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Estudante usa música para desenvolver app em benefício de pacientes de Alzheimer

João Nelson é aluno do Colégio Santa Maria e, com apenas 12 anos, criou jogo que estimula memória, principal função atingida pela doença

Publicado em 01/10/2019, às 08h19

João Nelson partiu do interesse por música e games para bolar o app, criado para a feira de ciências do colégio / Gabriel Galvão/JC360
João Nelson partiu do interesse por música e games para bolar o app, criado para a feira de ciências do colégio
Gabriel Galvão/JC360
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Tem sido um desafio para a comunidade científica entender e achar alternativas que tratem ou reduzam os impactos do Mal de Alzheimer, doença que atinge 35,6 milhões de pessoas em todo o mundo, dos quais 1,2 milhão estão no Brasil, segundo a Associação Internacional de Alzheimer. Sensível ao tema, o estudante recifense João Nelson, de apenas 12 anos, desenvolveu um jogo que utiliza a música como principal ferramenta para estimular pessoas que sofrem da doença. “O nome do jogo é Memory Game e ele serve para ajudar as pessoas que possuem Alzheimer no nível um ou dois, que são as fases intermediárias da doença”, explica João.

Aluno do 6º ano do Colégio Santa Maria, localizado em Boa Viagem, João teve a ideia de criar o jogo quando pesquisava para a feira de ciências da escola. “Eu toco teclado e gosto muito de música. Aí pensei em beneficiar as pessoas com Alzheimer com algo de que eu gosto e que eu possa ajudar”, conta. “Tudo começou em abril. Estava procurando temas para a feira de ciências e achei bom ligar meu projeto à música. Eu já tinha um jogo mais ou menos preparado, com alguns códigos prontos. Era um jogo de memória também, mas diferente. E a partir dele eu pensei em criar um jogo em que a pessoa tenha que ouvir a música e treinar o cérebro.”

O projeto foi desenvolvido durante as aulas nas salas maker/empreendedorismo e de robótica. “Após uma visita ao abrigo de idosos Casa Rosa de Saron, ele observou os idosos que sofriam da doença e pediu ajuda à mãe, que teve um importante papel nesse processo, para consultar um médico neurologista. Ele foi inspirado pelo profissional e, junto ao colégio, começou a desenvolver o jogo”, explica Inaldo Barros, professor-orientador do projeto. “Contamos com esse espaço inovador, para que os alunos desenvolvam atividades propostas em sala de aula voltadas para a solução dos problemas do dia-a-dia”, completa Rosa Amélia, diretora-presidente do Colégio Santa Maria.



Nos últimos cinco meses, João Nelson trabalhou na construção do jogo, que tem uma proposta simples, porém com resultados eficientes. O paciente, ao ouvir uma música emblemática, como a marcha nupcial, a trilha sonora de um aniversário ou de festas como Natal, é estimulado a resgatar na memória que ainda está preservada algum momento especial que viveu, relacionado àquela canção.

“Ele praticamente estagiou na Casa Rosa de Saron, conversou com as enfermeiras, acompanhou os pacientes, viu o dia a dia, identificou o que precisava ser feito. E ele também viu os resultados, os idosos lembrando de acontecimentos afetivos que viveram com suas famílias”, detalha a empresária Inêz Oliveira, mãe de João Nelson. “Para a gente é extremamente gratificante. Muito bom vê-lo pensar em algo que não fosse em benefício próprio, ou para tirar algum valor financeiro. Ele quis para a humanidade. Ele foi com a escola e comigo visitar asilos e isso despertou nele essa vontade de se colocar à disposição das outras pessoas, de fazer alguma coisa”, ressalta a mãe, orgulhosa.

“São iniciativas de forte poder formativo como pessoa e como futuro profissional. E que têm grande perspectiva de remeter à escolha da carreira profissional, também. Nesse exemplo concreto, é possível que João Nelson siga a profissão de pesquisador, médico ou profissional de tecnologia. São atividades importantes demais”, conclui Inaldo.



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