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Solidariedade

Família pede ajuda para meninos que vivem em condições sub-humanas

Garotos com deficiência múltipla estão sem assistência médica contínua e precisam de apoio das autoridades públicas e da sociedade

Publicado em 08/08/2015, às 11h00

Sibele pede apoio para os filhos / Ashley Melo/JC Imagem
Sibele pede apoio para os filhos
Ashley Melo/JC Imagem
Cinthya Leite

No alto de uma barreira, no Córrego do Eucalipto, no bairro de Nova Descoberta, Zona Norte do Recife, a comoção toma conta de quem conhece a história de Sibele Monteiro da Silva, 36 anos, mãe de três meninos que vivem em cima de uma cama por causa das limitações impostas por um quadro de deficiência múltipla (física e intelectual) sem acompanhamento contínuo de uma equipe de profissionais de saúde. Choca o cenário que vem da falta de assistência e da precariedade vivida pela família, que precisa se virar diante das condições sub-humanas espalhadas num só cômodo.

Aos 7, 13 e 16 anos, Pedro, Salomão e Washington não conseguem se locomover devido a comprometimentos que acarretam atrasos no desenvolvimento físico e intelectual. “Pelo que temos acompanhado através da mídia, observo que eles têm um quadro de paralisia cerebral com contraturas e atrofia muscular. O fato de se automutilarem pode ser decorrente da falta do uso de medicação controlada, que evita convulsões e mioclonias, caracterizadas por movimentos súbitos e involuntários”, diz a médica geneticista Paula Arruda, diretora-executiva da Associação Novo Rumo, que atende crianças com deficiências e síndrome de Down. 

Por meio da plataforma Transforma Recife, que cadastra voluntários interessados em realizar trabalho humanitário, a Novo Rumo pretende fornecer atendimento aos garotos, que são cuidados também pela tia, Silene Monteiro da Silva, 31, que mora na casa ao lado, em igual situação de precariedade. Ela deixou de lado a faxina que fazia em casas de família para dar suporte a Sibele, que tem outros filhos: Laiza, 11; Cilene, 5; Larissa, 18. Em dois pequenos cômodos, se espremem 12 pessoas que vivem com dois salários mínimos, vindos do auxílio-doença assegurado a Salomão e a Washington. 



A situação de vulnerabilidade social da família levou as irmãs a um quadro de depressão. “Vivo tomando remédios. Consigo no posto de saúde. Nossa vida é muito difícil. Precisamos de ajuda. Não adianta dar só cadeiras de rodas, pois não temos nem como usá-las em cima da barreira. Precisamos sair daqui”, diz Sibele, que não consegue cuidar dos filhos como gostaria devido (também) a uma lesão na mão direita, que desenvolveu enquanto dava banho em Salomão à margem da barreira. “Ele ia escorregando. Fiz força e terminei deslocando algum osso. Como nunca consegui ir ao médico, fiquei com a mão machucada”. Além disso, ela tem uma hérnia umbilical, que provoca dor e dificulta a execução dos cuidados oferecidos aos três filhos. “Quero que apareça um cirurgião para me operar.”


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A Secretaria de Saúde do Recife informa que está elaborando um plano de ação para dar suporte à família, em parceria com a equipe de residência multiprofissional da Universidade de Pernambuco (UPE). “Eles não podem continuar morando nessa casa sem segurança. Vamos envolver várias secretarias para mudar essa realidade”, garantiu a gerente de Proteção Social Básica do Recife, Cristina Lima, em visita feita, na segunda-feira (3), à família. 

Telefone para contato com a família: 9.8881-2783 (Silene) 




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