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Grito da Véia pede atenção a prédios antigos no bairro da Boa Vista

A troça é organizada pela ONG Civitate que busca revitalizações e cuidado com prédios antigos dos bairros centrais do Recife

Publicado em 31/01/2013, às 06h37

O nome simboliza um grito de socorro que a Rua Velha, por meio dos moradores, dá pedindo mais cuidado com os prédios antigos / Foto: Arline Lins/Jornal do Commercio
O nome simboliza um grito de socorro que a Rua Velha, por meio dos moradores, dá pedindo mais cuidado com os prédios antigos
Foto: Arline Lins/Jornal do Commercio
Do JC Online

Neste sábado (2), o bairro da Boa Vista, centro do Recife, inicia a semana pré-carnavalesca com a saída do Grito da Véia, com concentração às 15h, na Rua Velha, 252. A troça existe há 9 anos e foi criada com o intuito de chamar a atenção da população para os problemas ambientais da Boa Vista e bairros centrais da cidade. Organizado pela ONG Civitate, o Grito pede a melhoria no tratamento dos esgotos, uma melhor conservação dos prédios históricos, valorização da cultura pernambucana e uma menor poluição da área que parece esquecida com estruturas comprometidas e prédios que ameaçam desabar a qualquer momento.

Preocupado com o meio ambiente, o responsável pelo bloco, professor e economista ambiental, Jacques Ribemboim, 52 anos, destaca a importância de aliar a diversão à responsabilidade ambiental com a cidade. “O nosso bloco é um grito de socorro para pedir atenção aos nossos problemas”, afirma ele. Único bloco do mundo com o certificado ambiental de compensação no uso de carbono, o Grito da Véia não utiliza equipamentos elétricos e reutiliza o material das camisas todos os anos. O Véia é referente ao nome da rua de concentração do bloco e principal alvo de preocupações dos participantes ativos da Civitate e do bloco. De acordo com Jacques, a situação piora com o passar dos anos e a degradação dos prédios, aliada ao lixo e ao mau-cheiro, dificulta a convivência no local. “Muitas pessoas moram aqui e meu sonho é que um dia, os moradores que foram embora voltem e todos vivam com a alegria e beleza original do lugar. Isso seria possível com uma mudança na realidade atual”, destaca ele.



O recifense que ama sua cidade tem um compromisso com a Véia. Não somente gritando, mas também agindo. Jacques Ribemboim, presidente da Civitate e responsável pela troça

 

A prefeitura da cidade do Recife afirmou que a maioria dos prédios é de propriedade particular e, portanto, o órgão municipal não pode interferir com projetos de revitalização. A exceção acontece em casos de demolição com ordem judicial. O JC procurou o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para saber se algum prédio da Rua Velha está catalogado como patrimônio mas não obteve resposta.

TROÇA - O Grito da Véia sai com uma banda de frevo contratada e homenageia moradores locais que, de tanto tempo vivendo lá, se tornaram lendas para a população. O primeiro ato é a Bença de Dona Carminha, senhora de 86 anos, que além de moradora sempre fez parte do bloco. Seguindo o percurso, os pitstops são na Praça Maciel Pinheiro, onde tem lugar a gritaria - momento em que todos do bloco gritam para extravasar as energias -, depois seguem para o Pátio de Santa Cruz, para a casa de Dona Celinha, moradora antiga que é homenageada por ter nascido junto com o frevo e morrido um anos após o seu centenário e chega ao ponto final, no Mercado da Boa Vista. Animado por uma banda de frevo contratada, o Grito tem na sua organização escritores e poetas que compõem as músicas da troça. A única saída é na semana pré-carnavalesca. A camisa do Grito custa R$ 30 mas não é preciso comprá-la para participar. “Todo mundo pode vir. Não importa a idade ou a roupa. Venham gritar conosco”, convida Jacques.





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