Jornal do Commercio
CASO ITAÍBA

Intervenção de promotor acirrou disputa por terras

Depoimento de Mysheva Martins foi dado no primeiro dia do julgamento dos acusados pela morte de Thiago Faria

Publicado em 25/10/2016, às 08h22

Promotor foi morto em outubro de 2013 / Reprodução
Promotor foi morto em outubro de 2013
Reprodução
JC Online

O promotor Thiago Faria Soares usou a condição de servidor público para interceder em favor da noiva, a advogada Mysheva Martins, na pendenga jurídica que envolvia a fazenda comprada por ela em Águas Belas, no Agreste, em um leilão, e que era da família de José Maria Pedro Rosendo.

As palavras foram da própria Mysheva, no primeiro dia do julgamento de quatro dos cinco acusados pela morte do promotor, atingido por vários tiros de espingarda calibre 12, em outubro de 2013, na PE-300, entre os municípios de Águas Belas e Itaíba, no Agreste. José Maria Rosendo – conhecido como Zé Maria de Mané Pedro – é acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de ser o mandante do crime, incomodado pela ação do promotor no caso do imóvel. A primeira sessão do júri popular aconteceu ontem, na sede da Justiça Federal, no bairro do Jiquiá, Zona Oeste da cidade. O julgamento deve terminar na quinta-feira.

Além de Rosendo, também respondem pelo homicídio: José Maria Domingos Cavalcante, Adeildo Ferreira dos Santos, Antônio Cavalcanti Filho e José Marisvaldo Vitor da Silva. Segundo o MPF, os quatro seriam os executores.

Todos também são acusados pela tentativa de homicídio de Mysheva e do tio dela, Adautivo Elias Martins, que também estavam no carro com Thiago quando ele foi alvejado e escaparam do atentado.

Antônio Cavalcanti, conhecido como “Peba”, está foragido. José Maria Domingos Cavalcanti não será mais julgado junto aos demais, pois seu advogado, Emerson Leônidas, não compareceu à sessão de ontem e não informou o motivo. O defensor será multado pela juíza Amanda Torres Lucena, da 4ª Vara Federal, em 30 salários mínimos. O julgamento de Cavalcanti foi remarcado para o dia 12 de dezembro.



O depoimento de Mysheva Martins começou às 14h30, após uma manhã conturbada em que os advogados de defesa fizeram petições pelo adiamento do júri, alegando pouco tempo em plenário para expor os argumentos dos clientes. A ex-noiva de Thiago Faria confirmou que o promotor intercedeu junto à Justiça para resolver um impasse judicial relativo a 25 hectares da Fazenda Nova – incluindo a casa grande –, em Águas Belas. O imóvel pertencia à família de José Pedro Rosendo e foi comprado por Mysheva por R$ 100 mil em um leilão, em outubro de 2012, devido a dívidas trabalhistas dos proprietários. A ação estava parada na Justiça do Trabalho e Mysheva não conseguia retirar a família de Rosendo do local. “Se ele não tivesse interferido, estaria tudo parado até hoje”, disse ela.

Mysheva ainda relatou uma confusão entre Thiago e Zé Maria de Mané Pedro, em que o promotor teria ameaçado reativar antigos processos contra o fazendeiro, que estariam esquecidos na comarca de Águas Belas, caso ele fizesse algo contra a advogada, em represália pela compra da Fazenda Nova.

A ex-noiva de Thiago Faria disse ter ouvido, apenas depois do crime, boatos de que pessoas ligadas à família de Rosendo, em Águas Belas, teriam dito que “o promotorzinho de m...” deveria se cuidar para não levar uma “dozada (tiro de espingarda calibre 12) na cabeça”.

DEPOIMENTO

A sessão de ontem do júri ainda contou com o depoimento do delegado Alexandre Alves, da Polícia Federal, que cuidou das investigações após o caso ser federalizado, em agosto de 2014, a pedido do Procurador Geral Rodrigo Janot.

Hoje serão iniciados os debates entre acusação e defesa. Cada parte terá duas horas e meia para apresentar suas teses. O tempo total da defesa será dividido entre os advogados dos três réus. Também haverá duas horas de réplica para o Ministério Público Federal, e o mesmo tempo de tréplica para a defesa (mais uma vez, dividido entre os defensores dos réus).




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