Jornal do Commercio
Patrimônio

Forte do Picão: livro resgata a história da fortaleza dos arrecifes

Construção portuguesa do fim do século 16 ou início do 17, no Recife, o Forte do Picão foi demolido em 1910

Publicado em 19/07/2017, às 08h08

Ruínas do Forte do Picão ainda são vistas nos arrecifes, próximo ao Farol da Barra do Porto do Recife / Foto: Guga Matos/JC Imagem
Ruínas do Forte do Picão ainda são vistas nos arrecifes, próximo ao Farol da Barra do Porto do Recife
Foto: Guga Matos/JC Imagem
Cleide Alves
cleide@jc.com.br

Um Forte sobre as Águas, livro que será lançado segunda-feira (24 de julho) pelo pesquisador Jacques Ribemboim, resgata para os pernambucanos a história de uma construção militar que protegia o povoado do Recife no século 17 e foi demolida em 1910 na obra de modernização do Porto. Do Forte do Picão, feito de pedra em cima dos arrecifes, restam imagens e as ruínas banhadas pelo mar.

Jacques Ribemboim passou três anos levantando a história da fortaleza, reuniu gravuras, mapas, fotos e postais para ilustrar a publicação, e lamenta a destruição do prédio, erguido no fim do século 16 ou início do 17. “Derrubaram o Forte do Picão para colocar os trilhos por onde iriam passar pequenos vagões carregados de pedras para a obra de expansão dos arrecifes”, declara.

De acordo com o pesquisador, o Forte do Picão foi construído por portugueses com dinheiro de impostos locais, para a defesa do porto. Naquela época, diz ele, Olinda era uma vila opulenta e o Recife, apenas um povoado. “A população era muito vulnerável a invasões de nações inimigas, piratas e corsários, daí a importância da fortificação”, observa.

Os portugueses fecharam a entrada do porto com o Forte de São Francisco da Barra (Picão) e o Forte de São Jorge, em terra e mais antigo, na atual comunidade do Pilar. “Com os fortes bem posicionados e bem armados, navios grandes não atracavam. A esquadra holandesa não passou por eles e só desembarcou mais adiante, em Pau Amarelo.”

No período holandês, 1630 a 1654, a fortaleza é ocupada pelos flamengos e rebatizada como Forte Castelo do Mar. Com a expulsão dos holandeses, o fortim volta a ser controlado pelos portugueses, com o nome de Forte da Pedra ou Forte da Laje. Só no século 19 a edificação perde a função defensiva. “O prédio foi usado como presídio nos movimentos revolucionários de Pernambuco, posto avançado da alfândega e baliza náutica”, informa.



Em 1910, o Forte do Picão estava praticamente sem uso, abandonado e avariado. “Mas não era uma ruína”, destaca. O nome que chegou aos dias atuais, acrescenta o pesquisador, provavelmente tem origem nas pedras do picão, existentes nas proximidades da fortaleza, pontiagudas e que provocavam avarias em cascos de navios na baixa-mar.

BRASÃO

Com 196 páginas ilustradas, Um Forte sobre as Águas custa R$ 40 no dia do lançamento, às 17h  no Boteco Porto Ferreiro, à Avenida Rui Barbosa, 458, nas Graças, Zona Norte do Recife. O livro é publicado pela Editora Babecco, com apoio do Fundo Estadual de Incentivo à Cultura (Funcultura).

“A ideia é contar um pouco da história do Estado pela história do fortim e chamar a atenção para o erro histórico de 1910, com a demolição do forte que aparece como símbolo nos brasões de Pernambuco e do Recife”, sublinha. O Forte do Picão era pequeno – comportava de 30 a 40 militares – e funcionava como marco zero para medir as distâncias, na cartografia do século 19.

A construção aparece com formatos diferentes e que não correspondem à realidade em diversas gravuras, diz Jacques Ribemboim. “O forte era hexagonal, inicialmente, e depois fica eneagonal (nove ângulos).” O Farol da Barra do Porto do Recife, erguido próximo à fortaleza em 1822, ainda está de pé.




Os comentários abaixo são de responsabilidade dos respectivos perfis do facebook.

OFERTAS

Especiais JC

Especial Nova Rotação Especial Nova Rotação
As cidades estão entrando em colapso. Refletem o resultado da mobilidade urbana convencional, um mal incorporado à sociedade e de difícil enfrentamento.Mas o momento de inverter essa lógica é agora. Criar uma nova rotação para as cidades, para as pessoas
JC Recall de Marcas 2019 JC Recall de Marcas 2019
Pitú e Vitarella são as marcas mais lembradas pelo consumidor pernambucano, de acordo com a edição 2019 do Prêmio JC Recall de Marcas. O ranking foi feito a partir de levantamento do Harrop Pesquisa para o Jornal do Commercio.
Especial Tempo de Férias Especial Tempo de Férias
O tempo das férias finalmente chegou e com ele os vários planos sobre o que fazer no período livre. O JC traz algumas dicas de como otimizar o período para voltar renovado do merecido descanso.

    SIGA-NOS

    LICENCIAMENTO

  • Para solicitação de licenciamento, contactar editores@ne10.com.br

Jornal do Commercio 2019 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE |

PRIVACIDADE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM