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EDUCAÇÃO

Bibliotecas comunitárias contribuem para melhorar indicadores educacionais

Pesquisa do Instituto Ecofuturo revela que nas cidades onde há bibliotecas comunitárias houve aumento do Ideb

Publicado em 24/08/2018, às 17h09

Biblioteca do Centro Cultural Mestre Dié, no Cabo, recebe em média 50 visitantes por dia / Foto: Felipe Ribeiro /  JC Imagem
Biblioteca do Centro Cultural Mestre Dié, no Cabo, recebe em média 50 visitantes por dia
Foto: Felipe Ribeiro / JC Imagem
da editoria de Cidades

Maria Eduarda Santos, 17 anos, já leu, somente este ano, 15 livros. Atualmente, está absorvida pela história de Dom Casmurro, de Machado de Assis. Pegou o livro na biblioteca comunitária que funciona no Centro Cultural Mestre Dié, em Ponte dos Carvalhos, no Cabo de Santo Agostinho, Região Metropolitana do Recife. Pesquisa realizada pelo Instituto Ecofuturo, um dos parceiros do espaço de leitura, revela que a existência dos equipamentos contribuiu para melhoria no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), indicador de qualidade calculado a cada dois anos pelo Ministério da Educação (MEC).

A pesquisa contemplou 107 bibliotecas instaladas em 12 Estados. Em Pernambuco há 27 unidades que integram o projeto, distribuídas em 27 municípios. Foram observados os índices de desempenho escolar das localidades onde estão os equipamentos (Idebs de 2005 e 2015). Houve a comparação com outros municípios com características semelhantes aos analisados, mas que ainda não possuem bibliotecas do Instituto Ecofuturo.

Segundo o estudo, houve uma melhora de 7,8% no Ideb nos anos iniciais do ensino fundamental. A pesquisa revelou também um aumento de 2% em proficiência em matemática e 4,3% em leitura. Outro dado é a elevação de 3,4% da taxa de aprovação nas séries iniciais do fundamental e de 4,2% nos anos finais. Não dá dados por Estado ou município.

No Cabo de Santo Agostinho, o Ideb passou de 3 em 2005 para 4,6 em 2015, nos anos iniciais, e de 2,6 para 3,5 nos anos finais. “Amo ler. Venho à biblioteca uma vez por semana. Fica perto de casa e da escola. Não frequento mais porque não tenho muito tempo livre, já que estudo em horário integral”, conta Maria Eduarda, aluna do 2º ano da Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Cabo de Santo Agostinho. A adolescente é uma exceção: na turma dela, com 25 alunos, apenas mais dois colegas pegaram livros emprestados na biblioteca comunitária este ano.

Coordenadora do centro cultural, Benedita Santos diz que há uma frequência média de até 50 pessoas, por dia, na biblioteca. A maioria são alunos das sete escolas existentes nas redondezas (quatro estaduais e três municipais). “Temos um bom acervo, de cerca de 10 mil livros. Vem gente estudar, fazer pesquisa, ler. Mas acho que a frequência poderia ser maior”, comenta Benedita. De fevereiro até hoje foram emprestados 380 livros.



“Nosso sonho é climatizar a biblioteca. A área destinada às crianças foi interditada porque o gesso do teto ameaçava cair. A prefeitura está ciente e prometeu reformar o prédio em breve”, conta Benedita. O centro é municipal e ligado à Secretaria de Educação do Cabo. O Instituto Ecofuturo contribuiu com a biblioteca em 2012 – cedeu mobiliário, investiu na reforma e reforçou o acervo, além de capacitar os funcionários.

INTERIOR

Em Alagoinha, no Agreste do Estado, a Biblioteca Comunitária Givanildo Paes Galindo também integra a rede do Ecofuturo. O equipamento fica no Centro e funciona os três turnos, de segunda à sexta-feira. Para estimular a presença dos leitores, a coordenadora Simone Galindo usa a criatividade.

“Faço cartazes. No posto de gasolina, coloco um com uma frase dizendo que as pessoas devem ir na biblioteca se abastecer de conhecimento. No hospital, a frase sugere que vá manter sua mente saudável”, relata Simone.

“Não é fácil concorrer com a tecnologia. Tento aproveitá-la. Divulgo livros e atividades pelo Facebook. Quando chega um livro interessante, posto em grupos de WhatApp”, explica Simone. O espaço tem cerca de 11 mil livros. Por mês são locados cerca de 60 exemplares.

 





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