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História

Primeiro pouso do Zeppelin no Recife completa 85 anos

Data será comemorada com festa, lançamento de livro e mostra fotográfica. Projeto do Parque Científico e Cultural do Jiquiá ainda não foi implantado

Publicado em 21/05/2015, às 08h08

Única existente no mundo, a torre de atracação do Zeppelin, no Jiquiá,  teve a obra de restauração concluída em 2013  / Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
Única existente no mundo, a torre de atracação do Zeppelin, no Jiquiá, teve a obra de restauração concluída em 2013
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
Cleide Alves
cleide@jc.com.br

O primeiro pouso do Graf Zeppelin no campo do Jiquiá, bairro da Zona Oeste do Recife, completa 85 anos nesta sexta-feira, 22 de maio, sem que a cidade veja implantado, no local, o Parque Científico e Cultural prometido há anos pela prefeitura. De todas as ações anunciadas, poucas se concretizaram, como a restauração da torre de atracação do dirigível e a recuperação de parte dos paióis construídos pelas Forças Armadas para guardar armamento durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quando as viagens com os balões já estavam suspensas.

De acordo com a prefeitura, o projeto do parque está mantido e o município continua em busca de recursos para executar a obra. Enquanto isso, o campo do Jiquiá está aberto a visitação de estudantes, com atividades que mesclam a era dos balões dirigíveis e a preservação ambiental. Na sexta-feira (22), a população é convidada a celebrar os 85 anos da chegada do Zeppelin à capital pernambucana com programação em volta da torre de atracação, a partir das 8h. À noite, haverá lançamento de livro e exposição fotográfica, no Museu da Cidade do Recife.

Pela manhã, a festa começa com girândola de fogos, toque de corneta e discursos sobre o projeto do parque. “Teremos um bolo com mais de quatro metros de comprimento, pessoas vestidas a caráter e mais de 500 saquinhos personalizados de bombons para distribuir com crianças”, diz o escultor Jobson Figueiredo, responsável pela restauração da torre de pouso de dirigíveis do Jiquiá, a última existente no mundo.

A programação é feita em conjunto com a Associação de Preservação Ambiental do Zeppelin (Apaz) e a Associação de Mães do Zeppelin, formadas por moradores do bairro. Parte deles vive numa ocupação na área do parque. A Apaz é composta de pessoas treinadas por Jobson Figueiredo para atuar na preservação do lugar. Pesquisadores do Espaço Ciência também participam da festa, com atividades educativas para jovens e adultos. Nessa quarta-feira (20), a prefeitura estava limpando e capinando o terreno.

Ao mesmo tempo, os organizadores da exposição fotográfica preparavam o Museu da Cidade do Recife, instalado no Forte das Cinco Pontas, no bairro de São José, Centro da cidade, para receber o público a partir das 19h da sexta-feira (22). A mostra O Zeppelin no Recife ficará em cartaz até 26 de junho com projeções, fotografias e músicas da década 30 do século 20. A curadoria é de Jobson Figueiredo, do historiador Dirceu Marroquim e da diretora do museu, Betânia Corrêa de Araújo.



No mesmo evento, será lançado o livro Zeppelin no Recife, com textos de Jobson e Dirceu Marroquim, em português, inglês e alemão. A publicação é ilustrada com 30 postais raros, da coleção particular do escultor e do acervo do museu, e poderá ser adquirida no Forte das Cinco Pontas por R$ 30.


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Por sete anos, de 1930 a 1937, os balões dirigíveis – Graf Zeppelin e Hindenburg – realizaram viagens entre a Alemanha e o Recife. As aeronaves eram fabricadas na cidade alemã de Friedrichshafen e saíam de lá para o Brasil. As viagens foram suspensas após a explosão do Hindenburg em 6 de maio de 1937, perto de Nova Iorque.

O Zeppelin que pousou pela primeira vez no Recife, em 22 de maio de 1930, tinha 235 metros de comprimento e se deslocava a 110 quilômetros por hora. Com o fim das viagens, as Forças Armadas construíram dez paióis no terreno de 35 hectares, para guardar armamentos. Dois dos depósitos foram destruídos. A proposta do parque prevê a implantação de museus nessas edificações, para contar a história do Zeppelin e da Segunda Guerra Mundial.

“No momento, fazemos a manutenção da torre de atracação e dos paiois. O parque não existe ainda, mas já oferecemos atividades para estudantes, com trilhas e projeções de filmes sobre os dirigíveis”, afirma Rivaldo Mano Casado, gestor de Economia Local da Secretaria de Desenvolvimento e Empreendimento do Recife. Os alunos também são orientados a manter práticas sustentáveis, como separar o lixo reciclável do orgânico.

Em 2015, a secretaria pretende colocar mesas para piquenique no local, confeccionadas com material de demolição, como forma de estimular a visitação. “A Praça da Juventude, que está pronta, será incorporada ao parque, com atividades físicas. Só estamos esperando finalizar o processo de transferência do equipamento do Estado para o município”, diz Rivaldo Mano.



Comentários

Por Lindolfo dos Santos,25/04/2017

Cheguei após esta festa! Em 1970, fui transferido de Natal, RN, pra servir no Depósito de Munição da Marinha do Brasil no Campo do Jiquiá no Recife. Naquele tempo, esta área mais parecia uma grande fazenda dentro da Cidade do Recife! Fiquei aí até o ano de 1972. Daí, fui transferido para o Centro de Instrução Almirante Wandekolk (CIAW) na Cidade do Rio de Janeiro para fazer o Curso de Especialização em motores e máquinas especiais! Hoje, já reserva do serviço militar ao ver esta nota, me senti parte desta história! Por isso, estou participando enviando este comentário!

Por Lindolfo dos Santos,25/04/2017

No ano de 1970 fui designado pra servir no Depósito de Munição da Marinha do Brasil no Campo do Jiquiá na Cidade do Recife! Aí servi por 2 anos! Em 1972, fui transferido para o Rio de Janeiro para fazer o curso de Motores e Máquinas no Centro de Instrução Almirante Wandekolk ( CIAW ) . Hoje, na reserva do serviço militar, ao ver esta nota na internet lembrei com saudade dos velhos tempos que ali passei quando o local tinha os moldes de uma grande fazenda dentro da Cidade do Recife!

Por LOPES,21/05/2015

Devia ser tombado pelo IPHAN,ÓRGÃO FEDERAL.POIS É UM PATRIMÔNIO DO BRASIL.

Por ed1960,21/05/2015

Total descaso da prefeitura.esta é a única Torre de Zepplin, do mundo.ali devia ser feito uma praça de eventos,um observatório astronômico, e um prototipo do graff zeppilin.para pessoas visitarem.



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