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Urbanismo

Recifenses questionam alargamento de calçada do Parque da Jaqueira

Com a obra, realizada pela Prefeitura do Recife, a calçada do parque passará de três para oito metros de largura

Publicado em 24/07/2018, às 08h12

O serviço de alargamento da calçada  começou neste mês de julho no trecho da Avenida Rui Barbosa / Foto: Guga Matos/JC Imagem
O serviço de alargamento da calçada começou neste mês de julho no trecho da Avenida Rui Barbosa
Foto: Guga Matos/JC Imagem
Cleide Alves
cleide@jc.com.br

A obra de alargamento da calçada do Parque da Jaqueira, que vem sendo executada pela Prefeitura do Recife no trecho da Avenida Rui Barbosa, é questionada por frequentadores da famosa área verde da Zona Norte da cidade. De acordo com populares entrevistados pelo JC, há outros passeios públicos em pior situação na capital e que deveriam ser recuperados com mais urgência. A calçada do parque passará de três metros para oito metros de largura.

“Isso não é calçada, é uma rua. Na Bomba do Hemetério (bairro da Zona Norte do Recife), onde moro, tem rua mais estreita que essa calçada”, observa o músico Wandilson do Nascimento Cruz, 50 anos. Ele costuma fazer exercícios no parque, num espaço de ginástica próximo à Igreja de Nossa Senhora da Conceição das Barreiras e que será afetado com a ampliação do passeio público. Para aumentar o caminho destinado aos pedestres, a prefeitura está recuando em cinco metros o gradil da área de lazer.


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Wandilson Cruz discorda do projeto e afirma que a ampliação da calçada é desnecessária. “Vamos fazer um abaixo-assinado para garantir a permanência dos aparelhos de ginástica no terreno”, declara. “A prefeitura exagerou na dose, não precisamos de uma calçada tão larga, o movimento de pedestres é maior na entrada do parque pela Rua do Futuro”, afirma o porteiro Aldemir Durval, 43, que utiliza os equipamentos duas ou três vezes por semana.

A mesma avaliação é feita pela advogada Juliana Accioly, 38, que aproveita o recesso escolar para brincar com o filho na Jaqueira. “Não há uma circulação de pedestres que justifique uma calçada tão larga na Rui Barbosa e a redução da área do parque. Acho justo priorizar o pedestre, porém o projeto teria mais lógica com a diminuição do espaço para carros”, declara Juliana Accioly.

“Não vejo circulação de pedestres na calçada da Rui Barbosa, mas vejo muita gente usando o trecho do parque perto do gradil para fazer piquenique por ser uma área de sombra”, reforça o professor Dimas Veras, 35. “A prefeitura deve ter um estudo para justificar o projeto porque a olho nu ele não se justifica”, destaca, acrescentando que o Recife tem calçadas mais precárias para serem recuperadas. “Fiquei um tempo sem poder apoiar o pé no chão e vi muitas calçadas com problemas, mas não é o caso da Jaqueira”, completa.

Na opinião do engenheiro e professor da Universidade Federal de Pernambuco Oswaldo Lima Neto, se o Recife tivesse as suas calçadas em bom estado para a circulação de pedestres a ampliação do passeio público do Parque da Jaqueira não seria questionada. “Não é que o projeto não seja interessante, mas numa cidade como o Recife, com uma precariedade enorme nas calçadas, é preciso priorizar os lugares mais necessitados”, pondera o engenheiro.

Oswaldo Lima Neto lembra, ainda, que a última pesquisa domiciliar contratada pelo governo do Estado, em 1997, constatou que mais de 1,2 milhão de pessoas realizavam viagens a pé no Grande Recife. “O resultado mostra a necessidade de se ter passeios conservados”, declara o professor. “Na disciplina engenharia de tráfego, na UFPE, eu sempre peço aos alunos um diagnóstico da situação das calçadas onde eles moram, em nenhuma delas um cadeirante conseguiria passar.”

Centro

Uma calçada com oito metros de largura é equivalente a uma rua com duas faixas de rolamento, levando em consideração que cada faixa de rolamento tem 3,5 metros de largura. “Alguma coisa está invertida, enquanto aumentam a calçada do Parque da Jaqueira nós usamos calçadas como essa”, afirma a autônoma aposentada Jacira de Souza Teixeira, 71, apontando o passeio da Escola Ana Rosa Falcão de Carvalho na Rua da Saudade, em Santo Amaro, área central do Recife.



