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Patrimônio

Arquidiocese apela a empresários para restaurar Seminário de Olinda

A instituição religiosa tem R$ 1,5 milhão e precisa de mais R$ 2,2 milhões para a conclusão da obra emergencial no Seminário de Olinda e na Igreja da Graça

Publicado em 27/06/2018, às 05h05

Jardim do Seminário de Olinda, construção do século 16 no Alto da Sé / Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem
Jardim do Seminário de Olinda, construção do século 16 no Alto da Sé
Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem
Cleide Alves
cleide@jc.com.br

Ao anunciar nessa terça-feira (26/06) o início da obra emergencial de restauração do Seminário de Olinda e da Igreja de Nossa Senhora da Graça, na Cidade Alta, dom Antônio Fernando Saburido pediu a ajuda de empresários pernambucanos para completar os recursos necessários para a execução do serviço. “Estamos autorizados a captar R$ 3,7 milhões pela Lei Rouanet e até agora conseguimos R$ 1,5 milhão”, informa dom Fernando, arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife. Faltam R$ 2,2 milhões.

Com o dinheiro arrecadado a arquidiocese pode começar a recuperar as áreas mais comprometidas das edificações: o telhado da igreja, o telhado da bedelagem (antiga sala dos inspetores no prédio do Seminário de Olinda) e o assoalho da bedelagem, que está escorado para não cair. A verba não é suficiente para recuperar o piso da igreja, que estufou. “Vamos em busca de novos parceiros para tentar levantar os recursos, nosso desejo é não interromper a obra emergencial depois do trabalho iniciado”, diz dom Fernando. O seminário e a igreja foram interditados em maio de 2015.

“Turistas que visitam Olinda sentem falta do seminário e da igreja, são dois monumentos do século 16 com uma história longa e bonita. A recuperação dos prédios representa um ganho para a cultura de Pernambuco”, destaca o arcebispo pouco antes de assinar a ordem de serviço que autoriza o início da obra emergencial, em solenidade realizada na tarde de terça-feira (26) nos jardins da igreja. A intervenção está prevista para ser executada num período de 12 meses, até junho de 2019, mas a igreja só poderá ser reaberta se a arquidiocese conseguir fazer a restauração do piso.

A arquidiocese captou R$ 1,5 milhão com a Ferreira Costa, rede de lojas de materiais de construção e artigos para casa; Hospital Português e Eletrobrás para a obra emergencial no Seminário de Olinda e Igreja da Graça. “É a primeira vez que apoiamos a restauração de um patrimônio histórico, mas colaboramos com outros projetos pela Lei Rouanet, como o festival cultural de Garanhuns e a implantação de mais de 100 bibliotecas no Estado”, declara o empresário Guilherme Ferreira Costa, durante o ato em Olinda.

“É justo que os católicos ajudem a recuperar esses prédios, se a igreja precisa dos recursos e nós podemos colaborar, não temos porque negar. O dinheiro doado pela Lei Rouanet (Lei Federal de Incentivo à Cultura) é devolvido no imposto (de Renda)”, observa a escritora Laura Areias, representante do Real Hospital Português na solenidade. “No que depender de mim, vou ajudar, mas é importante a união de todos nessa hora”, diz ela.



Padre Rinaldo Pereira, presidente da Comissão de Cultura da Arquidiocese, informa que pretende captar 50% dos recursos que ainda faltam para alcançar R$ 3,7 milhões até o fim de 2018. A obra completa de restauração do Seminário de Olinda e da Igreja da Graça, incluindo a elaboração do projeto que vai detalhar o serviço a ser executado do chão ao teto, foi avaliada em R$ 16,2 milhões em 2015.

Usos

A proposta da arquidiocese, após a restauração do Seminário de Olinda, é levar para o prédio o curso de teologia, que corresponde aos quatro últimos anos da formação dos diáconos. Uma parte da edificação seria ocupada por parceiros privados, para ajudar na manutenção do imóvel. “O curso de filosofia, que é feito nos três primeiros anos, pode continuar funcionando no Centro Pastoral da Várzea”, afirma dom Fernando Saburido. Desde que a Defesa Civil de Olinda interditou as edificações os seminaristas foram transferidos para a Várzea, na Zona Oeste do Recife.

“Estudei um ano e meio no Seminário de Olinda, tinha um quadro na parede onde se lia a frase ‘Morar aqui é uma glória’ e era mesmo. O seminário foi fundado no século 19 pelo bispo Azeredo Coutinho e ocupa uma casa mais antiga, do século 16. Esse prédio é um marco na história de Olinda, de Pernambuco e do Brasil e merece ser restaurado”, afirma o seminarista Artur Barza, 23 anos, estudante do 2º ano curso de teologia na Várzea.

Construída no Alto da Sé em 1535 a pedido de Duarte Coelho, primeiro donatário da Capitania de Pernambuco, a Igreja da Graça foi ampliada em 1551 numa obra realizada pelos padres da Companhia de Jesus. Ainda no século 16 os religiosos ergueram um educandário ao lado do templo, o Colégio dos Jesuítas, que passou a funcionar como seminário para formação de padres em 1800. A igreja e o colégio, hoje avariados e precisando de obra de restauração, pertencem à arquidiocese.

O Seminário de Olinda e a Igreja da Graça são tombadas como monumentos brasileiros pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1938. “Autorizamos a captação da verba para a obra emergencial e agora vamos aguardar da arquidiocese o projeto completo da restauração. A solenidade de hoje (terça-feira, 26) é a primeira etapa vencida de uma longa luta”, declara a superintendente do Iphan-PE, Renata Borba.




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