Jornal do Commercio
ARQUEOLOGIA

Crânio de cerca de dos mil anos terá rosto reconstruído até abril

Iniciativa é do Museu de Arqueologia da Unicap e vai ajudar a entender mais sobre a ancestralidade do Homem Nordestino

Publicado em 13/03/2018, às 08h27

O
O "Flautista" é a peça mais famosa da exposição "Um cemitério indígena de 2.000 anos", do museu da Unicap
Foto: Bobby Fabisak/ JC Imagem
Editoria de Cidades

Encontrado na década de 80 no Sítio Furna do Estrago, no Brejo da Madre de Deus, Agreste pernambucano, o crânio de um homem de aproximadamente dois mil anos está prestes a ter o rosto revelado. O ossuário, chamado “Flautista” – já que foi encontrado junto a uma flauta feita de tíbia humana – faz parte do acervo do Museu de Arqueologia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e será submetido a um procedimento forense de reconstrução facial. O resultado será divulgado no próximo dia 24 de abril.

O que se sabe, até o momento, é que o crânio pertenceu a uma pessoa do sexo masculino, falecida mais ou menos aos 45 anos de idade. Para reconstruir a face, a primeira etapa do projeto consistiu em digitalizar o material. “Tiramos fotografias do crânio em diversas posições e, a partir dessas imagens, foi feita a reconstituição 3D. Agora, neste segundo momento, vamos fazer a modelagem, com preenchimento de músculo e pele”, explicou a bióloga Roberta Richard Pinto, coordenadora do museu.

Por enquanto, o trabalho será apresentado apenas de maneira virtual. “Até abril, vai ser assim, mas a gente pretende fazer uma modelagem física para botar na exposição”, adianta a coordenadora. Segundo ela, os demais crânios do museu também devem ser submetidos ao procedimento no futuro.



Conhecer o rosto do homem pré-histórico da Furna do Estrago, que vem sendo associado ao Homem Nordestino, é de grande importância para a comunidade científica. “A partir do momento em que a gente conhece o rosto, passa a entender mais sobre alguns aspectos, como a nossa ancestralidade. Isso é extremamente importante para futuros trabalhos sobre relações étnicas, por exemplo”, explica Roberta Pinto.

DESCOBERTAS

As análises preliminares no crânio já permitiram aos pesquisadores determinar certas características da população. Os ossos descobertos no Brejo da Madre de Deus estavam envoltos em tecidos, o que evidencia uma preocupação com os mortos, algo não muito comum na época, de acordo com a coordenadora. Outra informação importante fornecida pelo material é de que a população não tinha alimentação exclusivamente carnívora. Os desgastes e os indícios de processos inflamatórios na arcada dentária permitiram concluir que os homens ancestrais da região também consumiam raízes e vegetais duros. “O crânio diz muita coisa e o rosto pode dizer ainda mais”, salienta a bióloga.

O resultado será exibido durante uma apresentação no Auditório Dom Helder Câmara, no bloco A da Unicap, no dia 24 de abril, às 19h.


Recomendados para você




Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

Cantos e Recantos Cantos e Recantos
A temporada de sol está nos espreitando, e a Praia de Boa Viagem é sempre uma opção de passeio. Mas que tal ousar um pouquinho na quilometragem e desbravar outros destinos? Pernambuco tem muitos lugares fantásticos e você vai adorar o roteiro que o JC fe
As Paixões de José Pimentel, o eterno Jesus As Paixões de José Pimentel, o eterno Jesus
O JC preparou um hotsite especial em homenagem ao ator e diretor Jose Pimentel, o eterno Jesus Cristo do teatro pernambucano
Nordeste Renovável Nordeste Renovável
Com a força dos ventos e a incidência solar, o Nordeste desponta como oásis. Não só para o turismo, nem apenas no Litoral. Na geração de energia sustentável está a nova fonte de riqueza da Região, principalmente no interior

    SIGA-NOS

Jornal do Commercio 2018 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM