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Fab Lab Recife leva cultura maker para as escolas

Atividades do tipo "faça você mesmo", usando impressoras 3D e cortadoras a laser já são uma prática em escolas públicas e privadas do Recife

Publicado em 27/05/2019, às 06h00

Protótipos cortados a laser fazem parte da rotina algumas escolas do Recife / Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
Protótipos cortados a laser fazem parte da rotina algumas escolas do Recife
Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
Maria Luiza Borges

Impressora 3D, cortadora a laser, cortadora de vinil, softwares de design, ferramentas, placas de MDF, papelão, acrílico, tintas... tudo isso já faz parte da rotina de estudantes da rede pública da Prefeitura do Recife e de algumas escolas particulares da capital pernambucana. O projeto, implementado pelo Fab Lab Recife, é baseado no movimento maker, ou "faça-você-mesmo", e propõe a resolução de problemas práticos desenhando, fazendo protótipos e testando as soluções.

"Ser maker é botar a mão na massa e resolver os próprios problemas", diz Edgar Andrade, sócio do Fab Lab Recife. Edgar é um entusiasta da cultura maker e atua como jurado da Batalha Maker Brasil, programa do canal pago Discovery. “Hoje a tecnologia permite soluções complexas, como peças personalizadas impressas em 3D, mas não é só isso. Ter a cultura maker significa usar as ferramentas disponíveis para encontrar soluções. Tecnologia é uma ferramenta. O que a gente está trabalhando é fazer a criança usar a criatividade que ela ja tem", reforça.

REDE PÚBLICA

Na Escola Municipal Pedro Augusto, o Fab Lab iniciou em novembro passado uma oficina como currículo complementar para estudantes do ensino fundamental. A procura foi tão grande que tem até fila de espera. Além do Pedro Augusto, onde há duas turmas, o projeto já chegou às escolas Nilo Pereira, Rodolfo Aureliano, Costa Porto e Antônio de Brito.

A meta da Prefeitura é até o final de 2020 levar a experiência para todas as 36 escolas do município que têm turmas dos últimos anos do ensino fundamental. Para isso, vai ser preciso investir cerca de R$ 10 milhões em estrutura física, máquinas e metodologia, segundo o diretor-executivo de Gestão Pedagógica da Secretaria de Educação do Recife, Rogério Morais.

“Todas as escolas estão cobrando a implantação. A gente vê o engajamento dos professores e na Feira do Conhecimento, marcada para a primeira semana de outubro devemos ter a apresentação de vários desses projetos”, explica Morais.
O coordenador do Laboratório de Ciência e Tecnologia da Escola Pedro Augusto, Leandro Agra, diz que tem testemunhado soluções criativas surgindo a partir das experiências “faça você mesmo”. “Até peças para as aulas de robótica estão sendo feitas sob medida na modelagem 3D. Complementos aos kits da Lego também”, exemplifica.

REDE PRIVADA

Nas escolas particulares, o laboratório maker está dentro do currículo, e não como atividade extraclasse. É o caso do Colégio Apoio, no bairro do Parnamirim. Ali os alunos têm uma disciplina maker, que se reveza quinzenalmente com a de robótica. O colégio adquiriu uma cortadora a laser, uma impressora 3D e uma cortadora de vinil, além de ferramentas e equipamentos de proteção individual. 

Cerca de 400 alunos do 5º ao 9º ano do ensino fundamental são desafiados com um problema, usam softwares abertos (como o TinkerCad e  Inkscape) para desenhar soluções, depois imprimem protótipos ou cortam materiais como acrílico ou MDF para construir suas maquetes e avaliar se a solução encontrada tem viabilidade. O Fab Lab recife está fazendo experiências similares na ABA e na Escola Encontro. “Queremos prototipar o processo e comparar os resultados da experiência extracurricular com a intracurricular”, detalha Edgar.





SALA DE AULA

No Colégio Apoio, o estudante Benjamin Chaves Veloso, do 9º ano, planejou uma "casa na montanha", com muito vidro e até uma solução de geração da própria energia. "Precisei usar conceitos da matemática para calcular as medidas, de design para estudar como cada coisa vai ser cortada, e até de geografia, para ter conhecimento do lugar e planejar uma casa integrada à natureza", detalhou. Filho de arquiteto, ele diz que ainda não sabe o que vai ser quando crescer, mas adorou o desafio de planejar "a casa em que quer morar no futuro", cujos "pedaços" ele estava imprimindo.

Orientadora do projeto de Benjamim, a professora Vancleide Jordão, uma pioneira em ensino de robótica nas escolas, diz que o laboratório maker e seus equipamentos trouxeram um novo gás às atividades em sala de aula. "O projeto ajuda a construir competências comportamentais, aprender com os erros, trabalhar em equipe, se arriscar e gerenciar o tempo", diz. "Tudo isso proporciona uma conexão com o mercado de trabalho e o mundo real que não tem precedente", acrescenta.

A alguns quilômetros dali, Adrielly Maria e Débora Arísia encararam um desafio parecido no laboratório da Escola Municipal Pedro Augusto, no bairro da Boa Vista. Também alunas do nono ano, elas optaram por uma solução totalmente diferente para a casa em que querem morar. Pensaram num lugar com horta, compostagem, teto que deixe passar a luz, muitas janelas... "Queremos um espaço de reutilização e reaproveitamento de materiais", detalham.

O FAB LAB

O Fab Lab Recife surgiu em 2014. Faz parte de uma rede mundial de laboratórios de fabricação digital criada pelo MIT, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, que tem hoje cerca de 1.300 unidades. O laboratório do Recife, que hoje emprega 16 pessoas, começou no ano passado o projeto com escolas privadas e com a rede pública da Prefeitura do Recife. A ideia é usar duas metodologias diferentes para ver qual funciona melhor.

Parte das escolas incluiu o laboratório maker dentro da grade curricular obrigatória, como é o caso do Colégio Apoio, onde as atividades se revezam com as da área de robótica. Nas escolas da rede pública, a atividade é extracurricular e os estudantes se inscrevem voluntariamente. “A ideia é comparar o resultado e prototipar o processo de aprendizagem para empregá-lo em larga escala seja na escola, na empresa ou na comunidade. E depois elas poderão andar com as próprias pernas”, destaca Edgar Andrade.

Edgar acredita que há duas formas de popularizar o faça você mesmo. “Um caminho é pela educação. E tem que focar muito na escola pública, pois só 18% dos estudantes do Brasil estão no ensino privado. Outra via é pelo entretenimento, quando é possível atingir uma grande massa de pessoas”, diz. Foi dentro de dessa linha que ele aceitou participar como jurado do programa “Batalha Maker Brasil”, do canal Discovery.

Sócia de Edgar, Betita Valentim gosta de frisar que o mais interessante do processo de aprendizagem maker é a possibilidade de aprender com os próprios erros. “Na vida nem tudo sai como foi planejado. Por isso, faz parte do processo lidar com falhas, corrigir rotas, pensar em soluções diferentes para os problemas”, diz. Betita destaca ainda o quanto as atividades ajudam a desenvolver o trabalho em equipe, habilidades fundamentais para o mundo em que vivemos e para as exigências cada vez maiores do mercado de trabalho.


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