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Urbanismo

Calçadas de pedra do Recife têm origem em tradição portuguesa

As primeiras calçadas de pedra da cidade eram feitas com material vindo de Portugal, depois substituído por pedras nacionais

Publicado em 06/05/2018, às 08h08

Calçadas desenhadas da Avenida Marquês de Olinda, no Bairro do Recife / Foto: Ashlley Melo/Acervo JC Imagem
Calçadas desenhadas da Avenida Marquês de Olinda, no Bairro do Recife
Foto: Ashlley Melo/Acervo JC Imagem
Cleide Alves
cleide@jc.com.br

A reforma do Bairro do Recife, no princípio do século 20, trouxe para a capital pernambucana uma nova maneira de se fazer calçadas: revestir o passeio com pedras de cores diferentes formando desenhos, semelhantes às ruas de Lisboa. Assim como a técnica do mosaico era importada de Portugal, as pedras também vinham de além-mar, dando origem às calçadas de pedra portuguesa do Recife.

Remendadas aqui, maltratadas ali, as calçadas de pedra ainda existem e podem ser vistas no Bairro do Recife, algumas possivelmente com peças originais em seus desenhos de corações, flor-de-lis e liras. Ao longo dos anos, a prefeitura teve de recorrer a material nacional similar para fazer as correções de desgastes provocados pelo tempo e pelos pés de tantas gerações que imprimiram suas marcas nos caminhos de pedra da cidade.

As pedras calcárias de origem portuguesa, quebradas para montar os mosaicos, foram usadas nas calçadas do Recife apenas nas primeiras décadas do século 20, informa o arquiteto José Luiz Mota Menezes. Em 1969, ao promover o Concurso de Projeto para Revestimento dos Passeios Públicos da capital, a prefeitura resgata e leva para outras áreas da cidade a técnica do mosaico português, baseada nos modelos existentes no Bairro do Recife.

Porém, o revestimento é outro: pedras mineiras, produzidas em Minas Gerais e parecidas com as portuguesas, ou graníticas, diz a arquiteta Vera Freire, gerente geral de Projetos Urbanos da Autarquia de Urbanização do Recife (URB). A pedra granítica não é lisa como a portuguesa e a mineira.

Desenhos com tema floral, criados pelo arquiteto pernambucano Geraldo Santana, segundo lugar no concurso, passaram a estampar calçadas de pedra do Banco do Brasil e da Praça Ascenso Ferreira, na Avenida Rio Branco, Bairro do Recife; das Ruas Nova (Santo Antônio) e da Imperatriz (Boa Vista), hoje substituídas por blocos intertravados de concreto; e da Academia Pernambucana de Letras, nas Graças, Zona Norte.



ORIGEM

A origem dos passeios históricos da cidade foi recuperada pela URB, em 2000, na publicação Caminhos de Pedra – Calçadas do Bairro Recife, com textos, fotos e ilustrações. Dezoito anos depois, parte dos desenhos se perdeu ou está avariada. O losango com a estrela de Salomão, na calçada do Centro Cultural Bandepe (Centro Cultural Santander e atualmente ocupado pela empresa In Loco), não existe mais.

Mosaicos das calçadas de pedra da Rua Dona Maria César (detalhes de um padrão da Rio Branco), Rua do Bom Jesus (ramagens), Avenida Marquês de Olinda (mandalas e flor-de-lótus) e Avenida Rio Branco (ramos, folhagens, hastes, ramagens), entre outras, são destruídos por tampas de caixas de esgoto e telefonia, postes e luminárias.

Além dos passeios desenhados, a cidade tem outras calçadas de pedra portuguesa, mais velhos que os mosaicos. São os calçamentos feitos com pedra de lioz (calcária), também chamada de pedra de rio, que vinha de Portugal como lastro de navio, acrescenta o arquiteto José Luiz Mota Menezes.

“As pedras são maiores, lajes, que cobriam as calçadas do Ginásio Pernambucano (hoje modificada) e são encontradas na frente da Assembleia Legislativa, construções do século 19 na Rua da Aurora”, observa. No Recife Antigo, o piso de lioz está preservado na Rua do Bom Jesus, ao lado de uma calçada mais recente, de pedra mineira.





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