Jornal do Commercio
QUEIMADOS

HR alerta perigo ao usar combustíveis na falta do gás de cozinha

Dos 21 pacientes no setor de queimados do HR, 90% são por queimaduras após uso de álcool e gasolina para cozinhar

Publicado em 06/06/2018, às 11h37

São 21 pessoas internadas para 25 leitos de adultos no setor de queimados / Foto: Arquivo/JC Imagem
São 21 pessoas internadas para 25 leitos de adultos no setor de queimados
Foto: Arquivo/JC Imagem
JC Online

A falta de gás de cozinha e o preço elevado dos botijões resultou em diversos acidentes de queimaduras após usos de álcool ou gasolina como alternativas para cozinhar os alimentos. No setor de queimados do Hospital da Restauração (HR), na área central do Recife, todos os leitos para adultos do sexo masculino estão ocupados, enquanto no feminino, apenas quatro estão disponíveis.

Segundo o Dr. Marcos Barreto, responsável pelo setor, são 21 pessoas internadas para 25 leitos de adultos no hospital, no qual 90% dos pacientes são vítimas de queimadura por uso de combustíveis no lugar do gás de cozinha. Ainda de acordo com ele, os pacientes não tinham uma solução contra o risco de cozinhar com combustíveis, pois não teriam condições de comprar o gás de cozinha.

Antes da greve dos caminhoneiros, o botijão estava custando entre R$ 60 e R$ 75, mas o valor chegou a R$ 180 quando a categoria paralisou as atividades e dificultou a chegada do produto aos depósitos.

No entanto, antes disso, há quatro meses, o médico vem denunciando os aumentos dos preços ao governo para que haja algum subsídio no valor do botijão e transforme o produto em um material mais acessível, podendo reduzir os custos na saúde pública e evitar o maior número de pessoas nas filas do INSS, já que alguns ficam impossibilitados de retornar ao trabalho devido às queimaduras.



São João e Copa do Mundo

Segundo o Dr. Marcos Barreto, é muito comum ter um alto número de pacientes no setor de queimaduras nas épocas de São João e São Pedro, onde a média de internação é de 20 a 24 pessoas. Para isso, o hospital precisaria de, ao menos, 20 leitos disponíveis para essa época, correndo o risco de não ter por causa dos acidentes causados pelos combustíveis na cozinha. Além disso, tem a Copa do Mundo, que também é uma época comum de vítimas por queimaduras, devido aos fogos de artifício durante os jogos. “Chega muita gente com lesão na face e nas mãos por causa de explosivos”, acrescentou o doutor.

A quem recorrer?

O Dr. Barreto alertou aos caminhos que os pacientes levam quando sofrem queimaduras. “Muitos vão para outras unidades de emergência, onde o atendimento a queimaduras não é adequado, achando que precisam de referência médica para ir ao setor de queimados do HR”, citou. Segundo ele, o setor não precisa de referenciamento e o paciente pode ir diretamente caso haja algum acidente. “Muitos chegam com complicações devido aos tratamentos de outras unidades de saúde… então é melhor vim direto para nós, pois dá menos trabalho e reduz o sofrimento do paciente”, acrescentou.

Último caso

Na noite dessa segunda-feira (4), duas donas de casa estavam na casa de uma amiga quando, devido a falta de gás de cozinha, usaram álcool para preparar o jantar. Ao acender o fósforo, o fogo atingiu a garrafa que continha o produto e provocou o incêndio.

As chamas se alastraram nas duas mulheres, que foram socorridas para o Hospital da Restauração, na área central do Recife. Cleide Soares, de 23 anos, teve queimaduras nos braços e no tórax, mas já recebeu alta. Já Alexandra Vandete da Silva, de 33 anos, permanece internada com aproximadamente 15% do corpo queimado.


Recomendados para você




Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

Especial educação Especial educação
E se você descobrisse que o futuro ligado às tendências que irão norteá-lo já chegou? O mundo hoje é um mar de oportunidades, para conhecimento, informação e inovação. Cada vez mais o profissional precisa evoluir. Por isso veja o caminho a seguir
A revolução da ciclomobilidade: o exemplo de Fortaleza A revolução da ciclomobilidade: o exemplo de Fortaleza
A capital cearense, diferentemente da pernambucana – embora nordestina também – deu um salto na infraestrutura viária voltada para as bicicletas. A cidade está repleta de ciclofaixas. Por toda parte. E a grande maioria conectada
Cantos e Recantos Cantos e Recantos
A temporada de sol está nos espreitando, e a Praia de Boa Viagem é sempre uma opção de passeio. Mas que tal ousar um pouquinho na quilometragem e desbravar outros destinos? Pernambuco tem muitos lugares fantásticos e você vai adorar o roteiro que o JC fe

    SIGA-NOS

Jornal do Commercio 2018 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM