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Segurança

Delegados defendem extinção da SDS

Alegação é o alto custo da secretaria e aumento da violência

Publicado em 06/07/2016, às 08h12

Delegacia de Carpina foi interditada  recentemente por más condições estruturais, segundo delegado / Divulgação/Adeppe
Delegacia de Carpina foi interditada recentemente por más condições estruturais, segundo delegado
Divulgação/Adeppe
Margarette Andrea

Em meio ao crescente índice de violência no Estado – são 1.731 homicídios de janeiro a maio, 111 a mais do que no mesmo período de 2015 – somado a uma forte crise financeira, a Associação dos Delegados de Polícia de Pernambuco (Adeppe) levanta a bandeira de extinção da Secretaria de Defesa Social (SDS). Na última edição do jornal da entidade, distribuído no mês passado, a ideia é defendida tanto por sua “má gestão” no combate à violência quanto pelo “peso” que representa financeiramente.

Conforme dados levantados pela entidade no Portal da Transparência, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) 2016 prevê R$ 3,2 bilhões para a área de segurança pública. Desse montante, a maior parte (37,8%), o equivalente a R$ 1,235 bilhão, fica com a administração da SDS, enquanto a Polícia Militar, com cerca de 26 mil servidores, fica com 35,22% e a Polícia Civil, com 16,27%. Índices que se repetem há anos.

O presidente da Adeppe, delegado Francisco Rodrigues, classifica a pasta como um grande “elefante branco, cheio de cargos comissionados e funções gratificadas”. E diz que os secretários da pasta são “intermediários que não entendem muito de rua”, uma vez que são delegados federais e os civis é que atuam em questões rotineiras de roubos, assaltos, estupros. Mas salienta não ter nada contra ninguém.

Conforme o delegado, a ideia de extinção da SDS surgiu de uma análise da situação. “A cada ano que passa os números da violência estão crescendo e a capacidade técnica e estrutural da Polícia Civil está diminuindo. Isso é que é o pior. Nem está se mantendo nem melhorando, está diminuindo. A gente está com menos viatura, com menos pessoal, com menos estrutura, a gente está com os prédios cada vez piores, ou seja, a gente está decaindo”, lamenta, citando a Delegacia de Carpina, na Zona da Mata, interditada recentemente por más condições.



Com base nisso, a Adeppe foi atrás dos dados das LDOs desde 2007. “Vimos que o orçamento da pasta aumenta todo ano. Ora, se aumenta todos os anos por que é que a nossa estrutura diminui? Tem alguma coisa errada”, salienta o delegado, observando que o fim da pasta eliminaria gastos desnecessários, devolveria uma gama de policiais às ruas e delegacias e faria os problemas de cada polícia ser tratado diretamente com o governador, “por quem entende”.

O presidente da Associação de Praças de Pernambuco (Aspra), José Roberto Viana, concorda que a violência está aumentando por má gestão da segurança, mas credita a falha ao governo. “O secretário tem boa intenção. Mas quem for de encontro ao governo cai”, declara. O presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), Áureo Cisneiros, não falou.

Por meio de nota, a SDS limitou-se a informar que sua execução orçamentária e financeira é realizada em benefício de seis unidades gestoras: SDS-Sede (também responsável pela Polícia Científica, Áreas Integradas de Segurança e Câmpus de Ensino), Polícia Militar, Hospital Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros Militar e Corregedoria. 

“Em abril, a soma da folha de pagamento destas unidades custou R$ 140.910.018,71. Desse total, o valor pago aos comissionados e funções gratificadas da SDS, foi de R$ 270.366,55, ou 0,19%, o que derruba o discurso de uma pasta “repleta de cargos comissionados e funções gratificadas” usado pela associação. Não detalhou, contudo, a distribuição desses recursos, nem respondeu às perguntas encaminhadas.


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Comentários

Por John Lima,06/07/2016

Fazendo o trabalho da Policia Civil não amigo. Falta policial Civil. Vá levar em uma delegacia para você ver. Decerto, você já sabe.

Por Pereira,06/07/2016

Equipe Malhas da Lei, 40% do efetivo da Policia Militar fazendo o serviço da POLICIA CIVIL... Exercício de atividade diversa da específica do cargo ocupado pelo servidor, Desvio de Função.

Por FRANCISCO MARTINEZ DA SILVA,06/07/2016

PRIMEIRO: Lugar de Delegados, Agentes e Escrivães são nas Delegacias de Polícia e não em órgãos administrativos; tem mais de 100 delegados trabalhando administrativamente, tem uns que se dizer que ele irá para alguma delegacia, arruma logo uma laudo médico. SEGUNDO: Delegado ganha muito bem e produz pouquíssimo, fica dormindo, não aparece na delegacia, etc, segundo a lei é o delegado que tem que presidir os inquéritos, fazer as perguntas as partes envolvidas, mas na realidade ficam fazendo corpo mole. TERCEIRO: Não sei o motivo dos delegados ganharem 225% de risco de vida e todo o restante da polícia civil ganharem apenas 100% de risco de vida.

Por daniel,06/07/2016

deveria acabar com esse egoismo de patente. entre civil ou militar. o eu contribui para as coisas desandarem. sem falar em apadrinhamentos. colocar todo mundo para trabalhar que tambem não funciona.e fica esse jogo de empurra empurra. o resultado e esse. a crescente esplanada da violençia . onde quem paga o maior pato e a população . NO DIA EM QUE DEIXAREM O EU DE LADO E ARREGASSAREM AS MANGAS. QUE E DIFICIL . COM CERTEZA AS COISAS MELHORAM.

Por LYRA,06/07/2016

Em primeiro plano, concordo plenamente com essa ideia dos delegados mas, primeiramente deveriam unificar as policias, que passaria a ser comandadas por uma pasta que teria a frente dois titulares, um ligado a PC e outro a PM, os oficiais da PM como os delegados (nem sei se seriam necessários) teriam de trabalhar para fazerem jus ao salário que hoje recebem sem nada fazerem, a não ser atrapalhar aqueles que na verdade ainda pensam em trabalhar; Outro ponto interessante seria a imediata aposentadoria de muitos que encontram-se com a idade tão avançada que nem mesmo correm para pegar um copo de cerveja. Não esquecendo que os principais culpados dessa esculhambação que assola essas instituições são os meliantes, também conhecidos como políticos, que indicam pessoas desqualificadas para comandar as mesmas e, pasmem, inclusive tem influencia direta em promoções de delegados e oficiais, ou seja, quem não presta e não passam de bandidos, não iriam indicarem pessoas competentes para aqueles cargos, é aquele velho ditado "DIZE-ME COM QUEM ANDAS QUE EU TE DIREI QUEM ÉS".



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