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vigilância ambiental

Em coletiva de imprensa, diretor do CVA se defende das acusações

Diretor foi acusado de maus-tratos contra animais

Publicado em 16/01/2012, às 12h28

Animais sadios, castrados e microchipados também podem ser adotados no CVA / Foto: Aline Souza / Especial para o JC
Animais sadios, castrados e microchipados também podem ser adotados no CVA
Foto: Aline Souza / Especial para o JC
Do JC Online

Após ser acusado de maus-tratos contra animais, o diretor do Centro de Vigilância Ambiental (CVA) do Recife, Amaro Souza, se pronunciou em coletiva de imprensa na manhã desta segunda-feira (16). Todas as denúncias feitas contra o gerente foram negadas. Amaro foi autuado em flagrante por crimes contra a administração ambiental e contra o meio ambiente, na última sexta-feira (13), em uma operação surpresa pela Delegacia de Polícia do meio Ambiente (Depoma).

Segundo o gestor, a ação foi uma surpresa para todos do CVA. "Não entendemos a ação que foi feita aqui, pois agentes da Depoma sempre estão aqui dentro do CVA acompanhando o nosso trabalho. A delegada simplesmente chegou aqui, me deu voz de prisão e eu segui com eles", disse Amaro. O gestor também criticou a equipe técnica da polícia. "Um zootecnista veio fazer a vistoria junto à equipe, mas para fazer o acompanhamento desses um veterinário seria o correto", acrescentou.

De acordo com o coordenador estadual de controle de zoonoses, Francisco Duarte, a principal função do CVA é o controle de doenças. "Nosso principal objetivo é trabalhar no controle das zoonoses, o CVA não é um hotel para animal ou um pet shop. Aqui nós temos tratamento veterinário gratuito, onde o dono traz o animal e ele recebe a medicação correta, mas é importante entender que o dono é reponsável pelo animal."

"Também é importante salientar que esse serviço também garante o bem-estar do animal e da população. O CVA é uma unidade de saúde pública, mantida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas também é importante entender que a causa animal é uma obrigação da sociedade", completou Francisco.

Uma das denúncias que teria levado à autuação de Amaro partiu de uma mulher que teve 26 cachorros apreendidos por determinação da Justiça, e seis deles teriam morrido no CVA. "Três desses animais que estão sob nossa tutela morreram porque um pitbull (da mesma dona) atacou eles, e outros quatro morreram de doenças, não sabemos se já vieram doentes ou se pegaram infecções aqui", disse o gestor.

O diretor continuará à frente das atividades do CVA. "Amaro continua até quando não quiser mais. Ele irá ficar no cargo pela competência e pelo compromisso que tem com a sociedade", informou a diretora de vigilância à saúde, Adeilza Ferraz.

Na manhã desta segunda, a imprensa pôde percorrer toda a unidade (na sexta, o acesso ao Centro não foi liberado, apesar de ter sido autorizado pela polícia). Dezenas de cães e gatos estavam em um local destinado aos animais que estão sob guarda da Justiça ou esperam tratamento. Outros se encontravam na entrada da unidade e esperam por adoção (todos vermifugados e microchipados, segundo a direção do Centro). Cavalos abandonados também são recolhidos pelo CVA e estavam em uma área livre.



As instalações apresentam estrutura com falhas - paredes descascadas e tijolos à vista. Alguns animais apresentavam sintomas de doenças, outros estavam com aparência bastante sadia. O chão do Gatil (local onde os felinos ficam, em pequenas gaiolas) estava molhado, aparentando ter sido recentemente lavado. A sala onde o processo de eutanásia é realizado também estava limpo.

ADOÇÃO - Para adotar um cachorro ou um gato é preciso que o voluntário compareça ao CVA de segunda a sexta, das 8h às 12h e das 14h às 16h30. O Centro informa que não aceita nenhuma doação de medicamento, alimentos ou ração. A unidade também não pode receber animais sadios ou encaminhados para a eutanásia.

"Recebemos para a castração e para o controle de doenças, para a eutanásia não vamos mais receber de nenhum município", disse Adeilza.

RESPOSTA - A delegada Nely Queiroz, que esteve à frente da vistoria na sexta (13), informou que junto à equipe técnica da Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) um veterinário credenciado acompanhou toda a ação. Além dos agentes da polícia, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e um zootecnista que trabalha no Parque Estadual de Dois Irmãos.

"Na comissão que nós formamos na sexta não havia apenas o zootecnista, como a diretoria do CVA informou. Um veterinário que trabalha junto para a Apevisa, nomeado como perito, acompanhou toda a operação. Antes da sexta eu nunca tinha visitado o CVA, o que fazíamos era acompanhar através de telefonemas e ofícios. A vistoria da sexta foi motivada por várias denúncias, que estávamos investigando", disse a delegada.

A delegada informou que solicitou ao Ministério Público a suspensão temporária da eutanásia no Centro."Pedi que fizessem uma audiência chamando o CVA e outro órgãos públicos competentes para discutirmos o processo da eutanásia. Não quero que o Centro seja encarado como um pet shop. Ele precisa fazer o controle das doenças, mas para isso não é preciso desvincular a qualidade de vida das pessoas com o bem-estar do animal", completou.

"Falei que iríamos dar continuidade às vistorias e estamos fazendo isto. Quando estivemos lá na sexta-feira liberamos a entrada da imprensa, durante a vistoria, mas a diretoria do CVA se opôs. Se eles não tivessem nada para esconder teriam liberado a entrada", concluiu Nely.


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