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Passagem de ônibus aumenta, mas sistema mostra velhas falhas

Terminais sem manutenção, atraso nas linhas e superlotação irritam o usuário

Publicado em 19/01/2016, às 07h00

Falta de pontualidade nas linhas é um dos motivos de reclamação / Hélia Scheppa/Acervo JC
Falta de pontualidade nas linhas é um dos motivos de reclamação
Hélia Scheppa/Acervo JC
Do JC Online

R$ 0,35 por viagem. É o valor que vai pesar, a partir de hoje, no bolso de 85% dos dois milhões de usuários do sistema metropolitano de ônibus que utilizam o anel A. De R$ 2,45, a passagem vai para R$ 2,80. O reajuste de 14,42% nas tarifas, aprovado ontem pelo Conselho Superior de Transporte Metropolitano, é mais um duro golpe para um usuário que praticamente não enxerga melhorias no sistema de transporte público.

Com o realinhamento de preços, o anel B passa de R$ 3,35 para R$ 3,85, o D vai de R$ 2,60 para R$ 3 e o G, deixa de ser R$ 1,60 e vai custar R$ 1,85. Segundo o governo do Estado, que apresentou a proposta, o reajuste necessário levaria o anel A para R$ 3,10. Mas o poder público resolveu bancar, pela primeira vez na história, um subsídio para o setor: serão R$ 150 milhões anuais, o que, segundo o Estado, possibilitou que o valor repassado ao passageiro na catraca seja menor.

O que esse mesmo usuário afirma não receber em troca é um serviço eficiente. Na Avenida Dantas Barreto, no bairro de Santo Antônio, Centro, as paradas estão sem teto. Chova ou faça sol, o passageiro é penalizado. No terminal do Cais de Santa Rita, bairro de São José, sujeira e pichações denotam falta de manutenção e de fiscalização. Em plena Avenida Conde da Boa Vista, principal artéria do Centro da cidade, estações inacabadas de BRT (ônibus de trânsito rápido) viraram teto para moradores de rua. “Os ônibus demoram, os assentos são ruins e muitos motoristas são mal educados e queimam paradas”, conta a bancária Lídia Rodrigues.

São, em média, 270 ligações diárias recebidas pela central de atendimento do Grande Recife Consórcio. Em 2015, 3.778 foram relativas a atrasos, 2.139 à queima de paradas e 1.575 sobre falta de urbanidade de motoristas e cobradores.



O resultado da equação em que se misturam aumento de custo, serviço ruim e um cenário de crise econômica não é difícil de prever. Em 2006, o sistema transportou 420 milhões de passageiros. Com o período de bonança econômica do Estado, a partir de 2007, chegou aos 486 milhões em 2012. De lá para cá o número só faz cair. No ano passado foram 417 milhões de usuários, menos do que em 2006.

O secretário das Cidades, André de Paula, disse que o reajuste da tarifa vai dar condições para que o Estado cobre dos empresários as melhorias para o sistema. “São muitas reclamações, de sujeira e falta de segurança nos terminais até atrasos nas linhas. Equilibrar financeiramente o sistema é o primeiro passo para irmos atrás de melhorá-lo”.

A Frente de Luta pelo Transporte Público entrou, na tarde de ontem, com um pedido na Justiça para que o reajuste seja cancelado e tarifa volte ao preço anterior. Até o final da noite de ontem não havia decisão sobre o pedido.





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