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Patrimônio

Moradores da Cidade Alta de Olinda em busca de mais diálogo com Iphan

Na avaliação de moradores do Sítio Histórico de Olinda a fiscalização é pouca e isso favorece irregularidades

Publicado em 22/04/2018, às 08h08

Arailde Lopes Monteiro vive no Sítio Histórico e gostaria de aproveitar mais a Cidade Alta / Foto: Diego Nigro/JC Imagem
Arailde Lopes Monteiro vive no Sítio Histórico e gostaria de aproveitar mais a Cidade Alta
Foto: Diego Nigro/JC Imagem
Cleide Alves
cleide@jc.com.br

Arailde Lopes Monteiro tem 93 anos, mora em Olinda desde os 6 e viu a Cidade Alta passar por alterações. “Mudou muita coisa, mas nada foi destruído, tudo se transforma porque o tempo muda”, constata a dona de casa. “Quando cheguei aqui nem se falava em patrimônio, as ruas eram iluminadas por lampiões e calçadas com pedras largas, o prédio do museu (Arte Contemporânea) ainda era uma cadeia e as fachadas das residências eram pintadas de amarelo ou branco”, recorda.

O que precisa mudar, diz ela, é o diálogo com o Iphan. “A gente não pode fazer nada nas casas porque o Iphan não deixa, mas há fachadas e portões modificados”, observa Arailde Monteiro, residente no Carmo. “Na minha mocidade, eu vivia Olinda, os cinemas funcionavam, havia retreta na Praça do Carmo, a gente subia até a Sé para ver o Zeppelin (balão dirigível) passar e os homens se divertiam em bilhar nos bares. Olinda hoje é muito desprezada”, lamenta.


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Moradora do Sítio Histórico há 15 anos, a psicóloga Ana Rosa Costa disse que não há fiscalização de rotina no casario tombado, para o controle de possíveis irregularidades. “Os fiscais aparecem se alguém denunciar uma obra em execução. Há uma rigidez muito grande quando a pessoa faz uma intervenção na casa respeitando os trâmites, eu passei por todas as fiscalizações, mas vejo imóveis descaracterizados na área de preservação”, declara Ana Rosa.

O Cidade Alta de Olinda atravessa dificuldades, na opinião da médica veterinária Christiani Gondim, porque concederam títulos de patrimônio sem a destinação de uma verba específica para garantir a preservação do casario. “A prefeitura sozinha não tem condições de fazer esse trabalho e os moradores não recebem incentivos. O valor do IPTU do Sítio Histórico poderia ser mais baixo como estímulo para a conservação das edificações”, sugere Christiani Gondim.

A veterinária mora no bairro do Carmo, no Sítio Histórico de Olinda, há 53 anos, numa casa que pertence à família dela há quase um século. “Vai completar 100 anos em 21 de dezembro de 2020”, comenta.



Igrejas

Assim como moradores, os religiosos também enfrentam dificuldades com a conservação de igrejas e conventos. A Igreja de Nossa Senhora da Graça, na Sé, por exemplo, está interditada desde maio de 2015 e só agora a Arquidiocese de Olinda e Recife conseguiu verba para a obra emergencial no piso e coberta.

De estilo maneirista (leve e sofisticado), a igreja representa a arquitetura jesuítica do século 16 no Brasil. “Captamos recursos pela Lei Rouanet e a obra começa no primeiro semestre de 2018, com oito meses de duração. A intervenção será administrada pela arquidiocese”, informa a coordenadora de Projetos da entidade religiosa, Telma Liége.

Na Igreja de Nossa Senhora do Monte, tombada pelo Iphan em 1938 como monumento isolado, as monjas beneditinas fazem pequenos reparos para a conservação do prédio, que remonta ao século 16, com recursos próprios. “Tivemos uma grande obra 13 anos atrás, com apoio do Iphan, e desde então assumimos a manutenção”, relata a prioreza, Irmã Maria Regina Menezes.

“Esse é um lugar especial, as primeiras ordens religiosas que chegaram ao Brasil se instalaram em Olinda, como a Carmelita e a Franciscana. O primeiro curso de direito do País funcionou na biblioteca do Mosteiro de São Bento”, diz o engenheiro do Iphan Frederico Almeida. A Cidade Alta, incendiada pelos holandeses em 1631, passou por reconstruções a partir de 1654, após a expulsão dos flamengos.




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