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Quatro navios são afundados para mergulho em Pernambuco, nesta quarta

Parque dos Naufrágios passa a contar com 18 embarcações. Na costa inteira serão 29

Publicado em 06/02/2017, às 19h07

Rebocadores serão afundados a distância de até 13 metros do Porto do Recife / André Nery/JC Imagem
Rebocadores serão afundados a distância de até 13 metros do Porto do Recife
André Nery/JC Imagem
Cidades

Quatro rebocadores que estavam sem uso no Porto do Recife vão virar atração turística. Nesta quarta, os barcos São José, Bellatrix, Phoenix e Virgo serão afundados no Parque dos Naufrágios, na plataforma continental do Estado, elevando de 14 para 18 o número de embarcações que funcionam como recifes artificiais no parque, onde já foram encontradas 170 espécies de peixes. A costa pernambucana passará a reunir 29 naufrágios, consolidando o Recife como capital brasileira de mergulho nesse segmento, segundo a Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer do Estado, que patrocina o  projeto Mergulhe Pernambuco, em parceria com empresas do setor.

Pela primeira vez, três barcos vão ser submergidos de uma só vez. São José, com 24 metros de comprimento, Bellatrix e Phoenix, cada uma com 30 metros, ficarão a 13 quilômetros da costa, a uma profundidade de 28 metros. Virgo, que mede 26 metros, será levado a 11 quilômetros do Porto do Recife, a uma profundidade de 25 metros e distante 200 metros de um outro barco naufragado  proprositalmente em 2006, o Tauros.


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Eles serão amarrados entre si por cordas de aço e arrastados por um rebocador até os locais de afundamento. Lá, técnicos abrirão as válvulas de resfriamento dos motores  gradativamente, permitindo a entrada da água. A submersão deve durar em torno de uma hora e meia, mas todo o processo, incluindo deslocamento e vistoria de equipes de mergulho, está previsto para durar dez horas. Um raio de duas mil milhas será interditado pela Capitania dos Portos.

Preparativos

“Foram oito meses de preparativos, com remoção de todas as substâncias prejudiciais ao meio ambiente e aos mergulhadores, como óleos e combustíveis, e estudo da melhor área para submersão. Tudo acompanhado pelos órgãos ambientais do Estado e do município”, salienta o biólogo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Henrique Maranhão. “Escolhemos áreas de solo predominante arenoso, longe dos recifes, que funcionarão como oásis nos deserto para os peixes. Lá, eles conseguirão se proteger de  predadores e encontrarão alimentos, pois algas, corais e esponjas vão se formando nas estruturas”.



Conforme o biólogo, a previsão é de que os navios fiquem totalmente tomados pela vida aquática entre seis meses a um ano. “Mas de imediato eles já são procurados pelos peixes e se tornam um local interessante para o mergulho”, observa. O secretário de Meio Ambiente do Estado, Sérgio Xavier, lembra que há um decreto proibindo a pesca em locais de naufrágios, mas que desde 2013 se estuda a criação de uma Área de Preservação Ambiental (APA) na costa pernambucana, abrangendo o parque.

Aventura

O secretário de Turismo, Felipe Carreras, informa que de cada cinco turistas que visitam o Brasil um vem atrás do turismo de aventura, daí a importância de se investir no segmento. “Em 2016 as empresas de mergulho do Estado venderam mais de 450 pacotes, cerca de 160 argentinos procuraram o parque, quando a média era de 30”, destaca. Segundo ele, o Estado investiu apenas R$ 8 mil na compra de três rebocadores e um deles foi doado pela empresa Aquática. “Os custos do processo de afundamento são de empresas de mergulho”. 

O próximo projeto para o setor é submergir um avião entre Porto de Galinhas e Serrambi. “Estamos procurando uma aeronave. É um atrativo diferente e aventureiros gostam de novidade”, adianta. O prefeito Geraldo Julio participou do lançamento do projeto, no Centro de Artesanato de Pernambuco, no Recife Antigo, Centro, e destacou que o turismo de mergulho pode ser fomentado não apenas por gente de fora, mas também por nordestinos, pernambucanos e recifenses.




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