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SOLIDARIEDADE

Tecnologia ajuda na educação de crianças com deficiência

Instituto cria sistema que possibilita acesso a computadores sem uso das mãos

Publicado em 29/08/2017, às 19h22

André movimenta cursor com a cabeça / Filipe Jordão/JC Imagem
André movimenta cursor com a cabeça
Filipe Jordão/JC Imagem
JC Online

Antes de ser diagnosticado com leucemia, em 2015, o garoto André Luiz Ventura, então com 6 anos, era um dos mais interessados alunos de sua turma, na rede pública municipal de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. Complicações decorrentes da doença fizeram com que ele ficasse quadriplégico – sem os movimentos dos quatro membros, braços e pernas. Com isso, desde maio de 2016, ele deixou de frequentar as aulas. Nesta terça-feira (29), pela primeira vez desde então, André sentiu o gostinho de estar, mais uma vez, reunido aos colegas. Eles, da sala de aula. Ele, da sala de casa.

O encontro só foi possível graças à tecnologia inventada pelo Instituto Handsfree, organização pernambucana sem fins lucrativos e produtora de aparelhos que visam dar melhor qualidade de vida a pessoas portadoras de deficiência física. Através de um monitor instalado em casa, André interage com os professores e colegas, que também o veem em uma grande tela colocada na sala. Até aí, nada de diferente de programas de videoconferência como o Skype, correto? Errado. O salto adiante do Instituto Handsfree – mãos livres, em português – foi conceber uma tecnologia que faz com que André, com um fone e movimentando a própria cabeça, mova o cursor pela tela do computador. Uma haste semelhante à de um microfone é colocada na boca para que ele, com uma leve pressão dos lábios, clique no que ele quer. E assim ele está, de novo, conectado ao mundo.

BENEFÍCIO

Morador do Conjunto Residencial Marcos Freire, localidade de baixa renda de Jaboatão, André Luiz é a primeira de uma série de 21 crianças da rede municipal que serão beneficiadas com a novidade. São portadores de diversos tipos de deficiência e que, como ele, não têm condições de comparecer à escola.“A tecnologia foi toda concebida aqui em Pernambuco. Com ela, nós conseguimos levar as crianças de novo para a sala de aula, e os resultados dessa reinserção são incríveis”, explica Sérgio Maymone, diretor da entidade.



A mãe de André, Josilene Ventura, atesta a melhora. Antes de ser definitivamente conectado aos colegas na tarde desta terça-feira, o garoto passou por um período de testes com o equipamento. “Ele ficou quase nove meses sem dar uma palavra, totalmente afônico. Quando viu que podia voltar a se comunicar e interagir com o computador, voltou a falar. Hoje não para um minuto”, comenta, alegando que o filho também passava por um quadro de profunda depressão devido à imobilidade. “Depois dessa tecnologia, ele virou outra pessoa, recuperou a vontade de viver”, afirma.

O próprio André explica o que sentiu ao voltar a falar com a professora e com os colegas. “Foi muito bom. Eu sentia muita saudade da escola, ficava muito triste por não poder ir”. Do outro lado do monitor, na Escola José Rodovalho, onde estava sua turma, o clima era de festa. Empolgadas, todas as crianças deram um sonoro “seja bem-vindo” a André antes de começarem a aula. O garoto passa o tempo acompanhado de um professor, que já o auxiliava antes do acesso à nova tecnologia.

O custo mensal do atendimento às 21 crianças portadoras de deficiência na rede municipal de Jaboatão será de R$ 28 mil. “Nós estamos buscando parcerias com a iniciativa privada para expandir ainda mais o atendimento. Acreditamos na inclusão que essa tecnologia proporciona e no ganho de vida para as crianças”, afirma o prefeito da cidade, Anderson Ferreira.
Segundo ele, a primeira fase do projeto visa ajustar eventuais falhas e melhorar o que pode melhorado. “Depois disso, se a iniciativa se massificar, o custo certamente vai ser reduzido, o que vai ser melhor para todos.” Para pleitear o atendimento do Insituto Handsfree, a família precisa de um laudo médico que comprove a impossibilidade de a criança comparecer ao ambiente escolar.

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