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Burle Marx

Praça da República: o mais antigo jardim público do Recife

A série de reportagens sobre os jardins tombados do paisagista Roberto Burle Marx (1909-1994) no Recife, publicada pelo JC desde domingo passado (22), termina nesta sexta-feira (27) com a Praça da República, incluindo o jardim do Palácio do Campo das Princesas

Publicado em 27/01/2017, às 08h08

Burle Marx instalou fonte luminosa na Praça da República, no Centro do Recife / Foto: Diego Nigro/JC Imagem
Burle Marx instalou fonte luminosa na Praça da República, no Centro do Recife
Foto: Diego Nigro/JC Imagem
Cleide Alves
cleide@jc.com.br

Localizada no bairro de Santo Antônio, Centro do Recife, a Praça da República é o mais antigo jardim público da cidade, com origens no período holandês, no século 17. A área verde como conhecemos, projetada em 1875 pelo engenheiro Emile Beringer, passou por mudanças em 1920 e foi reformada por Burle Marx em 1937. Paisagista de renome internacional, ele plantou palmeiras, instalou uma fonte luminosa e definiu passeios mais largos que, a partir da fonte, levam aos prédios próximos.

A praça se interliga com o Palácio do Governo, o Teatro de Santa Isabel, o Palácio da Justiça e as margens dos Rios Capibaribe e Beberibe. “Burle Marx deu o aspecto monumental à Praça da República, o jardim precisa de cuidados diários e infelizmente a manutenção do lugar é precária”, declara a arquiteta Ana Rita Sá Carneiro, coordenadora do Laboratório da Paisagem da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Em vistoria realizada em 2016, a UFPE constatou o plantio indiscriminado de baobá na praça e de palmeira-imperial na calçada, substituindo o ficus-benjamina. Pés de palmeira-imperial que ficavam no trecho mais próximo do rio e morreram estão sendo trocados por palmeira-leque-de-finji. A equipe do laboratório sugere a retirada das espécies que não foram indicadas por Burle Marx.

Ana Rita defende a elaboração de um plano de gestão para a Praça da República e para os outros cinco jardins do paisagista tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2015. “Burle Marx pensou essas áreas como obras de arte e é assim que elas devem ser tratadas”, destaca a arquiteta. “Os lotes que contornam as praças e funcionam como a moldura dos jardins também devem se levado em consideração.”




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“Tenho vontade de trazer uma canga, sentar e curtir mais esse espaço. Ela é linda, só não gosto das grades, mas entendo que é importante para a preservação do jardim, é uma praça para a contemplação”, diz a psicóloga Aracelly Julieta da Silva. A estudante Iracema Maria da Silva, que passa pela Praça da República todas as noites, a caminho da escola, faz uma observação sobre a cor da água da fonte. “É escura demais, deveria ser clara.”

JARDIM

Em 2011, o Laboratório da Paisagem concluiu a proposta de restauração do jardim do Palácio do Campo das Princesas, projetado por Emile Beringer e reformado por Burle Marx, com o resgate do desenho do paisagista. “A circulação foi toda modificada e há plantas que não fazem parte da indicação de origem”, diz Ana Rita. Na medida do possível, é necessário retirar um percentual das árvores e fazer o plantio de um percentual da espécies indicadas.”

O governo do Estado não informou se pretende recuperar o desenho de Burle Marx nos jardins do palácio. Paulistano de nascimento, o paisagista veio ao Recife em 1934 para assumir o Setor de Parques e Jardins do Estado de Pernambuco, a convite do então governador Carlos de Lima Cavalcanti. Sua função era modernizar as praças. Ele fez 58 projetos para Pernambuco, mas nem todos foram executados. Burle Marx morreu no Rio de Janeiro, aos 84 anos.

A Praça da República não é adotada e não está disponível para adoção, de acordo com o presidente da Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb), Roberto Gusmão. Informações sobre o programa de adoção de áreas verdes do Recife podem se obtidas pelo telefone (81) 3355-5540. Quinze praças de Burle Marx foram classificadas pela prefeitura como jardins históricos do Recife.





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