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Patrimônio

Exposição na UFPE conta a história das botijas

A mostra fica em cartaz por um mês e trata do período holandês no Nordeste brasileiro

Publicado em 23/09/2015, às 08h08

Botijas, moedas cunhadas no século 17 e reproduções de gravuras do pintor Frans Post podem ser contempladas na Biblioteca Central da UFPE / Foto: André Nery/JC Imagem
Botijas, moedas cunhadas no século 17 e reproduções de gravuras do pintor Frans Post podem ser contempladas na Biblioteca Central da UFPE
Foto: André Nery/JC Imagem
Da Editoria Cidades

Exemplares das primeiras moedas produzidas no Recife pela Companhia das Índias Ocidentais, a empresa que financiou a ocupação holandesa no Nordeste brasileiro, de 1630 a 1654 (século 17), estão em exposição desde a tarde de terça-feira (22) no hall da Biblioteca Central da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na Cidade Universitária, bairro da Zona Oeste do Recife.

Conhecido como Ducado Brasileiro, o dinheiro foi encontrado dentro de uma botija de barro, na cidade de Rio Formoso, situada na Zona da Mata pernambucana, no ano de 1967. As moedas e o recipiente são as principais peças da exposição Botijas, que fica em cartaz na biblioteca por um mês. O horário de visitação é das 8h às 20h, de segunda a sexta-feira.

“A botija é um recipiente com diversos usos e, numa época em que não havia bancos, também servia para guardar dinheiro”, explica Maurício Rocha de Carvalho, professor de ciência da informação da UFPE e um dos organizadores da exposição. “Vamos expor potes que serviam para armazenar água, cachaça e cereal, além da botija de Rio Formoso, onde estavam as moedas, possivelmente as primeiras cunhadas no Brasil”, diz.

O material arqueológico, descoberto 48 anos atrás, pertence ao acervo da UFPE. De acordo com Maurício Carvalho, as moedas são feitas de prata e cobre. Oito botijas compõem a mostra, além de textos explicativos sobre esses objetos. Parte dos potes veio da coleção do Memorial Denis Bernardes (historiador e professor da UFPE, falecido em 2012) e de colecionadores particulares.



“No passado, era comum moradores de sítios esconderem dinheiro em potes de barro para proteger as economias. Eles enterravam os recipientes sob pés de árvores e pedras, ou debaixo de qualquer outro marco, para poder localizá-los depois, dando origem às famosas botijas nordestinas”, declara o professor Maurício Carvalho.

Ao lado das moedas, o visitante poderá ler textos do historiador José Antônio Gonçalves de Melo (1916-2002) sobre os Ducados Brasileiros. Bem como artigos do pesquisador Liêdo Maranhão (1925-2014) com curiosidades ligadas às botijas – como encontrá-las, o que há dentro dos potes, o imaginário popular, o que elas representam.

A ideia da mostra, explica o professor, é divulgar para a sociedade a história do achado de Rio Formoso. As moedas foram cunhadas em 1645 e 1647. Um espaço na exposição, também em texto, dialoga com o público sobre a veracidade ou não das moedas descobertas na botija. Há, ainda, reproduções do pintor holandês Frans Post (1612-1680) que retratam paisagens do tempo dos flamengos.





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