“Em dias de chuva somos obrigados a andar pela rua, competindo com os carros, porque a calçada esburacada fica cheia de água”, ressalta Jacira de Souza, moradora do bairro. “É péssimo caminhar num lugar assim e mesmo quando consertam, as pedras do calçamento se soltam porque são assentadas na areia. Deficiente visual e cadeirantes não passam aqui”, declara o funcionário público aposentado Antônio Luiz Teixeira, 75, marido de Jacira.

O mesmo cenário se repete na Rua Princesa Isabel, na Boa Vista, Centro do Recife. “Há anos a prefeitura não conserta os buracos e os problemas só fazem aumentar. A recuperação dessa calçada deveria ser prioridade”, avalia Daiane Aparecida Martins Ferreira, 27, que trabalha no comércio informal.

Prefeitura

A ampliação da calçada do Parque da Jaqueira faz parte do projeto de recuperação dos passeios públicos da Avenida Rui Barbosa, elaborado pela Autarquia de Urbanização do Recife (URB). A obra contempla a via do começo ao fim, teve início em fevereiro de 2018 e está prevista para terminar em outubro próximo. O trecho correspondente ao parque tem cerca de 300 metros de extensão.

João Alberto Faria, presidente da URB, informa que a obra na área da Jaqueira prevê o alargamento da calçada com o recuo do gradil do parque e a construção de duas travessias elevadas para pedestres, no mesmo nível do passeio público. “O parque ficará todo acessível e vamos continuar o serviço com a recuperação da calçada no trecho da Rua do Futuro, em breve”, diz ele.

A reforma do passeio público do parque cria um novo conceito na cidade, segundo João Alberto Faria. A calçada mais ampla, diz ele, será confortável, acessível e atrativa aos moradores. “É uma proposta diferente do restante da Rui Barbosa”, afirma. Com relação ao espaço de ginástica, ele disse que será feito um novo desenho da plataforma, para que o equipamento permaneça no mesmo local e sem alteração de tamanho.

Pelo programa Calçada Legal, a prefeitura alargou outro trecho do passeio da Rui Barbosa, entre a Rua Deputado Pedro Pires Ferreira e a Avenida Doutor Malaquias, com redução da pista. “E as calçadas históricas, como aquelas dos prédios da Academia Pernambucana de Letras e do Museu do Estado, são recuperadas e preservadas”, informa João Alberto.

O projeto completo prevê a recuperação de passeios públicos dos principais corredores viários da cidade, em 114 ruas e 12 largos do Centro e das Zonas Norte, Sul e Oeste, num total de 134 quilômetros de calçadas e 56,3 mil metros quadrados de largos, ao custo de R$ 105 milhões.


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Comentários

Por Preocupado ,25/07/2018

Gostaria de fazer uma sugestão: Se possível façam uma reportagem sobre as praças no Recife. Estão muito degradadas. Tem praça que foi revitalizada ha 18 anos atrás . Façam uma matéria sobre o assunto. E vejam a situação das pracinhas em frente aos mercados públicos.

Por Diva,24/07/2018

Fora as calçadas precárias ainda temos as praças degradadas. Recife é suja, degradada e violenta. Não esperem nada de bom dessa prefeitura. Mas, demitam todos desse partido nas próximas eleições,

Por Waldir,24/07/2018

ETA calçada Polêmica, ainda bem que aqui no entorno de Campus da UFPE não tem Calçada, o pedestre anda mesmo é na RUA , pois os Barraqueiros, Borracheiros, Lavajato, e ourtros ilegais, se apossaram do espaço que seria ao pedestre, tudo isso com a nonivencia da Prefeitura.

Por Alceu Dispaur,24/07/2018

Katyane, acho que tem que haver bom senso tanto da população quanto da prefeitura. Ao meu ver, não há bom senso em subtrair área do parque da Jaqueira para transformar em calçada principalmente naquele lado do parque que é bem menos utilizado, tanto é que nem vendedor ambulante tem na entrada pela R. Barbosa. Também não há bom senso em reclamar porque uma árvore que ameaçava cair e causar acidentes foi cortada mas a Prefeitura deveria ter o bom senso de substituir a árvore erradicada. Também não há bom senso em cortar uma árvore inteira quando se poderia cortar apenas a parte "estragada", foi isso que aconteceu no parque da Jaqueira onde restam apenas os troncos de árvores sem nenhuma marca de ataque de cupins ou podridão e também não foi efetuado o replantio.

Por Alceu Dispaur,24/07/2018

Na reforma, ops, aliás requalificação da calçada da Avª Rui Barbosa no colégio Damas, praticamente todas as árvores - sadias ou não foram derrubadas!



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