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Patrimônio

Obra de restauração resgata o Forte de Tamandaré

Trabalho teve início em setembro de 2015 e deve se estender até maio de 2016, com recursos do BID. Fortaleza fica no Litoral Sul de Pernambuco

Publicado em 27/12/2015, às 08h08

Fortificação construída para defesa da costa será transformada num equipamento turístico / Foto: Edmar Melo/JC Imagem
Fortificação construída para defesa da costa será transformada num equipamento turístico
Foto: Edmar Melo/JC Imagem
Cleide Alves
cleide@jc.com.br

A obra de restauração do Forte de Santo Inácio de Loyola, em Tamandaré, município do Litoral Sul de Pernambuco, está recuperando vestígios da velha fortaleza, construída no século 17 e reformada nos séculos 18 e 19. Pisos originais, um fogão de pedra usado por soldados, esqueletos humanos e balas de canhão compõem o material arqueológico encontrado na edificação.

Parte do acervo ficará exposto à visitação pública no museu que será instalado no forte, em 2016, informa o gerente-geral do Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur-PE), Rafael Ferraz. “O trabalho começou em setembro último (2015) e está previsto para terminar em abril ou maio do ano que vem (2016). Mas esse prazo pode se estender, em função dos achados arqueológicos, que serão aproveitados no projeto”, diz ele.

A fortificação está sendo restaurada pelo Prodetur, com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), no valor de R$ 6 milhões. Depois de pronto, o Forte de Tamandaré terá auditório, dez lojinhas para comercialização de produtos variados, um restaurante, museus (com apoio da Marinha) e áreas para contemplação da paisagem.


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De acordo com Rafael Ferraz, a gestão ficará sob responsabilidade do município, que receberá autorização para cobrar ingresso aos visitantes e fazer a exploração turística do equipamento. “Isso inclui a ocupação das lojinhas, a prefeitura é quem vai definir se serão espaços para venda de artesanato, se haverá café ou sorveteria”, exemplifica.

Abandonado e sem uso, o Forte de Tamandaré apresenta avarias diversas. Parte da muralha e um baluarte desabaram por falta de manutenção. “Árvores cresceram no terreno e as raízes devem ter danificado as paredes. Tivemos de cortá-las, com permissão dos órgãos responsáveis”, afirma Rafael Ferraz.

A JME Engenharia, empresa contratada para executar o serviço, vai refazer a muralha e reconstruir o baluarte destruído. Para isso, utilizará as pedras antigas que estavam soltas e espalhadas no terreno, remontando uma a uma. E providenciará a estabilização e recuperação do baluarte onde a Marinha instalou um farol, eliminando o risco de desabamento.



Também terá de restaurar todas as dependências. A cela dos presos, a casa da guarda, a casa de balas e a casa de pólvora passarão a funcionar como museu. A reforma levará em consideração os materiais e as técnicas construtivas empregadas na época.

As lojinhas ficarão nos quartéis dos soldados e o auditório será montado próximo da Praça de Armas. Apenas um dos alojamentos, onde os arqueólogos localizaram o fogão (a saída da chaminé está marcada na parede), não terá uso comercial. O projeto prevê um restaurante no primeiro pavimento, no lugar da casa do comandante.

Também é atribuição da empresa restaurar a Capela de Santo Inácio de Loyola, padroeiro do forte e fundador da ordem Jesuíta, construída em 1786. A JME fará, ainda, a recuperação do piso em volta farol, erguido em 1902 pela Marinha para orientar a navegação.

O Forte de Tamandaré, monumento tombado pelo Estado, não está ligado só à história da defesa da linha da costa, mas também às lutas libertárias. Em 1817, a área do entorno da fortaleza serviu de acampamento das tropas enviadas para reprimir a Revolução Pernambucana.

Sete anos mais tarde, em 1824, rebeldes da Confederação do Equador ocuparam a fortaleza e foram atacados duas vezes. Dom Pedro II visitou o forte em 1859.





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