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Ideb: o exemplo que vem de Bonito, no Agreste de Pernambuco

Em dez anos, o Ideb saiu dos piores de Pernambuco para a liderança no Estado nos anos iniciais

Publicado em 06/09/2018, às 07h25

Os trabalhos realizados em sala de aula seguem expostos nas paredes, para que os alunos possam consultar o conteúdo a qualquer momento / Foto: Guga Matos/ JC Imagem
Os trabalhos realizados em sala de aula seguem expostos nas paredes, para que os alunos possam consultar o conteúdo a qualquer momento
Foto: Guga Matos/ JC Imagem
Editoria de Cidades

É do Agreste do Estado que vêm alguns dos exemplos de educação em Pernambuco. Entre os três municípios que conquistaram os melhores desempenhos no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) nos anos iniciais do ensino fundamental, dois (Bonito e Panelas) são da região. O destaque vai para Bonito, que, entre as escolas municipais, tem as duas melhores notas do Estado nos primeiros anos. O município é também o terceiro colocado em Pernambuco nos anos finais do fundamental, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Entre 2015 e 2017, o Ideb de Bonito subiu de 6,2 para 7,2 nos anos iniciais. Em dez anos, o município, que esteve entre os piores do Estado em educação, conseguiu subir mais de 5 pontos nessa faixa de ensino. Já nos anos finais, o Ideb subiu de 5,3 em 2015 para 5,5 em 2017. “Atribuo esse resultado a um conjunto de ações focadas no desempenho do estudante, que começa com a formação de professores, passa pelo monitoramento da aprendizagem e pela articulação com a família, com o Conselho Tutelar, além da boa relação com os professores”, defende Elza Silva, secretária de Educação do município.

A estratégia da gestão é fazer com que as escolas se tornem mais atraentes para os estudantes. “O fazer pedagógico mudou. Apostamos na integração entre as disciplinas para tornar o conteúdo mais atrativo e de fácil assimilação pelas crianças. Hoje, todas elas passam para os próximos anos sem déficit de aprendizado”, explica a secretária. A rede municipal tem 7,4 mil alunos e 420 professores, atuando em 33 escolas. Dessas, 23 funcionam na área rural e 10 na área urbana da cidade.

Outro fator importante é o incentivo à leitura. “Temos o projeto Cidade Leitora, uma proposta pedagógica com objetivo de desenvolver todos os gêneros textuais em sala de aula. Entendemos que o estudante leitor tem maior capacidade de aprendizado em todas as áreas”, defende Elza Silva.



O primeiro lugar no Estado ficou com a Escola Municipal Artur Tavares de Melo, localizada no município. “Trabalhamos como foco no ensino e na formação dos alunos. O monitoramento dos estudantes é um dos pontos principais. Temos auxiliares nas salas de aula, que conseguem chegar junto ao estudante e compreender as dificuldades. Como as turmas tem 25 alunos, muitas vezes o professor não consegue ter uma atenção individualizada, o que é resolvido com a presença do auxiliar”, defende a gestora da unidade de ensino, Maria Zeny de Oliveira Lira. Outra estratégia é a exposição dos trabalhos nas paredes das salas, para que os conteúdos continuem acessíveis aos pequenos.

A escola tem 387 alunos e 15 professores. Entre os estudantes está Emanuelly Santos, de 9 anos, que cursa o 4º ano do ensino fundamental. “Minha matéria preferida é matemática. Aqui, os professores ensinam a gente com brincadeiras e, assim, é mais fácil aprender.”

META

O objetivo do Ministério da Educação (MEC) é alcançar, até 2021, Ideb igual a 6,0 nos anos iniciais do ensino fundamental em todo o País. Em Pernambuco, dos 183 municípios, apenas 9 (4,9%) já alcançaram a meta, entre eles Bonito. A maior parte, 115 (62,8%) cidades, tem Ideb entre 3,8 e 4,9.

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