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Patrimônio

Arquidiocese em busca de ajuda para recuperar Seminário de Olinda

Prédio está interditado desde 28 de maio de 2015. Obra completa de restauração custa R$ 16 milhões

Publicado em 19/08/2015, às 08h08

Piso da Igreja da Graça, no Seminário de Olinda, está afundando / Foto: Guga Matos/JC Imagem
Piso da Igreja da Graça, no Seminário de Olinda, está afundando
Foto: Guga Matos/JC Imagem
Da Editoria Cidades

A Arquidiocese de Olinda e Recife tem até o dia 31 de dezembro de 2015 para levantar recursos pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) e fazer obras emergenciais no Seminário e Igreja de Nossa Senhora da Graça. Em portaria publicada no Diário Oficial da União, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) autoriza a captação de R$ 3.729.851,30. Com avarias generalizadas, os dois prédios estão interditados desde 28 de maio de 2015.

“Vamos pedir ajuda a empresários, só falta chegar um documento para iniciarmos a procura”, afirma o arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido. O valor da contribuição é deduzido no Imposto de Renda. Construído no século 16, o Seminário foi desocupado por determinação da Defesa Civil da cidade, que constatou rachaduras na fachada, afundamento de piso e madeiras danificadas no telhado. A obra completa custará R$ 16 milhões.

Dom Fernando falou sobre o assunto na manhã de terça-feira (18), antes de participar da reunião do clero, no Instituto Padre Venâncio, na Várzea, Zona Oeste da capital pernambucana. No mesmo evento, ele recebeu o sacrário roubado da Igreja Madre de Deus, no Bairro do Recife, em 1976. A peça, provavelmente do século 19, estava com um colecionador, no Rio de Janeiro, e foi recuperada um ano atrás.

Desde terça-feira (18) à tarde, a urna de madeira revestida de prata, usada para guardar a hóstia consagrada, está exposta à visitação pública no Museu de Arte Sacra de Pernambuco (Maspe). Vinculado à arquidiocese e instalado no Alto da Sé, em Olinda, o centro cultural funciona das 10h às 17h, de terça-feira ao domingo. O ingresso custa R$ 5 (inteira) e R$ 2,50 (meia). A entrada é gratuita às terças-feiras.



Segundo o procurador do Ministério Público do Rio de Janeiro Sérgio Suiama, o colecionador herdou a urna e pretendia vendê-la, quando sofreu tentativa de extorsão de uma pessoa interessada na peça. O comprador revelou ao colecionador que o objeto tinha sido subtraído de uma igreja e que se ele não lhe desse a urna iria denunciá-lo, informa o procurador.

Ao ser chantageado, o colecionador procurou a polícia e o Ministério Público. “Entramos em contato com o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), que confirmou a origem do sacrário. Ele concordou em devolver e o chantagista foi processado pelo crime de extorsão”, diz o procurador da República. O colecionador não foi enquadrado em crime de receptação porque não sabia que a urna era roubado, explica Sérgio Suiama, que veio ao Recife para fazer a devolução oficial do sacrário.

“O ideal seria devolver a urna para seu lugar de origem, a Igreja Madre de Deus. Infelizmente, por falta de segurança, isso não é possível”, afirma dom Fernando. O objeto estava sob proteção do Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, que providenciou a transferência para o Recife.




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