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Igreja da Misericórdia representa o barroco religioso em Olinda

A Igreja da Misericórdia, no Alto da Sé, é o tema da terceira reportagem da série sobre os primeiros prédios tombados pelo Iphan em Olinda, em 1938

Publicado em 22/05/2018, às 08h08

Beneditina missionária, Irmã Hildegardis Nassen é alemã e mora no Convento da Misericórdia / Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem
Beneditina missionária, Irmã Hildegardis Nassen é alemã e mora no Convento da Misericórdia
Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem
Cleide Alves
cleide@jc.com.br

Desde agosto de 1938 a Igreja da Misericórdia, na Cidade Alta de Olinda, está inscrita no Livro de Belas Artes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O tombamento individual protege um prédio barroco do século 18 com uma história mais antiga. Possivelmente construído em 1540, o templo pertencia à Santa Casa de Misericórdia, instituição criada em Portugal para oferecer cuidados a pobres, órfãos e doentes carentes.

O primeiro prédio da igreja, do século 16, foi incendiado em 1631 pelos holandeses que ocuparam o Nordeste brasileiro de 1630 a 1654, reconstruído depois da expulsão dos flamengos e reformado no século 18. Em 1860, o Hospital da Santa Casa de Olinda é extinto e em 1896 a entidade filantrópica entrega as duas edificações ao Mosteiro de São Bento.


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“Na República, quando Estado e clero se separam, os abades do mosteiro chamam monjas beneditinas da Alemanha para o Brasil. O destino delas era a Amazônia, num projeto missionário com povos indígenas, mas como a viagem é adiada, elas se instalam na Misericórdia em 1903 e começam a recuperar a igreja”, informa irmã Hildegardis Nassen, uma das 20 freiras residentes no convento de Olinda, atualmente.

A manutenção da Igreja da Misericórdia, considerada monumento nacional há 80 anos, é feita pelas Beneditinas Missionárias de Tutzing, com verba proveniente da Academia Santa Gertrudes, escola particular dirigida pelas religiosas, e contribuição voluntária de visitantes. Tutzing, informa irmã Hildegardis, é o nome da pequena cidade turística alemã, perto de Munique, escolhida para ser a sede da congregação.

Estragos

Instalado no Alto da Sé, o templo cristão só abre as portas nos horários das missas (segunda a sábado às 6h30 e domingo às 7h30) e das orações das monjas beneditinas, às 5h45 e às 18h. A fachada do prédio, castigada pela maresia, foi caiada recentemente. Mas o interior do edifício precisa de reparos. Uma talha do altar lateral de São João Batista caiu no chão e se espatifou em 2017, diz a freira.



No forro da nave – lugar onde os fiéis assistem à missa – e do coro da Igreja da Misericórdia pedaços dos ornamentos estão se soltando. “Partes de molduras das pinturas do forro também caíram”, comenta a religiosa. A talha do arco-cruzeiro, que separa a nave da capela-mor, não teve o douramento e a pintura restaurados como se vê no altar, o forro da capela está danificado e azulejos da nave com passagens da vida de Nossa Senhora encontram-se estragados.

Irmã Hildegardis destaca numa das paredes laterais do templo a decoração do púlpito, antiga tribuna usada para a pregação dos padres. Ela mostra a águia de duas cabeças e informa que o símbolo remete a Catarina da Áustria, regente de Portugal no século 16. “Sob o púlpito há uma imagem de São Vicente de Paulo, numa homenagem aos vicentinos que tomaram conta da igreja quando a Santa Casa saiu de Olinda”, recorda.

Pedaços de talha de madeira da sacristia também desabaram. “Guardamos as peças quebradas para uma futura obra de restauração, um dia”, declara a freira. A sala, decorada com móveis antigos de jacarandá e um lavatório de mármore português, teve a pintura do forro descoberta numa obra de recuperação. “Não foi possível resgatar toda a pintura, naquela época, então deixaram partes dela aparentes”, comenta a religiosa.

O lavatório era usado pelos padres para a higiene das mãos antes das missas. “No passado, a água caía como fonte, depois botaram uma torneira”, diz ela. As armas de dom Sebastião, rei de Portugal no século 16, estão estampadas na fachada do prédio. E no muro frontal há uma placa informando que no adro da Igreja da Misericórdia o capitão André Pereira Temudo “seguido de um punhado de bravos pernambucanos” morreu para “vingar os ultrajes que faziam à pátria e à religião” os holandeses que aqui chegaram em 1630.

Engenheiro do Iphan-PE, Frederico Almeida disse que o telhado da Igreja e do Convento da Misericórdia foi recuperado com recursos da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Rouanet), anos atrás. “O altar, os forros pintados e a talha policromada precisam realmente de reparos. Não há projeto à vista para a edificação, mas pelos problemas ela deve ser priorizada”, declara Frederico Almeida.

Serviço

Igreja da Misericórdia
Rua Bispo Coutinho – Alto da Sé
Fone: (81) 3494-9100




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