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História

Igreja da Graça e Seminário são construções do século 16 em Olinda

Interditados desde maio de 2015 e à espera de obras de restauração, o Seminário de Olinda e a Igreja de Nossa Senhora da Graça são apresentados na sétima reportagem da série sobre os primeiros prédios tombados individualmente pelo Iphan como patrimônio nacional na cidade, em 1938. A série começou domingo passado (20/05) e termina dia 28 próximo. Protegidos por lei federal, as edificações não podem ser demolidas nem descaracterizadas

Publicado em 26/05/2018, às 08h08

O Seminário e a Igreja da Graça ocupam o ponto mais alto de Olinda / Foto: Guga Matos/JC Imagem
O Seminário e a Igreja da Graça ocupam o ponto mais alto de Olinda
Foto: Guga Matos/JC Imagem
Cleide Alves
cleide@jc.com.br

A Igreja da Graça, construída no ponto mais alto de Olinda, tem sua origem vinculada à fundação da cidade, em 1535, no século 16. Foi nesse ano que o primeiro donatário da Capitania de Pernambuco, Duarte Coelho, fez uma capela dedicada a Nossa Senhora da Graça para receber frades da Ordem de Santo Agostinho. “Como os agostinianos não entraram na contrarreforma, não vieram e nunca ocuparam a igrejinha”, afirma o arquiteto e urbanista José Luiz Mota Menezes.

Quem assume o templo católico do Alto da Sé são os padres da Companhia de Jesus, que chegaram ao Brasil em 1549 para catequizar a população indígena, com a implantação do governo geral na Bahia em 1549. Os jesuítas, informa o arquiteto, se instalam na Igreja da Graça de Olinda em 1550 e começam a aplainar o morro para construir um colégio. “Eles ampliam a igreja nos anos 1550, mas quando saem para outras capitanias o prédio da escola fica inacabado”, observa o urbanista.

O colégio é concluído alguns anos depois, no século 16, com projeto de Francisco Dias, diz José Luiz. “Com a largura reduzida, porque o morro é muito íngreme, a obra corresponde ao projeto, que se encontra numa biblioteca de Paris. A proposta era um corredor central e duas alas para quartos, mas somente uma ala é executada”, detalha. Ele restaurou a Igreja da Graça na década de 1970 e devolveu ao prédio as feições do século 16.

Em 1630, um ano antes do incêndio provocado pelos holandeses em Olinda, o templo tinha uma janela central e frestas laterais. “Era uma igreja fortificada, como as portuguesas, e poderia funcionar como abrigo e local de defesa em tempos de guerra”, explica. Os jesuítas são expulsos do Brasil em 1759 e a Igreja da Graça e o colégio são entregues à diocese de Olinda para servir como seminário no fim do século 18.

“Muitas mudanças que prejudicaram a construção anterior são realizadas. Quando arriamos o reboco da igreja, na obra de restauração realizada de 1972 a 1978 pelo Programa Cidades Históricas, achamos a edificação que havia sido pintada por Frans Post (pintor da comitiva que acompanhou Maurício de Nassau, governador do Brasil holandês de 1637 a 1644). A porta, as frestas e o óculo (a janela central circular para passagem do ar e da luz) estavam intactos”, ressalta o arquiteto.



Com as informações documentadas, ele conseguiu recompor a igreja nos mesmos moldes do prédio construído pela Companhia de Jesus e também projetada por Francisco Dias. O altar primitivo foi destruído pelos holandeses no século 17. O antigo Colégio dos Jesuítas é inaugurado como escola para educação dos padres em fevereiro de 1800. O fundador do seminário é o sacerdote José Joaquim da Cunha Azeredo Coutinho (1742-1821), nomeado bispo de Olinda em 1794.

Pioneira

“O conjunto formado pelo Seminário de Olinda e Igreja da Graça é um dos monumentos mais importantes da arquitetura brasileira. E foi uma das primeiras obras de restauração com acompanhamento arqueológico”, diz o engenheiro do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) Frederico Almeida. “Ali nasceu a aliança entre arqueologia e restauração. O arqueólogo Marcos Albuquerque, da Universidade Federal de Pernambuco, fez uma obra extraordinária lá dentro”, acrescenta José Luiz.

Na escavação, Marcos Albuquerque encontrou três imagens de santos decapitadas pelos holandeses, cerca de 180 sepulturas e a imagem de Nossa Senhora da Graça no poço do centro do pátio, entre outros achados. “O prédio da igreja é muito clássico, de estilo maneirista, transição entre o renascimento, que o Brasil não teve, e o barroco. Nosso primeiro estilo é o maneirismo e a Igreja da Graça é um desses exemplares no Brasil”, sublinha Frederico Almeida.

O seminário e a igreja, fechados desde 2015 por problemas na coberta e no piso, pertencem à Arquidiocese de Olinda e Recife. A instituição aprovou projeto para a realização de serviços emergenciais pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Rouanet), no valor de R$ 3,7 milhões, captou parte da verba e pretende iniciar a obra ainda no primeiro semestre de 2018. A intervenção terá oito meses de duração e será administrada pela arquidiocese, segundo a coordenadora de Projetos da entidade religiosa, Telma Liége.

O monumento está inscrito no Livro de Belas Artes do Iphan desde maio de 1938, há exatos 80 anos.

Serviço

Seminário de Olinda e Igreja da Graça
Rua Bispo Coutinho – Alto da Sé




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