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Vivências do intercâmbio são riqueza pessoal e profissional

Habilidades afinadas durante o período do exterior vão desde a capacidade de solução de conflitos à facilidade de adaptação a mudanças, características fundamentais para a vida em sociedade e a atuação em qualquer mercado de trabalho competitivo

Publicado em 31/08/2019, às 09h22

"No intercâmbio, aprendi a caminhar com minhas próprias pernas, criei mais responsabilidades e ganhei jogo de cintura para me adaptar a mudanças", lembra Maria Tereza.
Luiz Pessoa/JC360
JC Online

Aos 16 anos, Maria Thereza Penna fez as malas e embarcou para um intercâmbio de seis meses na pequena cidade de Florissant, no estado do Missouri, centro-oeste americano. Lá, ela morou na casa de uma idosa chamada Wanda, e compartilhou o espaço com outra intercambista, uma jovem alemã. Fez parte do High School (o Ensino Médio estadunidense), jogou vôlei, fez amigos e aperfeiçoou o inglês. Tudo isso aconteceu em 2009. De lá para cá, muita coisa mudou na vida dela.

De volta ao Brasil, formou-se em Ciências Contábeis e, hoje, trabalha no Recife como coordenadora financeira de uma empresa de tecnologia, posição conquistada, na avaliação dela, com a ajuda do intercâmbio. “Foi lá que eu aprendi a caminhar com as minhas próprias pernas, criei mais responsabilidade e aprendi a ter jogo de cintura para me adaptar a mudanças. Sem falar na conquista da fluência do inglês, que é muito importante”, avalia. De acordo com especialistas, os fatores citados por Thereza explicam a relevância de um intercâmbio para o currículo de um profissional.

Presidente da seção pernambucana da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-PE), Ana Karla Cantarelli afirma que um intercâmbio é um diferencial para candidatos em processos seletivos. “Se a posição desejada está ligada a relações internacionais, o intercâmbio é importante porque mostra que o candidato já teve, no mínimo, uma vivência com aquela realidade. Outro fator importante é a experiência vivida. O candidato mostra que é aberto a desafios e que tem fácil interlocução com outras culturas. Não é apenas o cotidiano da língua em si, mas o que você aprende com a prática dos costumes, das crenças, dos valores, do funcionamento da sociedade", aponta.

Ainda segundo Cantarelli, além de aprender um segundo idioma, quem viaja para o exterior pode aproveitar para se dedicar a especializações em sua própria área de atuação. "É o melhor dos mundos, porque a pessoa está resolvendo duas questões numa única oportunidade. Aprofunda o conhecimento que já tem e, para isso, vai ter de usar a língua do lugar em que estiver", observa.

Para Fabiana Soares, consultora empresarial da Lee Hecht Harrison, uma multinacional especializada em orientação de carreiras, quem passa pela experiência do intercâmbio se destaca, diante do atual cenário profissional. Por incrível que pareça, ainda há falta de profissionais fluentes em um segundo idioma, de acordo com a especialista.

“Tem muita gente qualificada, mas que é barrada por não falar inglês, um idioma que é importante em cargos de chefia, por exemplo. Recentemente, lembro de uma vaga para gerente sênior de recursos humanos em uma fábrica no Porto de Suape que ficou aberta por muito tempo e só foi fechada quando encontraram uma profissional que veio do Sudeste”, comenta, lembrando que este tipo de cargo costuma ter uma boa remuneração.



MERCADO EM EXPANSÃO

No Brasil, tem crescido o número de estudantes que viajam em busca de aperfeiçoar seus conhecimentos. Somente em 2018, 365 mil pessoas passaram por essa experiência, de acordo com a Associação de Agências de Intercâmbio do Brasil (Belta). Isso representa um aumento de 20%, no número de intercambistas, se comparado com os 302 mil que viajaram em 2017. Os países mais procurados, por ordem, são Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda, Austrália, e Malta - este último, uma ilha localizada no Mediterrâneo, ao sul da Itália.

Na hora de planejar a viagem, é importante tomar alguns cuidados. “Não é indicado que se feche um intercâmbio sozinho, sem uma agência, ou com sites que prometem taxas zero”, orienta a presidente da Belta, Maura Leão. “Imprevistos acontecem durante a viagem e ter uma agência confiável é fundamental. Além, claro, de não passar ‘apuros’ como tantos brasileiros já viveram antes mesmo de embarcar, ao contratarem um intercâmbio e não terem o serviço entregue”, destaca.

A fim de garantir que a agência de viagens é confiável, o estudante deve identificar se ela possui o Selo Belta, o reconhecimento do compromisso da empresa com seus clientes e da idoneidade de suas práticas. É possível acessar a lista de agências que têm este selo por meio do próprio site da Belta - www.belta.org.br.

Além do intercâmbio feito por Maria Thereza, personagem que abriu esta reportagem e que cursou um período do Ensino Médio nos EUA frequentando as aulas em uma escola americana, existem vários outros formatos disponíveis, como intercâmbios de ajuda humanitária e programas que permitem ao intercambista trabalhar no país de destino.

Segundo a Belta, 28% das pessoas que fizeram intercâmbio, em 2018, gastaram entre R$ 5 mil a R$ 10 mil para pagar a viagem. Outros 19,8% empregaram entre R$ 11 mil e R$ 15 mil. Já para 18,8% o investimento ficou entre R$ 15 mil e R$ 25 mil.

O tempo de duração da viagem também varia, mas 36,3% dos intercambistas fazem intercâmbio por trinta dias, em programas de curta duração - geralmente, durante as férias do trabalho. Pouco mais de 21%, por outro lado, ficam mais de um ano fora do Brasil.




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