Jornal do Commercio
PATRIMÔNIO

Após Aquarius, Edifício Oceania pode se tornar patrimônio

A decisão de reanálise do pedido de tombamento chega no momento em que o prédio ganha visibilidade internacional com o filme.

Publicado em 20/10/2016, às 19h38

Longa de Kleber Mendonça Filho se passou no edifício e tratou da resistência à especulação imobiliária.  / Foto: Divulgação
Longa de Kleber Mendonça Filho se passou no edifício e tratou da resistência à especulação imobiliária.
Foto: Divulgação
Editoria de Cidades

Depois de ganhar as telas de cinemas nacionais e estrangeiros no filme Aquarius e reacender o debate em torno da especulação imobiliária em uma das áreas mais nobres do Recife, o Edifício Oceania, no bairro do Pina, Zona Sul da capital, está mais perto do que nunca de receber o título de patrimônio. Na manhã desta quinta-feira (20), o Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural aprovou, por unanimidade, o pedido de continuidade de tombamento da construção, que data da década de 50. 

A Secretaria de Cultura do Estado informou que o processo será encaminhado para a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), para a elaboração de um parecer técnico sobre o prédio. O primeiro pedido de tombamento, realizado em 2003, foi negado pelo Conselho por unanimidade, mas nunca foi publicado em Diário Oficial. A decisão de reanálise chega no momento em que o prédio ganha visibilidade internacional. O Oceania foi cenário do longa dirigido por Kleber Mendonça Filho que concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes, na França, em maio deste ano. 

Se não fosse o filme, o prédio continuaria no esquecimento. Essa é a opinião do arquiteto Milton Botler, responsável pela elaboração do pedido de tombamento junto ao Estado. “Sem Aquarius, o assunto não seria abordado com tanta ênfase. Inclusive, foi um dos argumentos que usei para pedir a reabertura do processo”. A solicitação em questão foi feita por ele há cerca de duas semanas e respondida ontem pela Fundarpe.Para Botler, há motivos para comemorar. “O edifício é um marco da memória e da paisagem do Pina”, argumenta. 



Resistência

O movimento de resistência à especulação imobiliária e em prol da transformação do prédio em patrimônio partiu da irmã do arquiteto, a professora universitária Aronita Rosenblatt. Há 35 anos, ela fez do número 560 da Avenida Boa Viagem o seu lar. “Minha moradia é muito privilegiada, tenho uma vista linda, um apartamento que parece uma casa.”

Ela espera que, se aprovado, o tombamento traga melhorias para a estrutura da construção. “Minha preocupação é que não possa ser feita nenhuma intervenção, porque o prédio precisa de muitas, principalmente no que diz respeito à acessibilidade”.





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