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EDUCAÇÃO

Sobral, cidade do Ceará, dá exemplo de boas práticas na alfabetização

Segundo dia da série Pernambuco pela Educação revela o que faz a cidade sertaneja se destacar nos indicadores nacionais e que servem de inspiração para outros municípios

Publicado em 30/11/2017, às 07h21

Escola Emílio Sendim tem o maior Ideb do Brasil nos anos iniciais do ensino fundamental, 9,8 / Foto: Guga Matos /  JC Imagem
Escola Emílio Sendim tem o maior Ideb do Brasil nos anos iniciais do ensino fundamental, 9,8
Foto: Guga Matos / JC Imagem
Margarida Azevedo

Mara Evellin Alves, 6 anos, vai concluir em dezembro o 1º ano do ensino fundamental. Lê e escreve. Está totalmente alfabetizada. A garota mora em Sobral, no sertão cearense, cidade que duas décadas atrás, na segunda metade dos anos 90, tinha 46% dos alunos considerados analfabetos escolares. Hoje o município se orgulha de ter zerado esse índice. Na Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA), realizada anualmente pelo Ministério da Educação (MEC), os indicadores da rede municipal estão bem acima da média nacional. Lá, 83% das crianças aparecem nos dois melhores níveis em leitura (é 45,27% no País) e 91% na escrita (contra 66,15% no Brasil).

O investimento na educação pública, com foco na alfabetização, tem inspirado vários municípios brasileiros, alguns de Pernambuco. É comum colégios e a Secretaria de Educação sobralense receberem prefeitos e outros gestores públicos desejosos de conhecerem o trabalho que vem sendo realizado na rede de ensino. Lugar com 203 mil habitantes (pouco menor que Caruaru, no Agreste pernambucano, que tem 277 mil moradores), Sobral é campeã nacional nos anos iniciais do fundamental no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2015. Nos anos finais é o vice-líder brasileiro. Tem médias 8,8 nas séries iniciais (do 1º ao 5º ano) e 6,7 nas finais (do 6º ao 9º ano), quando a meta mínima de qualidade para todo o País é 6.

A formação dos professores em serviço é um das iniciativas que repercute positivamente na aprendizagem dos alunos. Em Sobral, os mestres não param de estudar. Todos os meses, os 1.710 docentes se reúnem para vivenciar dinâmicas, discutir práticas pedagógicas e planejar suas aulas. Um encontro de quatro horas acontece com todos os professores de cada série. Saem de lá com um calendário de sugestões de atividades diárias para serem aplicadas na sala de aula. No mesmo dia, por mais quatro horas, esses profissionais voltam para suas escolas para adaptar o planejamento à realidade da suas unidades de ensino. Coordenadores pedagógicos também assistem, a cada 15 dias, às aulas ministradas pelos docentes.



“Não é para encontrar defeitos e sim uma formação complementar. O coordenador observa a aula e depois conversa com o professor. Juntos montam estratégias para melhorar o aprendizado. Em Sobral não existe desculpa para a não aprendizagem. Nada serve como justificativa para o aluno não aprender”, ressalta a diretora da Escola Caic Raimundo Pimentel Gomes, Sílvia Lima. O colégio, situado no bairro simples do Alto da Expectativa, teve nota 9,2 no último Ideb. “Gosto muito da escola. Os professores são atenciosos, estimulam a leitura. Minha filha teve febre quando ficou de férias, sentido falta das aulas”, conta o autônomo Carlos Eduardo Sousa, orgulhoso em ver alfabetizada a filha Maria Eduarda Sousa, 7.

AVALIAÇÃO

Outro destaque em Sobral é uma avaliação externa realizada semestralmente e que resulta em pagamento de gratificações para os profissionais das escolas com melhores resultados. Todos os alunos das nove séries do ensino fundamental fazem provas de português (com ênfase em leitura e escrita) e matemática. Os estudantes que estão no ciclo da alfabetização passam também por um teste oral, onde é avaliada a leitura. Dessa maneira, professores, coordenadores e a Secretaria de Educação sabem o desempenho exato de cada criança, cada turma e cada escola. Podem, assim, programar intervenções quando a garotada não está se saindo bem.


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O JC acompanhou a aplicação de um dessas avaliações na Escola Emílio Sendim (colégio que tem o invejável maior Ideb do Brasil nos anos iniciais do ensino fundamental, 9,8 e cujo resultado é estampado numa das paredes do prédio). Cada turma tem um grito de guerra, os docentes estimulam seus alunos. A seriedade é tanta que um pedido da reportagem para registrar a atividade foi negado para não atrapalhar a concentração dos estudantes. “Com educação de qualidade, buscamos blindar nossos alunos de seguirem no contexto de violência e pobreza que muitos vivem”, destaca a diretora da escola, Lira Augusta Soares.




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