que ser sanadas independentemente de como o aluno chega”, complementa.

PROTESTO - O diretor da Associação de Pais e Alunos do Aplicação, Ricardo Loureiro, reclama que os pais da escola não foram chamados para discutir a mudança no processo de ingresso. “Não é questão de ser contra ou a favor do sorteio. Reclamamos porque não fomos consultados, quando representamos os alunos. O Aplicação é uma ilha de excelência, orgulho de Pernambuco. O estatuto propõe implantar sorteio sem qualquer discussão com a sociedade”, afirma Ricardo.

Terça-feira a associação terá uma reunião com a Procuradoria da UFPE para tratar do assunto. Na quarta-feira o encontro será com o conselho diretor do colégio. “Dia 21 de outubro faremos uma passeata, saindo da escola até a reitoria, com a participação de pais e alunos”, informa Ricardo. A previsão é de que o novo estatuto comece a ser avaliado no dia 28 de outubro. Não há como prever quando o artigo que trata do Aplicação será apreciado.

Diretor do cursinho preparatório Cica, Flávio Barbosa critica a substituição da seleção. “A falta de um concurso para a seleção de novos alunos tornará o Aplicação mais uma escola pública, dentre tantas outras que existem. Se este absurdo de sorteio de vagas for efetivado, a minha preocupação, enquanto gestor da área educacional há 16 anos, é que se acabe com a tradição de mais de 50 anos de excelência em ensino do Aplicação”, observa Flávio.




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