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EDUCAÇÃO

Alunos não aprendem o que deveriam em português e matemática

Relatório do Movimento Todos pela Educação, com dados do Saeb, mostra que o ensino está abaixo do desejado

Publicado em 21/03/2019, às 09h17

Professores como Ednilze Nascimento, de matemática, contribuíram para melhoria do Ideb da Escola Municipal São Cristóvão / Foto: Bobby Fabisak / JC Imagem
Professores como Ednilze Nascimento, de matemática, contribuíram para melhoria do Ideb da Escola Municipal São Cristóvão
Foto: Bobby Fabisak / JC Imagem
Margarida Azevedo

Na turma de 9º ano do ensino fundamental da professora de matemática Ednilze Nascimento, da Escola Municipal São Cristóvão, no bairro de Guabiraba, Zona Norte do Recife, há alunos que não sabem as quatro operações básicas de matemática. Em Santo Amaro, na área central, a professora de português Rejane Melo encontra estudantes do 3º ano do ensino médio da Escola de Referência Sizenando Silveira com dificuldade para separar sílabas. Dados compilados pelo Movimento Todos pela Educação, a partir do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), do Ministério da Educação (MEC), revelam um preocupante contingente de crianças e adolescentes que não estão aprendendo na escola.

O relatório serviu para observar como está o cumprimento, nas redes públicas e privadas de ensino, da meta 3 do movimento - Todo aluno com aprendizado adequado ao seu ano. A situação mais crítica é a do ensino médio. Os níveis de aprendizagem são os mais baixos e estão estagnados. Noventa por cento dos jovens no País concluíram a educação básica em 2017 sem saber o que deveriam em matemática. Na Região Nordeste o índice é ainda mais alto, 93,8%. Em Pernambuco chega a 91,5%.

Em português as taxas são menos ruins: 70,9% dos concluintes não aprenderam o adequado no Brasil; 77,8% no Nordeste e 71,4% em Pernambuco. “Os alunos têm lacunas abertas ao longo de 12 anos. Nosso desafio é preenchê-las na última série do ensino médio. Muitos não possuem conhecimento básico de gramática, como acentuação e separação silábica”, ressalta Rejane.

“Às vezes não entendo o que a questão está perguntando. Em português sou bom no vocabulário, mas sinto dificuldade na parte gramatical e na hora de interpretar textos”, diz Jonas Elizeu, 18 anos, aluno do 3º ano da Sizenando Silveira.

“Os índices são preocupantes e mostram que o Brasil tem que melhorar muito em todas as etapas. Mas é importante observar que houve evolução. Pernambuco foi o Estado que mais avançou em proficiência em português e matemática, no ensino médio, ao longo dos último 10 anos”, enfatiza o secretário estadual de Educação, Fred Amancio. O Estado ficou com percentual de aprendizado adequado acima da média do Nordeste e do Brasil nas duas disciplinas, conforme levantamento do Todos pela Educação.

Nos anos iniciais do fundamental, o estudo mostra que entre 2007 e 2017, o percentual de estudantes com aprendizado adequado em português, nacionalmente, cresceu de 27,9% para 60,7%. Em matemática era 23,7% e passou para 48,9%. Nas séries finais houve crescimento, mas numa escala menor: de 20,5% para 39,5% em português e de 14,3% para 21,5% em matemática.

AVANÇO

A Escola São Cristóvão tinha o pior Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) da rede municipal do Recife nos anos finais (2,6) em 2011. Em 2017 ficou com a melhor nota da cidade, 4,9, resultado do trabalho conjunto entre gestão e corpo docente. “As falhas de aprendizagem vêm dos anos iniciais. Temos conseguido fazer um trabalho que está rendendo frutos”, comenta Ednilze.

O diretor-executivo de ensino do Recife, Rogério Morais, aposta que os índices da capital pernambucana vão melhorar no Saeb deste ano. “Os indicadores no País são baixo e incomodam. No Recife também. Mas estamos evoluindo na rede municipal. Em português, por exemplo, passamos de 9% de aprendizado adequado em 2011 para 33% em 2017. Em matemática eram 2% e chegamos a 13%”, enfatiza.



RADIOGRAFIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

O Movimento Todos pela Educação compilou o desempenho dos estudantes no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), do Ministério da Educação (MEC). O objetivo é observar o cumprimento da meta 3 - Todo aluno com aprendizado adequado ao seu ano. Algumas conclusões:

Ao final do 5º ano do ensino fundamental
* A aprendizagem segue avançando, mas precisa melhorar. Entre 2007 e 2017, dobrou o percentual de estudantes com aprendizado adequado nesta etapa nas escolas públicas e privadas: em português aumentou de 27,9% para 60,7% e, em matemática, cresceu de 23,7% para 48,9%
* Em Pernambuco, cresceu de 20,6% para 49,7% em português; de 16% para 35,7% em matemática

Ao final do 9º ano do ensino fundamental
* A aprendizagem também segue evoluindo, porém em ritmo mais lento e em patamares mais baixos. Em uma década, passou de 20,5% para 39,5% em português e de 14,3% para 21,5% em matemática (redes pública e privada)
* Em Pernambuco, passou de 12,8% para 32,1% em português; de 8,8% para 15,4% em matemática

Ao final do 3º ano do ensino médio
* É o cenário mais crítico: o nível de aprendizagem segue em níveis muito baixos e estagnados na última década. Em português, subiu de 24,5% em 2007 para 29,1% em 2017. Em matemática, caiu de 9,8% para 9,1% nesse mesmo período (considerando escolas públicas e particulares)
* Em Pernambuco, 19,1% dos alunos aprenderam o que deveriam em português em 2007. Em 2017 passou para 28,6%. Na matemática, eram 8,7% e regrediu para 8,5%

DIAGNÓSTICO DA REDE PÚBLICA

* Veja o % de alunos que concluíram essas séries com o aprendizado considerado adequado exclusivamente em escolas estaduais e municipais

5º ano do ensino fundamental

            Português        Matemática
Brasil    56,2%            44,1%
Nordeste    41,4%       28,3%
Pernambuco  42%       29,2%
Recife      50,5%         32,8%

9º ano do ensino fundamental

           Português   Matemática
Brasil   33,8%       15,5%
Nordeste  25%      10,1%
Pernambuco  26,2%   11%
Recife        31%        12%

3º ano do ensino médio

            Português    Matemática
Brasil    22,7%         4%
Nordeste  16,5%      2,7%
Pernambuco   23,3%   4,9%
Recife      27,3%        4,6%

 




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