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Patrimônio

Chalés do Carmo continuam abandonados em Olinda

Os imóveis ficam na entrada do Sítio Histórico de Olinda e no passado eram casas de veraneio

Publicado em 07/07/2017, às 08h34

Quatro casas semelhantes formam os Chalés do Carmo. Cada uma tem um nome de mulher / Foto: Diego Nigro/JC Imagem
Quatro casas semelhantes formam os Chalés do Carmo. Cada uma tem um nome de mulher
Foto: Diego Nigro/JC Imagem
Da Editoria Cidades

Nem parece que os Chalés do Carmo ficam numa cidade considerada patrimônio histórico do Brasil e da Humanidade. Desativadas desde 2010, as quatro casas da Avenida Sigismundo Gonçalves, em Olinda, estão pichadas, com reboco desprendendo, portas e janelas quebradas, pintura desgastada e telhado avariado. Apenas marimbondos fazem ninhos nas edificações.

Localizados na entrada do Sítio Histórico, os chalés são do governo de Pernambuco. Para evitar invasões e mais depredações foram construídas paredes de tijolos rentes aos portões e há rolos de arame acima do portão de cada casa. Em duas das edificações o sistema improvisado de proteção se completa com cerca feitas de troncos de árvores e arames, já empenadas.

“Isso é um descaso dos governos municipal e estadual com o patrimônio de Olinda. Como morador da cidade e condutor de turismo há 15 anos eu lamento uma situação dessa na rua de acesso à Cidade Alta”, afirma Genilson Rodrigues. “As casas deveriam ser restauradas e funcionar como receptivo turístico, com banheiro, café e restaurante. O visitante poderia deixar o carro aqui e fazer o passeio a pé pelo Sítio Histórico”, sugere.

Os imóveis, com características arquitetônicas semelhantes, foram construídos no fim do século 19 ou início do 20, possivelmente como casas de veraneio, para as filhas de um morador da cidade de Olinda. Todas preservam na fachada o nome das herdeiras: Zulmira, Beatriz, Alice e Julieta.

“Para o turista, eu só digo o estilo arquitetônico e a história das casas, sem entrar em detalhes sobre o abandono”, comenta Genilson Rodrigues, integrante da Associação dos Condutores Nativos de Olinda, fundada em 2006. Os Chalés do Carmo deixaram de ser casas particulares em 1977, quando o governo do Estado desapropriou as edificações para instalar no local o Fórum de Olinda, transferido para a Avenida Pan-Nordestina 19 anos depois.



A partir de 1996, os imóveis passaram a funcionar como Casas da Cidadania, oferecendo à população serviços de retirada de documentos. Também abrigavam a coordenação do sistema de informação da criança e do adolescente e a gerência de Promoção de Direitos Humanos. Uma das casas, semidestruída, não tinha uso. O Estado repassou as edificações ao município, mas em agosto de 2016 Olinda devolveu as casas ao governo.

DEVOLUÇÃO

A Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude, proprietária das casas, informa que não tem recursos para fazer a obra de restauração e por isso entregou os chalés à Secretaria de Administração para que sejam tomadas as providências necessárias.

Esta semana, a promotora de Meio Ambiente, Patrimônio Histórico, Habitação e Urbanismo de Olinda, Belize Câmara, solicitou à Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) o relatório da vistoria técnica realizada nos chalés em janeiro de 2017. Quando receber o documento, com dados sobre avarias, riscos, serviços emergenciais de conservação e obra de restauração, ela vai definir a providência a ser tomada.

A promotoria, adianta Belize Câmara, deverá recomendar ao governo do Estado a execução da obra emergencial e pedir informações a respeito da vigilância usada para evitar furtos e depredações. O JC não teve acesso ao interior dos chalés.




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