Jornal do Commercio
Desigualdade

Grande Recife tem a maior vulnerabilidade social do País

Estudo do Ipea revela que a RMR teve o pior desempenho, entre as regiões metropolitanas do Brasil

Publicado em 24/08/2017, às 07h19

Geciane Silva e o marido vivem com uma renda mensal de R$ 900 para sustentar os seis filhos. A família mora num barraco na invasão da linha férrea / Foto: Guga Matos/JC Imagem
Geciane Silva e o marido vivem com uma renda mensal de R$ 900 para sustentar os seis filhos. A família mora num barraco na invasão da linha férrea
Foto: Guga Matos/JC Imagem
Ciara Carvalho
ciaracalves@gmail.com

Geciane Timóteo da Silva tem 33 anos e mora com a família numa invasão. Mora num barraco de tábuas às margens da ferrovia, no bairro de São José, área central do Recife. Estudo, divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), revela uma triste constatação: Geciane vive na metrópole com o maior Índice de Vulnerabilidade Social do País. Entre dez regiões metropolitanas brasileiras analisadas, a do Recife, com quase quatro milhões de habitantes, foi a que teve o pior resultado. Apresentou um crescimento de 16,3% na condição de vulnerabilidade, no período entre 2011 e 2015. A RMR ficou muito à frente das outras três regiões metropolitanas que também apresentaram aumento no indicador: Fortaleza (3,9%), São Paulo (2,4%) e Porto Alegre (0,4%). Os componentes infraestrutura urbana e renda e trabalho foram os maiores responsáveis pelo mau desempenho do Grande Recife.

O resultado interrompe uma tendência positiva que a RMR vinha apresentando no quadro de avanços sociais. Em 2015, última vez que o Ipea divulgou o Índice de Vulnerabilidade Social, a Região Metropolitana do Recife havia apresentado uma redução de 24%, referente ao período entre os anos 2000 e 2010. Na época, todos os indicadores sociais analisados apresentaram uma melhoria no desempenho. Justamente o contrário da atual fotografia. Para compor o Índice de Vulnerabilidade, os pesquisadores consideraram 16 indicadores, agrupados em três campos: infraestrutura urbana, capital humano e renda e trabalho. Neste último ponto, todos os indicadores analisados na RMR tiveram piora no resultado.

 

Em entrevista concedida por telefone, a coordenadora técnica do Atlas, Bárbara Oliveira Marguti, destacou alguns dos pontos que contribuíram para colocar o Grande Recife no topo do ranking da vulnerabilidade social entres as principais metrópoles do País. “Um dos fatores que mais chamaram atenção foi o indicador que mede o tempo de deslocamento de casa para o trabalho, entre a população considerada vulnerável. Houve uma piora desse indicador em 45%”, explica a pesquisadora.



Ela ressalta que, em relação à renda, os piores resultados da RMR ocorreram entre os anos de 2014 e 2015. “Nesse período, houve aumento de 46% da taxa de desocupação entre a população com 18 anos ou mais”, diz Bárbara, lembrando que também houve retrocesso em questões que medem, por exemplo, domicílios dependentes da renda do idoso e a participação de pessoas com idade entre 10 e 14 anos na atividade econômica.

PIOR DESEMPENHO

Das 10 regiões analisadas pelo Ipea, apenas a Região Metropolitana do Recife encontra-se classificada como de média vulnerabilidade social. Todas as demais estão enquadradas como de baixa vulnerabilidade e de muito baixa vulnerabilidade (caso da Região Metropolitana de Curitiba).

O Atlas faz a análise de indicadores sociais, usando como base duas pesquisas nacionais: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e o Censo Demográfico (IBGE). O estudo permite observar a evolução dos indicadores das localidades brasileiras e identificar as situações de exclusão social, com vários recortes territoriais: por regiões metropolitanas, macrorregiões, Estados e municípios.



Comentários

Por daniel,24/08/2017

esse pessoal nada quer com a vida dão uma de coitadinho claro que nada esta facil porem so botar a culpa no governo isso e ridiculo governo não esta dentro da casa na hora do vamos ver não dana se a fazer menino como batata que esparrama se chão a fora confiando em bolsa familia muitas vezes ficam em casa chocando e os filhos nas ruas aprendendo tudo que não presta e depois culpa a sociedade e o governo tem tudo para prevenir se camisinha anti consepcional e não usam não pensam no amanha so no bem bom filhos não pedem para vir ao mundo os pais e que tem que se programarem para cuidar e muito bem deles sem planejar nada dara certo e ficam desse jeito VAMOS PENSAR MELHOR ANTES DE FABRICAR UMA QUANTIDADE ENORME DE MENINOS COMO ESSA.

Por viajante,24/08/2017

solução para muitos problemas do povo brasileiro: camisinha, pílula, vactomia e laqueadura

Por ALBERICO,24/08/2017

E não sei porque um pessoa no mundo de hoje com uma renda miserável vai ter 06 filhos ??é burrice de pobre,é também irresponsável .



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