Jornal do Commercio
especial

Comando do governo do Estado silencia sobre Noronha

Palácio não respondeu denúncias publicadas pelo JC, no jornal e na internet

Publicado em 27/06/2011, às 23h06

Ciara Carvalho

Silêncio total. Foi essa a postura adotada pelo Palácio do Campo das Princesas diante das denúncias publicadas no JC e site do JC, no domingo (26), no especial O paraíso às avessas, relatando as mazelas sociais, irregularidades e desmandos praticados pelo poder público em Fernando de Noronha.

Enquanto o site especial foi acessado por internautas do mundo inteiro, tendo quase 80 mil até visualizações até esta segunda (27) e causando grande repercussão e indignação nas redes sociais, o governo passou o dia inteiro sem emitir um único comentário sobre as graves denúncias. A Secretaria de Comunicação comunicou que nem o governador Eduardo Campos nem os secretários se pronunciariam sobre o conteúdo da reportagem.

“O governo do Estado não vai comentar este assunto”, informou o secretário de Comunicação, Evaldo Costa. Apesar das denúncias feitas pela reportagem especial em várias áreas de atuação do poder público, a decisão do palácio foi deixar que a administração de Fernando de Noronha respondesse sozinha aos questionamentos. O detalhe é que o administrador da ilha, Romeu Batista, já havia sido ouvido pela reportagem e as explicações oficiais dadas pelo gestor e seus auxiliares fizeram parte das informações publicadas pelo especial.

Como responsável maior pelo comando da ilha, o silêncio do governador Eduardo Campos e de todo o secretariado deixou sem resposta uma questão fundamental. Até que ponto o governo tinha conhecimento das irregularidades, desmandos e abusos praticados no arquipélago? A pergunta foi feita à assessoria do palácio, logo no início da manhã de segunda (27), mas não houve qualquer resposta sobre o assunto.

Às 20h, a administração de Fernando de Noronha, seguindo a orientação do Palácio, encaminhou nota, em que compara a reportagem a uma “obra de ficção”. “São inumeráveis os equívocos e afirmações sem base, sem mencionar as alegações delirantemente fantasiosas, tudo contribuindo para dar ao texto da reportagem um ar de obra de ficção”, diz a nota.

Para justificar a inclusão do nome de um professor morto na lista de beneficiados pelo programa Escola integral, a administração alega que o docente trabalhou no período de 12 de fevereiro a 10 de março do ano passado. O professor em questão faleceu no dia 11 de março, segundo informou o comando da ilha.

O que a nota não explica é o fato de o nome do docente constar como beneficiado até dezembro do ano passado, incluindo o direito ao 13º salário, conforme documento encaminhado à Secretaria Estadual de Educação e ao qual a reportagem teve acesso.

Sobre os livros que estão se estragando numa sala do Memorial Noronhense, a administração alega que “são edições dos anos 70 e 80, retiradas da base do acervo da Biblioteca Escolar por já se encontrarem vencidos e em desuso”.

A nota se confunde e diz que a reportagem afirmou que o serviço de contratação de lixo de Noronha custará R$ 11 milhões. O primeiro parágrafo da matéria sobre a licitação do lixo, publicada no especial, diz exatamente o contrário. Diz que R$ 11 milhões é quanto a ilha quis pagar, mas o Tribunal de Contas do Estado (TCE) viu indícios de superfaturamento e cortou o valor em 30%.

Em linhas gerais, os esclarecimentos feitos pela administração repetem as mesmas explicações que já haviam sido dadas e publicadas no caderno.

Leia mais na edição desta terça (28) do JC




Os comentários abaixo são de responsabilidade dos respectivos perfis do facebook.

OFERTAS

Especiais JC

Reencontros Reencontros
A menina que salvou os livros numa enchente, o garoto que venceu a raiva humana, o médico que superou a pobreza, os albinos de Olinda e o goleiro de uma só perna foram personagens do projeto Reencontros, publicado em todas as plataformas do SJCC
Especial Nova Rotação Especial Nova Rotação
As cidades estão entrando em colapso. Refletem o resultado da mobilidade urbana convencional, um mal incorporado à sociedade e de difícil enfrentamento.Mas o momento de inverter essa lógica é agora. Criar uma nova rotação para as cidades, para as pessoas
JC Recall de Marcas 2019 JC Recall de Marcas 2019
Pitú e Vitarella são as marcas mais lembradas pelo consumidor pernambucano, de acordo com a edição 2019 do Prêmio JC Recall de Marcas. O ranking foi feito a partir de levantamento do Harrop Pesquisa para o Jornal do Commercio.

    SIGA-NOS

    LICENCIAMENTO

  • Para solicitação de licenciamento, contactar editores@ne10.com.br

Jornal do Commercio 2019 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE |

PRIVACIDADE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM