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Meio Ambiente

Recife perdeu 4,9 mil árvores em dois anos

Prefeitura alega que erradicou plantas doentes e que ofereciam riscos à população

Publicado em 05/03/2015, às 08h08

Árvore cortada na Avenida Rui Barbosa, no bairro das Graças / Foto: Fernando da Hora/JC Imagem
Árvore cortada na Avenida Rui Barbosa, no bairro das Graças
Foto: Fernando da Hora/JC Imagem
Da Editoria Cidades

O Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comam) cobrou da Prefeitura do Recife, na manhã de quarta-feira (4), explicações para as podas drásticas e a supressão de árvores na cidade. Em 2013 e 2014 a Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb) fez 41.400 podas e erradicou 4.922 plantas de ruas, praças, parques e morros, alegando razões variadas: doença, incompatibilidade com postes da rede elétrica, ameaça de desabamento em via pública e risco para desmoronamento nas áreas de colina.

“Muitas das podas são feitas de qualquer jeito, com cortes irregulares. As árvores ficam reduzidas ao tronco”, destaca o conselheiro Jason Torres, representante da ONG Centro de Atitudes no Comam. Em sua defesa, a prefeitura disse que evita ao máximo os cortes radicais dos ramos. “Se feita de forma correta, com conhecimento técnico e científico, a poda não mutila a árvore”, diz o engenheiro agrônomo da Emlurb, Tadeu Pontes, durante a reunião do Comam, no auditório da Fafire, no Centro da cidade.

Segundo ele, a falta de capacitação da mão de obra usada no serviço e a rotatividade de funcionários das empresas terceirizadas contribuem com a execução da poda danosa ao vegetal. Tadeu Pontes aproveitou o encontro para informar que a Emlurb plantou 18.100 mudas na capital pernambucana, de 2013 até os primeiros meses de 2015. “Porém, não sabemos quantas sobreviveram, temos muitos problemas com vandalismo”, argumenta.

Também disse que quase todos os mulungus (brasileirinho) da arborização de áreas públicas da cidade estão morrendo e terão de ser erradicados. A planta, apesar do nome, não é nativa. “Os mulungus foram atacados por uma praga, por causa da umidade, e os troncos apodrecem na parte de baixo”, explica.


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Domingo passado (1º), a Emlurb cortou um pé de ficus na calçada do Colégio Agnes, na Avenida Rui Barbosa (Graças), na Zona Norte. A árvore, alega a empresa, ocupava toda a largura da calçada, estava doente, inclinada sobre a escola e com galhos sobre a rede elétrica de alta tensão.



Secretário Executivo de Sustentabilidade do Recife, o arquiteto Maurício Guerra acrescenta que, somando o plantio feito pela Emlurb e as ações da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade a cidade ganhou mais de 30 mil mudas de 2013 até os primeiros meses de 2015. Na reunião do Comam, ele apresentou o programa de plantio desenvolvido pela SMAS, levando em consideração o potencial da rua e o déficit de árvores no local.

O estudo, diz ele, mostra a necessidade de reforço de vegetação nos bairros do Prado, Madalena, Torre, Cordeiro e Iputinga, na Zona Oeste. “São lugares onde já se constatou ilhas de calor, por falta de arborização. Por isso, terão prioridade no plantio”, afirma. O arquiteto adianta que não serão colocadas mudas em calçadas com menos de 1,5 metro de largura, para não prejudicar a circulação de pedestres e cadeirantes.

De preferência, as vias públicas deverão ser arborizadas com espécies nativas, compatíveis com o lugar. São indicados o ipê, algodão-da-praia e pau-brasil, entre outras.

Na mesma reunião, Jason Torres sugeriu ao Comam acompanhar o projeto de rede elétrica subterrânea que está sendo desenvolvido pela Companhia Energética de Pernambuco (Celpe). “A rede embutida é o ideal para preservar as árvores”, diz ele. A Celpe faz duas mil podas por mês, para tirar os galhos de cima da fiação. “Estamos ajustando a fiação à vegetação. Implantamos 21 quilômetros de rede protegida no Recife e deveremos instalar mais 50 quilômetros em 2015”, informa Thiago Dias Caires, gestor de meio ambiente da Celpe.




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