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segurança pública

Damázio é substituído na Secretaria de Defesa Social após declarações polêmicas ao JC

Alessandro Carvalho Liberato de Mattos é o novo secretário indicado pelo governador Eduardo Campos

Publicado em 19/12/2013, às 19h04

Wilson Damázio (direita) foi substituído por Alessandro Carvalho (esquerda) / Foto: Edmar Melo/JC Imagem
Wilson Damázio (direita) foi substituído por Alessandro Carvalho (esquerda)
Foto: Edmar Melo/JC Imagem
Fabiana Moraes e Vanessa Araújo

Alessandro Carvalho Liberato de Mattos é o novo secretário de Defesa Social do Estado, após pedido de desligamento do delegado Wilson Damázio. O ato foi provocado por causa da repercussão de suas declarações na entrevista publicada nesta quinta (19) no Jornal do Commercio e que integra a série Casa-grande & senzala.

Na entrevista, Damázio, que foi procurado pela repórter Fabiana Moraes depois dos relatos de abuso de poder (incluindo abuso sexual) do Grupo de Ações Táticas Itinerantes (Gati), da Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicleta (Rocam) e Patrulha do Bairro, disse que não aceitava mais comportamentos inadequados da corporação e que os casos registrados estavam sendo punidos, a exemplo dos dois policiais (Patrulha do Bairro) que ano passado foram acusados de forçar uma mulher a praticar sexo oral em ambos dentro de uma viatura.

Veja a declaração de Damázio:

Ao mesmo tempo, o chefe da segurança civil do governo Eduardo Campos deixou clara uma postura que não condiz com a importância de seu cargo – e não se trata de uma importância relativa ao status, e sim na responsabilidade urgente de se capacitar policiais que não conheçam direitos humanos apenas através de cartilhas. Na conversa, homossexuais foram relacionados à ideia de “desvio de conduta” e mulheres foram alvo de preconceito e generalização: segundo o secretário, elas tem fascínio por policiais fardados.

confira entrevista exclusiva do ex-secretário à TV Jornal

Na carta na qual colocou o cargo à disposição, Wilson Damázio afirmou que as palavras ditas não constituem seu pensamento nem visão do mundo, “razão pela qual repilo os termos e peço desculpas a todos aqueles que porventura tenham se sentido ofendidos”. Disse ainda que a entrevista que embasou a reportagem foi interrompida em vários momentos, o que teria permitido o desenvolvimento, nos intervalos, de conversações informais, em tom de brincadeira “e termos que, reconheço, foram inapropriados e inadequados”.

Não sei por que mulher gosta tanto de farda

Wilson Damázio

No entanto, no momento em que relata uma das frases que mais provocaram reação (“Não sei por que mulher gosta tanto de farda”), Wilson Damázio respondia a uma observação sobre os policiais que foram pegos, no Ceará, praticando sexo oral em mulheres, dentro das viaturas. O ex-secretário ainda escreveu que suas palavras e a história de sua vida “podem ser confundidas com as políticas desenvolvidas pelo governo do Estado que vem revolucionando a Segurança Pública no Brasil com transparências, práticas cidadãs além de total e absoluta intolerância com qualquer conduta contrária aos direitos humanos, à liberdade de expressão e à proteção dos direitos individuais da pessoa humana”.



Pouco depois, o governador Eduardo Campos aceitou o pedido de exoneração em uma reunião com Damázio. Ali, ele designou o delegado federal Alessandro Carvalho para ficar à frente da pasta e disse que o Pacto pela Vida não sofrerá alterações.

A entrevista concedida pelo secretário de Defesa Social Wilson Damázio fechando a série Casa-grande & senzala provocou forte reação dos movimentos de direitos civis do Estado. Nesta quinta, às 15h, foi realizada no Gabinete de Assessoria Jurídica às Associações Populares (Gajop) uma coletiva reunindo representantes de 26 grupos, entre eles a Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas, Direitos Urbanos/Recife, Forum de Mulheres de Pernambuco e Forum LGBT de Pernambuco, entre outros. Na internet, foram centenas de manifestações, entre elas a do delegado da Polícia Civil Igor Leite, que foi contundente em sua fala: nela lembrava que tanto ele quanto Flaubert Queiroz, chefe da Associação dos Delegados de Pernambuco (Adeppe): “diante desse absurdo, quem notifica o secretário?”, questionou.

Mais de 20 instituições ligadas aos direitos humanos divulgaram nota oficial e o intuito de provocar o Ministério Público de Pernambuco contra o ex-secretário

Para Rodrigo Deodato, do Gajop, a fala só confirma o pensamento não apenas do secretário, mas de toda uma parcela da corporação. “É um grupo que anda afastado da efetivação dos direitos humanos, que mostra descompromisso com a luta do rol de direitos de todas e todos.” Mariana Azevedo, do Forum de Mulheres de Pernambuco (FMPE), não viu novidade na entrevista: “Não é a primeira vez que que ele tem uma postura como essa. As posições dele durante as manifestações populares mostraram isso... só confirma o que vivemos nas ruas, a violência institucional não só em relação aos movimentos sociais, mas com mulheres, negros. A prioridade pelos números do Pacto Pela Vida se sobrepõe à vida das pessoas”, disse.

Sobre a associação de homossexuais. Sobre a questão da homofobia, Thiago Rocha, do Forum LGBT, disse, em nome da entidade, que homossexuais não se reconhecem como fora de uma conduta. “Estamos fartos de sermos colocados dessa forma, dessa ideia de um 'padrão tradicional'. Nós fazemos parte dessa cultura.”




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