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EDUCAÇÃO

Depois da BNCC do ensino médio, é hora de organizar os currículos

Governos e escolas privadas terão a tarefa de montar o currículo aliado à reforma do ensino médio

Publicado em 06/12/2018, às 17h44

Mateus e Gabriel, alunos do ensino médio, aprovam a ideia de escolher disciplinas. Defendem também melhorias nas escolas / Foto: Bobby Fabisak / JC Imagem
Mateus e Gabriel, alunos do ensino médio, aprovam a ideia de escolher disciplinas. Defendem também melhorias nas escolas
Foto: Bobby Fabisak / JC Imagem
Margarida Azevedo

O texto da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do ensino médio, aprovado anteontem pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), deve ser homologado pelo Ministério da Educação (MEC) na próxima semana. A partir daí, governos estaduais, maiores responsáveis por essa etapa da educação básica na rede pública, e as escolas privadas terão muito o que fazer. Vão definir os currículos e como será a implementação, considerando a BNCC e a reforma do ensino médio. Professores e alunos estão animados com as mudanças.

Há muito trabalho pela frente. Mas um diferencial de Pernambuco é que já temos os parâmetros curriculares. Poucos Estados possuem, como Ceará, São Paulo e Goiás. O que faremos é adaptar esse documento à base nacional. Considero que o maior desafio vai ser entrelaçar com a reforma do ensino médio”, diz o secretário estadual de Educação, Fred Amancio.

A previsão dele é terminar a discussão no final de 2019. “Não é só montar o currículo, é preciso definir também como será a implementação”, observa Fred Amancio. O ano de 2020 será para ajustar esses detalhes. Na prática, escolas só começarão a mudar em 2021, quando estão previstas alterações no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Para o presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Pernambuco, José Ricardo Diniz, a mudança no ensino médio é mais que oportuna. “É muito boa a possibilidade de o estudante flexibilizar o currículo. Hoje são 13 disciplinas”, observa José Ricardo. Na avaliação dele, o texto aprovado pelo CNE está impreciso. “Há lacunas, deveria detalhar mais”, afirma.

A BNCC tem como norte o novo ensino médio, aprovado em 2017, que entre outras medidas, determina que os estudantes tenham uma parte do currículo comum e outra direcionada a um itinerário formativo, escolhida pelo próprio aluno, cuja ênfase poderá ser em linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas ou ensino técnico.

ESTRUTURA

Professoras da Erem Santa Paula Franssineti, no Espinheiro, Zona Norte do Recife, Suelen Oliveira e Patrícia Dantas defendem que o novo currículo seja acompanhado por melhorias na infraestrutura das escolas.



“Tenho alunos que chegam ao 3º ano do ensino médio com defasagem em português. Não adianta aumentar a carga horária se a estrutura não melhorar. Não consigo, por exemplo, levar uma turma de 35 alunos à biblioteca porque o espaço não comporta”, diz Suelen Oliveira, que sente falta também de projetores nas salas.

“Os alunos das escolas integrais já podem optar três disciplinas eletivas. Com a nova base, essa flexibilização será para todas as escolas. Acho que vai estimular mais os estudantes”, comenta Patrícia Dantas.

“Tem matérias da escola que não têm nada a ver com a faculdade que quero cursar, psicologia. Seria legal poder escolher”, comenta Mateus Souza, 17 anos, do 2º ano da Erem Cândido Duarte, em Apipucos, também na Zona Norte.

Gabriel Soares, 16, do 1º ano da mesma escola, concorda que é preciso melhorar a estrutura. “Não temos quadra. E no horário tem aulas de física, química e biologia experimentais. Mas na prática não vamos para laboratório porque não há material”, diz.

Nilkelly Dornelas, 17, do 3º ano da Escola Técnica Agamenon Magalhães, na Encruzilhada, Zona Norte, torce para que a metodologia dos docentes melhore. “Sinto falta de aulas mais interdisciplinares, mais interativas”, afirma.

APROVAÇÃO

A proposta de currículo para educação infantil e ensino fundamental em Pernambuco está em análise pelo Conselho Estadual de Educação. Foi fruto de um ano intenso de debates entre governos estadual, municipais e entidades ligadas à área educacional. Segundo o presidente do órgão, Ricardo Chaves, a data limite para votação do documento é 17 de dezembro.


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