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EDUCAÇÃO

Docentes de escolas e universidades públicas vão aderir à greve nesta quarta-feira

Paralisação é nacional. Movimento é contra a reforma da Previdência e os cortes de verbas federais na educação básica e no ensino superior

Publicado em 14/05/2019, às 22h20

Nas escolas que não houver aula, docentes terão que repor atividade depois / Foto: Guga Matos / Acervo JC Imagem
Nas escolas que não houver aula, docentes terão que repor atividade depois
Foto: Guga Matos / Acervo JC Imagem
da editoria de Cidades

Professores e funcionários de escolas, institutos e universidades públicas de Pernambuco garantem que não haverá aulas nesta quarta-feira (15), embora oficialmente, para as Secretarias de Educação e reitorias, o funcionamento será normal. Nos colégios privados, a decisão cabe a cada unidade de ensino, mas o Sindicato dos Donos de Escolas diz que a orientação é manter as atividades. A expectativa dos sindicatos de docentes e de servidores é de uma grande adesão à greve nacional da educação. A concentração começa às 15h na Rua da Aurora, em Santo Amaro, área central do Recife, em frente ao Ginásio Pernambucano.

De lá, por volta das 16h30, sairá uma passeata pelas Ruas João Lyra e Hospício e as Avenidas Conde da Boa Vista e Guararapes. O final do ato é que ainda não foi definido: pode ser na Praça da Independência ou no Pátio do Carmo, ambos no bairro de Santo Antônio. “Vai depender da dimensão da passeata”, explica o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Araújo. A paralisação vai acontecer em todas as 26 capitais dos Estados e em Brasília.

“São 4,5 milhões de professores das escolas públicas de educação básica no País. Fora os das universidades. Estão todos mobilizados. Defendemos a suspensão dos cortes de verbas federais para as escolas, universidades e institutos e o fim da tramitação do projeto de reforma da Previdência”, diz Heleno. “Só na educação básica foram retirados R$ 2,4 bilhões. Merenda e transporte escolar são os programas mais afetados. É muito preocupante o que pode acontecer, sobretudo com os municípios”, observa Heleno.

Ele convoca a sociedade a participar da passeata. “Quem se preocupa com a educação brasileira deve se juntar a nós”, sugere o presidente da CNTE. Movimentos de sem-terra e sem-teto estarão presentes. Os reitores das universidades Federal (UFPE) e Rural (UFRPE), Anísio Brasileiro e Maria José de Sena, respectivamente, confirmaram presença. Também o reitor da Universidade de Pernambuco (UPE), Pedro Falcão.

“É uma iniciativa legítima de categorias profissionais e movimentos relacionados à educação no Brasil. Participarei desse momento como cidadã, como alguém que acredita no potencial da educação para transformar a vida das pessoas e promover o desenvolvimento. É fundamental que as políticas públicas dessa área sejam mantidas e fortalecidas”, afirma Maria José. As três federais e os dois institutos tiveram cerca de R$ 130 milhões bloqueados dos seus orçamentos.



No Recife, o Sindicato dos Professores da Rede Municipal (Simpere) passou os últimos dias visitado escolas e convidando os docentes a aderirem ao movimento. “A reforma da Previdência vai afetar todos os trabalhadores. Na educação básica, 80% dos professores são mulheres. Teremos que trabalhar mais 10 anos para se aposentar somente depois de 40 anos de contribuição. É inadmissível”, afirma Cláudia Ribeiro, da coordenação da entidade.

Reposição das aulas

As secretarias de Educação de Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes e de Pernambuco informaram que as escolas estarão abertas nesta quarta-feira. Caso algum professor falte por causa da greve, ele terá que repor a aula de hoje. Nas universidades não há nenhuma orientação, mas extraoficialmente a maioria dos professores se comprometeu a não fazer chamada nem aplicar provas.

Escolas particulares como Apoio, Capibaribe, Arco-íris, Encontro e Ideia não terão aula, mas anunciaram datas para reposição. No Equipe, Damas, Santa Maria, Eximius, Único, Boa Viagem e Visão, por exemplo, as atividades estão mantidas.

“Entendemos a questão posta pelas universidades públicas quanto ao contingenciamento de seus recursos. As escolas particulares de educação básica, porém, têm compromisso com o calendário escolar e devem funcionar regularmente, não só amanhã (hoje) mas também nos demais dias previstos para cumprir os 200 dias letivos determinados por lei”, explica o presidente do sindicato dos donos de escolas, José Ricardo Diniz.

PROGRAME-SE

15h - Concentração na Rua da Aurora, em frente ao Ginásio Pernambucano e Assembleia Legislativa
16h30 - Saída da passeata
Roteiro: Rua da Aurora, Rua João Lyra, Rua do Hospício, Avenida Conde da Boa Vista, Avenida Guararapes. De lá vão para Praça da Independência ou Pátio do Carmo (não estava definido até ontem)




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